Na primeira ronda de encontros com os partidos para discutir as grandes opções orçamentais, o Governo manteve a estratégia que definiu no início da legislatura: ocupar o centro do tabuleiro e fazer tudo para não se deixar encostar à direita (Chega), nem à esquerda (PS). Já depois de André Ventura e José Luís Carneiro terem pressionado Luís Montenegro a escolher um lado, o Executivo, pela voz do ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, fez questão de deixar claro que “não existe qualquer lógica de preferência” e que “não há parceiros preferenciais para o Orçamento”.
Esta quarta-feira, o Governo encontrou-se com os representantes de Chega, Livre e Iniciativa Liberal para discutir, entre outros temas, a questão orçamental. O ministro dos Assuntos Parlamentares aproveitou para elogiar o sentido de “responsabilidade” demonstrado pelo três partidos e disse esperar que se estenda agora ao resto da oposição.
“O desejo do Governo é que as reuniões que ainda faltam decorram neste sentido e também que as reuniões que possam vir a existir – e muitas por certo serão, quer setoriais, quer sob o Orçamento – tenham também o mesmo clima que foi sério, construtivo e de grande credibilidade. O Governo vai continuar nesta senda e gostaria que este clima de responsabilidade continuasse”, sublinhou Carlos Abreu Amorim, sem nunca dizer se este era ou não um aviso ao PS, com quem o Executivo se reúne na sexta-feira.
Apesar de a agenda ter ficado marcada pelas novidades que o Executivo está a preparar para a Lei de Estrangeiros, Rita Matias, do Chega, fez questão de exigir para o Chega o papel de “parceiro preferencial” na discussão orçamental.
“Aquilo que o Chega quer é que o Governo não ande aos ziguezagues. Os líderes da oposição somos nós e estamos disponíveis para uma negociação. No entanto, isto não é sobre como começa, é sobre como acaba. Não vamos também tolerar tudo e reforçamos que não queremos que se repitam situações como a do ano passado”, avisou a deputada.
Mais cética, Mariana Leitão, presidente da IL, foi-se pondo fora do processo negocial. “Mais uma vez, vamos ter mais um Orçamento do Estado que não vai resolver o problema das pessoas. O Governo continua muito agarrado às práticas do costume, pouco ambiciosas, de não fazer as reformas necessárias e nós, obviamente, queremos um país diferente, com melhores condições de vida para as pessoas.”
Ainda mais distante, Rui Tavares, porta-voz do Livre, atirou o Governo para os braços da direita e do Chega. “Nós achamos que esse namoro não é bom para o país, achamos que o país precisa de ter verdadeira pluralidade no parlamento e o Livre tem várias propostas a apresentar.”
Destas reuniões saíram poucas novidas em relação ao Orçamento do Estado. Pela voz de Rui Tavares, confirmou-se a ideia de que o Governo prevê uma dívida pública abaixo dos 90% do PIB e que o crescimento da economia ficará “pouco acima dos 2%, ou em torno dos 2%” ainda este ano.