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Dedic, o elétrico que faz carburar um carro a gasolina (a crónica do Benfica-Tondela)

Este artigo tem mais de 1 ano

Amar Dedic foi a chave para um triunfo tranquilo do Benfica antes da "final" na Champions que teve um golo de Ivanovic, outra masterclass de Aursnes e a baliza de novo fechada com Samu titular (3-0).

Amar Dedic fez a assistência para o primeiro golo do Benfica e foi um dos melhores da equipa na primeira parte num encontro em que Aursnes voltou a estar em destaque
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▲Amar Dedic fez a assistência para o primeiro golo do Benfica e foi um dos melhores da equipa na primeira parte num encontro em que Aursnes voltou a estar em destaque

PATRICIA DE MELO MOREIRA

▲Amar Dedic fez a assistência para o primeiro golo do Benfica e foi um dos melhores da equipa na primeira parte num encontro em que Aursnes voltou a estar em destaque

PATRICIA DE MELO MOREIRA

Cinco jogos, quatro vitórias, um troféu num dérbi, zero golos sofridos. Houve tempos em que Bruno Lage ia fazendo grandes loas à nota artística que pretendia colocar como imagem de marca do Benfica, sobretudo em encontros que se realizassem na Luz. Agora, percebendo o contexto que equipa, clube e o próprio enfrentam, tornou-se sobretudo um técnico resultadista, que analisa a conclusão de um encontro à luz dos golos que foram marcados e sofridos sem olhar tanto para aquilo que foi feito para alcançar esse objetivo. Para já, essa estratégia tendo um plantel ainda em fase de construção estava a resultar. E o próximo obstáculo pela frente era o Tondela, equipa só com derrotas na Liga que aparecia na antecâmara dessa decisão da Champions.

Benfica-Tondela. Águias procuram segunda vitória na Liga antes da “final” pela Champions

“Vou começar com um chavão: é o jogo mais importante porque é o próximo. Digo-o com toda a sinceridade. A Liga dos Campeões é importante, traz prestígio aos jogadores e ao clube, financeiramente também é muito relevante. No ano passado chegámos aos oitavos, batemos recordes de receitas, fomos o clube que mais pontos fez em Portugal mas não fomos campeões e o que os benfiquistas querem é ser campeões. Há três pontos que queremos mas sabemos que há muito a perder nestes jogos. O nosso foco, a concentração, o empenho e a agressividade para vencer o Tondela têm de lá estar porque os dois resultados que tiveram até agora foram enganadores. Temos de estar muito concentrados para vencer este jogo”, apontara antes da partida, mais numa mensagem para dentro do que propriamente para fora para evitar qualquer facilitismo.

“O que temos de falar é de cada momento. Vou usar mais um chavão: Roma e Pavia não se fizeram num dia. Temos de convencer e, depois, vamos ter tempo. Fomos elogiados até mesmo por vós a determinados momentos. Neste momento, o resultado está em primeiro lugar e tenho total confiança. Fizemos um arranque muito positivo e, agora, estamos satisfeitos. Sabemos que temos de dar todos muito mais. Primeiro vencer, depois teremos tempo para convencer”, acrescentou a esse propósito, antes de refutar também a ideia de haver um Benfica com menos argumentos ofensivos pelos seis golos marcados em cinco jogos entre o jogo em branco realizado na passada quarta-feira em Istambul com o Fenerbahçe de Mourinho.

“Lembra-se da última época em que o Benfica iniciou assim? Com quatro jogos, quatro vitórias e zero golos sofridos? É a primeira vez, por isso é que não se lembra. Este grupo de jogadores está a fazer isto sem ter férias, sem pré-época… Quatro vitórias sem golos sofridos, cinco seguidos sem sofrer golos e ganhou a Supertaça. Se quiserem olhar para o número de golos… Se olhar a 60, 70 anos, em duas épocas está um treinador português”, reforçou, antes de deixar em aberto possíveis alterações na equipa inicial sobretudo depois da permanência de Kerem Aktürkoglu, que viu gorada a saída e ocupou a posição de Schjelderup.

