Pelo menos 19 pessoas morreram e mais de 340 ficaram feridas esta segunda-feira no Nepal, durante uma manifestação liderada por milhares de jovens da chamada Geração Z (pessoas nascidas entre 1995 e 2010), que denunciaram a corrupção no país e contestaram a decisão do Governo de bloquear as principais redes sociais, como o Facebook, o Youtube e o X.
De acordo com o jornal local The Kathmandu Post, os protestos começaram na manhã desta segunda-feira junto ao edifício do parlamento e espalharam-se por várias cidades, como Pokhara, Butwal, Bhairahawa, Bharatpur, Itahari, Damak, Biratnagar, Janakpur, Hetauda e Nepalgunj. Embora as autoridades tenham decretado recolher obrigatório a partir das 15h30, as manifestações intensificaram-se ao longo do dia.
“Parem com a proibição das redes sociais, parem com a corrupção, não com as redes sociais”, gritaram as multidões, que agitavam bandeiras nacionais vermelha e azul.
As forças de segurança recorreram a gás lacrimogéneo, canhões de água e munições para dispersar os protestos em frente ao parlamento em Katmandu, a capital do país. Segundo testemunhas citadas pelo mesmo jornal, a polícia chegou a ser obrigada a recuar para dentro do edifício, depois de os manifestantes atravessarem arame farpado e forçarem as barreiras da polícia de choque. Em Damak, no distrito de Jhapa, várias pessoas lançaram pedras contra a residência do primeiro-ministro, KP Sharma Oli, e incendiaram pneus — o que levou a polícia a disparar vários tiros para o ar.
Segundo fontes hospitalares, na capital do Nepal morreram 17 manifestantes. Na região de Sunsari, duas pessoas foram atingidas a tiro, não resistindo aos ferimentos e elevando para 19 o número total de vítimas mortais.
Relativamente aos feridos, há registo de pelo menos 347, que estão hospitalizados em várias unidades de saúde do país. Quatro dos manifestantes estão em estado grave, segundo Anil Adhikari, médico do Hospital Everest. Já Dipendra Pandey, do Trauma Centre, indicou que dez feridos apresentam ferimentos na cabeça e no peito.
A Comissão Nacional de Direitos Humanos classificou como “lamentável” a escalada dos atos de vandalismo e o uso de força excessiva, apelando à contenção tanto das forças de segurança como dos manifestantes, uma vez que a Constituição e o direito internacional garantem a liberdade de protesto pacífico.