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Na passada sexta-feira o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou que o serviço secreto israelita recuperou, na quinta-feira, os corpos de dois reféns na Faixa de Gaza, raptados durante os ataques do Hamas a 7 de outubro de 2023. No mesmo dia foi confirmada a identidade de um dos corpos, de Ilan Weiss, um israelita de 56 anos. Agora, já se sabe que os outros restos mortais são de Idan Shtivi, um refém luso-israelita sequestrado no festival Nova. Com a recuperação dos dois corpos, o número de reféns israelitas mantidos em Gaza caiu para 48.
Idan is brought home after 694 days ????
— Bring Them Home Now (@bringhomenow) August 30, 2025
Idan Shtivi was murdered and abducted from the Nova music festival on October 7th, 2023, while trying to save other party goers he only met moments beforehand.
Idan, 28 at the time of his death, was a student of environmental… pic.twitter.com/GDUyvwaADG
Numa partilha nas redes sociais, a Hostages and Missing Families Forum confirma que o corpo do fotógrafo, que tinha 28 anos quando morreu, regressou para a sua família: a mãe Dalit, o pai Eli, as três irmãs e a namorada, Stav. De acordo com o Haaretz, a identificação foi feita pelo Instituto de Medicina Forense israelita. Idan foi sequestrado a 7 de outubro de 2023 no festival de música eletrónica Nova, onde era voluntário, e permaneceu por cerca de um ano na lista de desaparecidos, até que em 2024 o exército anunciou que o fotógrafo de 28 anos havia sido morto no ataque e o seu corpo mantido em Gaza.
Nas redes sociais, o Ministério dos Negócios Estrangeiros partilhou uma mensagem de condolências à família. “O Governo presta sentida homenagem ao cidadão luso-israelita Idan Shtivi, feito refém pelo grupo terrorista Hamas nos terríveis ataques de 7 de Outubro, cujo corpo foi agora recuperado. Apresenta condolências à família e ao povo de Israel, solidarizando-se com o seu sofrimento”, diz a publicação no X.
Shtivi estava prestes a iniciar o segundo ano de estudos em Administração e Sustentabilidade na Reichman University. “Ele chegou à festa às 6h30 e os bombardeamentos começaram. Ligou à namorada a dar-lhe conta disso e a informá-la de que ia voltar para trás”, contou a mãe do homem, Dalit Shtivi, ao Observador, numa visita a Lisboa em fevereiro de 2024.
Após a última chamada para a namorada, Idan nunca mais deu sinais de vida. A família então decidiu contratar “especialistas privados forenses”, que descobriram que o fotógrafo luso-israelita conduziu um carro com dois amigos para fugir até ser parado por militantes do Hamas. “Ele fugiu para outro carro, continuou a conduzir, mas apareceu outro terrorista”, narra Dalit, que conta que os “terroristas do Hamas gravaram” aquele momento com o recurso a “uma câmara GoPro”. De acordo com o Forum, a 7 de outubro Idan Shtivi ajudou um homem e uma mulher que tinha acabado de conhecer a escaparem do massacre, “um ato de solidariedade que acabou culminando no seu rapto”.
Durante três meses as autoridades israelitas não sabiam se Idan tinha sido morto, raptado ou se estava apenas desaparecido. “Só 90 dias depois é que nos disseram tinha sido raptado”, lembra também ao Observador a tia do jovem, Ayelet. No início de 2024 as Forças de Defesa de Israel passaram a comunicar com mais frequência com a família — e em outubro confirmaram que Idan morreu ainda no dia do ataque em 2023. “Foi muito difícil quando recebemos a notícia. Antes tínhamos a esperança de que ele voltaria. Pensávamos muito sobre esse momento”, revelou Dalit, em conversa com o Observador a partir de Telavive, em outubro de 2024, quando dizia que estava à espera de um acordo de cessar-fogo que incluísse o regresso dos restos mortais do seu filho. “Isso é o que nós esperamos do nosso governo e do governo português”. “Ele é um cidadão português”, disse a mãe, que deixou críticas ao Ministério dos Negócios Estrangeiros português. “Sentimos que o abandonaram. Abandonaram todos os cidadãos portugueses que desapareceram e foram raptados. Eu também sou uma cidadã portuguesa, tenho o passaporte português e não recebi nada de Portugal até agora.”