Investigações recentes sugeriram que muitas das pessoas da Idade do Bronze sepultadas em Seddin, a sudoeste de Berlim, não eram residentes, mas sim de fora da região.
Embora os arqueólogos já tenham descoberto artefactos de outras partes da Europa nas proximidades deste local, este novo estudo revela que as pessoas viajaram e se estabeleceram ali.
Esta é a primeira investigação bioarqueológica de restos de esqueletos humanos da região de Seddin, a sudoeste da capital alemã.
O habitual estudo de artefactos arqueológicos pode revelar comércio e trocas entre diferentes áreas, mas não permite determinar se este foi acompanhado por viagens humanas.
Este novo estudo, cujas conclusões foram publicadas na PLOS One, esclarece como as pessoas viajavam pela Europa durante a Idade do Bronze, noticiou na quinta-feira a agência Europa Press.
“Conseguimos preencher esta lacuna de conhecimento sobre a população de elite de Seddin investigando os seus restos mortais e identificando que a sua composição química era estranha à região. No entanto, os indivíduos investigados eram geralmente provenientes de túmulos proeminentes, o que significa que os nossos resultados não são representativos da população em geral, mas apenas das elites”, salientou Anja Frank, que liderou o estudo, em comunicado.
O estudo resulta de uma colaboração internacional que inclui investigadores e arqueólogos da Universidade de Gotemburgo, na Suécia e concluiu que Seddin, com os seus túmulos monumentais, deve ter sido um importante centro de ligações internacionais entre 900 e 700 a.C.
“Isto reflete-se no facto de a maioria dos indivíduos enterrados apresentar uma assinatura de estrôncio [elemento químico] estrangeira e não local”, explicou o professor Kristian Kristiansen, da Universidade de Gotemburgo.
“As assinaturas de estrôncio da maioria dos indivíduos enterrados apontam tanto para o sul da Escandinávia como para a Europa Central, e possivelmente para o norte de Itália. Isto é consistente com o conhecimento arqueológico que demonstra a intensificação do comércio entre estas regiões”, lembrou.
Para realizar a investigação, a equipa internacional e interdisciplinar analisou restos cremados de cinco sítios funerários da Idade do Bronze Final em redor de Seddin, incluindo o túmulo de Wickbold I, do século IX a.C., para determinar a sua composição isotópica de estrôncio.
“Medimos isótopos de estrôncio em ossos do ouvido interno encontrados em enterramentos de cremação de elite. O osso do ouvido interno forma-se na primeira infância e é resistente a alterações subsequentes, mesmo durante a cremação. Durante a sua formação, o osso incorpora a composição de estrôncio dos nossos alimentos e, devido à sua robustez, protege-os”, detalhou Anja Frank.
Se a composição isotópica de estrôncio do osso do ouvido interno de um indivíduo da Idade do Bronze não corresponder à composição isotópica de estrôncio encontrada no ambiente do povoado onde foi enterrado — ou seja, a área de onde veio o seu alimento —, pode ser identificado como não local.
“Identificar a área de origem é menos simples, uma vez que várias áreas podem ter a mesma composição de estrôncio; por isso, identificámos várias, que foram posteriormente restringidas com base no registo arqueológico”, referiu ainda Anja Frank.