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Exército do Nepal com forte presença nas ruas de Katmandu após distúrbios violentos

Este artigo tem mais de 1 ano

Apesar do restabelecimento de algumas plataformas sociais, da promessa de investigação à violência policial e da saída do primeiro-ministro, continuaram os protestos que já mataram 19 pessoas.

epaselect epa12364608 A protester prepares to burn a picture of resigned Prime Minister K.P. Sharma Oli while storming the Singha Durbar palace, which houses government and parliament buildings, during violent demonstrations in Kathmandu, Nepal, 09 September 2025. At least 19 people were killed and dozens injured on 08 September during demonstrations against corruption and a government social media ban.  EPA/NARENDRA SHRESTHA
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▲Na quarta-feira, as ruas da capital estavam repletas de destroços de veículos e barricadas, e ainda havia fumo a sair dos edifícios incendiados ou das lojas saqueadas durante os motins

NARENDRA SHRESTHA/EPA

▲Na quarta-feira, as ruas da capital estavam repletas de destroços de veículos e barricadas, e ainda havia fumo a sair dos edifícios incendiados ou das lojas saqueadas durante os motins

NARENDRA SHRESTHA/EPA

O exército nepalês patrulhou esta quarta-feira de manhã as ruas da capital, Katmandu, após um dia de violentos distúrbios marcado pela demissão do primeiro-ministro do país, KP Sharma Oli.

A polícia nepalesa reprimiu brutalmente na passada segunda-feira manifestações que denunciavam a decisão do governo de bloquear as redes sociais e a corrupção das elites, causando, pelo menos, 19 mortos e centenas de feridos.

Apesar do restabelecimento das plataformas sociais Facebook, X ou YouTube, da promessa de uma investigação sobre a violência policial e da saída de Oli, grupos de jovens manifestantes assaltaram na terça-feira edifícios públicos e residências de dirigentes políticos nepaleses.

O Parlamento foi incendiado, assim como a residência do primeiro-ministro demissionário, segundo constataram jornalistas da AFP.

Na quarta-feira, as ruas da capital estavam repletas de destroços de veículos e barricadas, e ainda havia fumo a sair dos edifícios incendiados ou das lojas roubadas durante os motins, de acordo com o testemunho da mesma agência de notícias.

“Está calmo esta manhã, o exército está por toda a parte nas ruas”, disse à AFP um militar destacado numa barricada, que se recusou a revelar a sua identidade por não estar autorizado a falar com a comunicação social. Não foi até agora divulgado qualquer balanço oficial dos tumultos.

O exército do Nepal apelou na terça-feira à população do país nos Himalaias com 30 milhões de habitantes para que mantivesse a calma e alertou contra “atividades que poderiam levar o país à revolta e à instabilidade”.

Numa mensagem de vídeo, o chefe do Estado-Maior nepalês, general Ashok Raj Sigdel, apelou a “todos os grupos envolvidos nas manifestações para que recuperem a calma e encetem um diálogo”.

De volta ao poder em 2024, KP Sharma Oli, com 73 anos, explicou que se demitia “para que pudessem ser tomadas medidas com vista a uma solução política”.

O Presidente do país, Ramchandra Paudel, também exortou “todos, incluindo os manifestantes, a cooperarem para uma resolução pacífica da difícil situação do país”.

Outros apelos à calma e à contenção foram feitos pela ONU e pela vizinha Índia. “A estabilidade, a paz e a prosperidade do Nepal são de importância capital para nós”, sublinhou o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

Presidente da Câmara de Katmandu desde 2022, o antigo engenheiro e rapper Balendra Shah, de 35 anos, também apelou à população para que “desse provas de contenção”.

“Estejam prontos (…) para assumir as rédeas do país”, lançou no Facebook, apresentado como uma figura incontornável da transição que se avizinha.

A situação política continua muito incerta no Nepal, enquanto se aguarda um sucessor para o chefe do governo demissionário.

Há 34 portugueses no Nepal. MNE diz estarem “bem e em segurança”

Ao Observador, o Ministério dos Negócios Estrangeiros contou que há 34 cidadãos portugueses identificados no Nepal, tendo garantido que “todos se encontram bem e em segurança”, estando a ser contactados regularmente pelos serviços consulares.

“Foi feito um esforço de identificação de cidadãos nacionais que se encontrassem na capital do país, incluindo a respetiva localização e forma de contacto e também foram atualizados os Conselhos aos Viajantes, com recomendações específicas”, lê-se na resposta do Ministério.

“Os cidadãos nacionais foram aconselhados a evitar as manifestações e zonas onde se verifiquem protestos, a respeitar o recolher obrigatório decretado localmente e a seguir rigorosamente as instruções das autoridades nepalesas”, disse ainda.

Os voos no aeroporto internacional de Tribhuvan, em Katmandu, estiveram suspensos até às 18h00 na hora local (13h15 na hora de Lisboa). Até agora, informou ainda o ministério, “não se colocou” a realização de voos extraordinários de evacuação.

Atualizado às 17h48 com informações sobre os cidadãos portugueses no Nepal

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