“O mais importante é sermos claros numa coisa: quem toma as decisões sobre a equipa sou eu e tenho de olhar para o rendimento dos jogadores dentro e fora de campo. É perceber tudo o que anda ao redor, o contexto, a dinâmica da equipa. E há uma coisa que também é muito importante: a estratégia para o jogo, escolher o melhor onze. Em cinco jogos, dois jogou o Kerem [Aktürkoglu], em três o Schjelderup. Só têm de ser competitivos para que possa tomar as melhores decisões. Sinto o Kerem de corpo e alma no Benfica, a querer ajudar a vencer jogos. Se assim não fosse, não tinha feito o que fez neste início”, frisara.

Bruno Lage queria esconder o jogo sabendo que iria promover uma série de alterações na equipa inicial. A entrada de Schjelderup para o lugar de Aktürkoglu foi apenas uma, com Obrador a ter oportunidade no lugar de Dahl, Tomás Araújo a fazer descansar António Silva e Ivanovic a juntar-se a Pavlidis com Florentino Luís no banco. Depois, a grande surpresa: na sequência de um encontro na Turquia em que teve duas defesas fulcrais mas por pouco não custou a derrota num erro após remate de Talisca, Trubin ficava no banco e abria a porta para a estreia de Samuel Soares esta época e logo no Campeonato, sem que se percebesse se poderia ser um sinal de uma troca efetiva na baliza. Para já, sobra essa dúvida (com a ideia de que o ucraniano pode regressar na quarta-feira) e fica uma certeza: após vários testes e adaptações, o Benfica parece ter acertado de vez num sucessor de Bah no lado direito da defesa com um Amar Dedic que defende, sabe atacar e voltou a ser o desbloqueador de todo o jogo ofensivo encarnado nas alturas em que voltava a ser um carro a gasolina.

Ficha de jogo

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Benfica-Tondela, 3-0

3.ª jornada da Primeira Liga

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Anzhony Rodrigues (AF Madeira)

Benfica: Samuel Soares; Dedic (Prestianni, 67′), Tomás Araújo, Otamendi, Obrador (Dahl, 67′); Enzo Barrenechea (Florentino Luís, 82′), Richard Ríos; Aursnes, Schjelderup (Aktürkoglu, 67′), Pavlidis e Ivanovic (Leandro Barreiro, 78′)

Suplentes não utilizados: Trubin, António Silva, Henrique Araújo e Tiago Gouveia

Treinador: Bruno Lage

Tondela: Bernardo Fontes; Tiago Manson, Christian Marques, João Afonso, Maviram; Hélder Tavares (Xabi Huarte, 46′), Juan Rodríguez, (André Ceitil, 80′) Pedro Maranhão (Ouattara Moudjatovic, 73′), Yarlen Augusto, Joseph Hodge (Yaya Sithole, 46′) e Miro (Yefrei Rodríguez, 62′)

Suplentes não utilizados: Gabriel Souza, Bebeto, Brayan Hurtado e Rémy Vita

Treinador: Ivo Vieira

Golos: Ivanovic (31′), Aursnes (42′) e Prestianni (90+6′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Otamendi (25′), Miro (34′), Enzo Barrenechea (62′) e Tiago Manso (84′)

O encontro começou praticamente com o Benfica a ficar muito perto do golo inicial, com Ivanovic a ver bem a movimentação de Pavlidis para descair sobre a direita da área e rematar cruzado para defesa complicada de Bernardo para canto… aos 25 segundos. Estava dado o mote para aquilo que parecia ser uma noite de caudal ofensivo mais acentuado mas o Tondela teve o condão de serenar ânimos nos minutos seguintes, fazendo posses no meio-campo contrário com dois livres laterais que poderiam levar perigo e impedindo com isso que os encarnados se aproximassem com perigo da área contrária, algo que aconteceu mais perto do fecho do primeiro quarto de hora com Pavlidis a disparar uma “bomba” após assistência de Aursnes para defesa de Bernardo Fontes para canto (12′) antes de um desvio de cabeça do grego para nova parada (13′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Benfica-Tondela em vídeo]

