Era o dia em que tudo tinha de correr bem, foi o dia em que nada começou por correr bem, acabou por ser o dia em que havia esperança de que corresse bem. Apesar da surpreendente vitória logo a abrir o Campeonato do Mundo frente a Cuba por 3-1, a derrota diante dos EUA sem sets ganhos (3-0) fez com que a Seleção de voleibol não dependesse apenas de si para assegurar a qualificação para os oitavos apenas pela segunda vez na história, naquela que é também apenas a terceira presença nacional na competição. Ponto fulcral? Somar novo triunfo diante da Colômbia, o conjunto teoricamente mais acessível do grupo. E foi aí que começou um longo dia para a equipa de Portugal, que depois de defrontar os sul-americanos teve de ficar à espera.

Portugal vence Colômbia e ainda sonha com oitavos do Mundial de voleibol

Ainda assim, e voltando ao início deste texto, nem tudo correu bem. Depois de ter começado o encontro com uma desvantagem de 5-0, Portugal conseguiu reentrar na discussão do primeiro parcial, chegou mesmo a beneficiar de dois pontos a favor na sua melhor fase de jogo (16-14) mas acabou por perder por 25-23. Novo set, nova oportunidade, novo desaire: dois parciais de 4-0 no arranque do segundo parcial permitiu que os colombianos fizessem outra gestão do set até ao triunfo por 25-21 que deixava mais uma surpresa neste Mundial marcado por várias surpresas à distância de um mero set. No entanto, a Seleção estava “viva”.

Que venha a “final”: Portugal perde frente aos EUA mas ainda pode chegar aos oitavos do Mundial de voleibol

Uma boa entrada no terceiro parcial, com uma vantagem madrugadora de seis pontos (10-4), possibilitou que Portugal estabilizasse de vez no encontro, partindo a partir daí para uma grande reviravolta com vitórias por 25-20 no terceiro set, 25-21 no quarto set (neste caso bem mais equilibrado e decidido nos momentos finais) e 15-11 na “negra”, depois de um 4-0 na ponta final depois do empate a 11. Apesar de todas as dificuldades, maiores até do que na teoria se podia esperar, Portugal conseguia a fundamental vitória no jogo apesar de ter somado apenas dois e não três pontos. O que mudava em termos práticos? Pouco ou nada. Ou seja, umas horas depois haveria um novo “jogo” onde os EUA teriam de derrotar o conjunto de Cuba.

O regresso com um triunfo histórico: Portugal vence gigante Cuba no arranque do terceiro Mundial na história

“A pressão é daquelas coisas inexplicáveis. Apareceu, esteve muito presente ao longo de toda a competição mas faz parte. Sabíamos que se viéssemos para o jogo com a oportunidade de poder passar à próxima fase essa pressão iria aparecer. Apareceu. Tornou o jogo difícil mas penso que o facto de os atletas perceberem que isso iria acontecer também ajudou a que no terceiro set desligássemos um bocadinho daquilo que poderia acontecer e pensar naquilo que poderíamos fazer durante o jogo, entre as coisas que não controlamos e as coisas que conseguimos controlar. A partir daquele momento, que nunca sabemos muito bem quando é que dá aquele clique, eles libertaram-se e o jogo progressivamente foi evoluindo”, começou por comentar João José, selecionador nacional e central na equipa que chegou aos quartos do Mundial de 2002.

“Fica a ideia que Portugal soube superar-se. É preciso perceber que viemos aqui com expectativas bem realistas de que queríamos ir para a fase seguinte mas que era extremamente difícil. O que eles fizeram foi superar-se, conseguiram entrar bem no primeiro encontro, o que é sempre difícil, com uma equipa que fisicamente e no ranking prova que é superior a nós. No segundo jogo, os EUA tiveram de jogar, não houve ali um demérito nosso, efetivamente foram para cima de nós, jogaram e nós não conseguimos. Hoje tivemos de aguentar a pressão, mais uma vez tivemos de nos superar. Claro que um 3-0 era melhor mas o objetivo era estar na condição de conseguir passar. Estamos na condição de conseguir passar”, acrescentou. “Claro que vamos ver o próximo jogo, vamos ficar a fazer contas e vamos torcer pelos EUA”, concluiu João José.

Todos os olhos estavam na mesma centrados em Manila e no duelo entre duas equipas do top 10 do ranking mundial, com ligeiro favoritismo para os EUA, que ganharam a medalha de bronze na última edição dos Jogos Olímpicos de Paris, frente a uma equipa de Cuba que, neste Mundial e nas derradeiras Ligas Mundiais, mostrou que é capaz do melhor e do pior. E as coisas até começaram da melhor forma para Portugal, com a formação norte-americana a ganhar os dois sets iniciais (25-17 e 25-22) e a fazer uma grande recuperação no terceiro parcial apesar da desvantagem de cinco pontos a 24-19, perdendo por 25-23 mas conseguindo uma nova remontada no quarto set, já com alguns suplentes em campo, que valeu a vitória por 27-25 e também a passagem da Seleção aos oitavos, onde irá agora defrontar a equipa da Bulgária, que ganhou o grupo E.

O conjunto búlgaro confirmou esta quarta-feira o apuramento na primeira posição depois do triunfo por 3-0 frente ao Chile (25-17, 25-12 e 25-12), a seleção mais frágil do grupo, e deixou a decisão do outro apurado para o duelo entre Eslovénia e Alemanha. Antes, a Bulgária tinha derrotado a formação germânica por 3-0 (40-38, 25-22 e 25-20), seguindo-se novo triunfo com os eslovenos na “negra” (25-19, 25-14, 18-25, 23-25 e 15-13). A equipa agora treinada pelo italiano Gianlorenzo Blengini tenta regressar aos pódios em grandes competições, depois de já ter sido medalhada em Jogos Olímpicos, Mundiais e Europeus.