Mais uma vez, o Tondela resistia às investidas do Benfica, conseguindo também criar a sua primeira jogada com remate enquadrado do jogo num cruzamento da esquerda desviado por Tiago Manso para defesa segura de Samuel Soares (16′). Mais tarde, neste caso na sequência de um livre descaído sobre a direita que valeu a Otamendi o primeiro amarelo do jogo por falta em zona perigosa sobre Hélder Tavares, Maviram tentou de livre direto mas a tentativa voltou a ficar nas mãos do guarda-redes do conjunto da Luz (26′). Ainda houve uma jogada em que Aursnes demorou a rematar e acabou por atirar contra um adversário e um lance após canto que Ivanovic fez um grande cruzamento mas o primeiro golo tardava… até que voltou a aparecer Dedic: em nova investida da direita para o meio com uma aceleração que deixou a organização defensiva do Tondela desposicionada, Ivanovic recebeu a assistência do lateral e rematou cruzado para o 1-0 (31′).

Estava “desbloqueado” o mais complicado neste tipo de jogos, com o Benfica a sentir que o Tondela acusara a desvantagem e a subir ainda mais linhas em busca de mais um golo antes do intervalo que deixasse tudo mais tranquilo para o segundo tempo. Richard Ríos, num remate de meia distância, obrigou Bernardo Fontes a uma defesa difícil para a frente (36′), Pavlidis falhou sozinho na pequena área depois de mais uma assistência de Dedic em combinação com Aursnes na direita (37′), Ivanovic teve nova tentativa que foi tão colocada que acertou na cabeça do guarda-redes do Tondela (38′). O 2-0 parecia uma mera questão de tempo e surgiu pouco depois, com Schjelderup a fazer mais uma boa diagonal da esquerda para o meio antes da assistência no momento certo para a entrada de Aursnes na direita antes do remate a fuzilar do médio (42′).

Ivanovic terminava a primeira parte como MVP em termos estatísticos mas era a exibição de Amar Dedic que enchia o olho. Todas as oportunidades iniciais dos encarnados começaram nos pés do lateral, toda a jogada do primeiro golo foi construída pelo lateral, quase todas as acelerações que iam conseguindo desmontar a organização defensiva do Tondela partiam do lado direito do lateral. Ivo Vieira tentava ainda algo da partida com as entradas de Xabi Huarte e Yaya Sithole em campo para os lugares de Hélder Tavares e Hodge mas o mal estava feito, com o Benfica a dominar como queria o encontro e a jogar mais ou menos rápido consoante os momentos menos num momento de distração de Obrador, que não valeu penálti para os visitantes porque o VAR considerou que a falta sobre Yarlen foi feita fora da área (51′). Ficou o susto e apenas isso, sendo que pouco depois foi Tiago Manso a impedir em cima da linha o golo de Otamendi após canto (55′).

Depois de uma primeira parte com bom ritmo e intensidade, a segunda começava a tornar-se bem mais incaracterística, não sendo alheio a isso a quebra física que Dedic teve (acabaria por sair a meio do segundo tempo a par de Obrador e Schjelderup, com as entradas de Dahl, Prestianni e Aktürkoglu). Maranhão teve um remate fraco para defesa de Samuel Soares, Pavlidis fez um desvio com perigo ao lado na área, Prestianni tentou um remate em jeito que saiu uma rosca, Aktürkoglu podia ter assistido na área para o terceiro golo mas o passe ficou nas mãos do guarda-redes dos beirões. Se o encontro já não estava bom, as substituições tiveram o condão de esvaziar ainda mais os bons momentos de futebol na Luz que surgiram já em cima do minuto 90, com Tiago Manso a cortar em cima da linha um chapéu de Pavlidis que bateu ainda na trave antes do 3-0 final de Prestianni, numa recarga após remate na área com assistência de Aursnes (90+6′).

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