“O nosso país perdeu uma das luzes mais brilhantes do seu tempo”. As palavras são do Presidente norte-americano na cerimónia de homenagem do ativista Charlie Kirk, morto a tiro a 10 de setembro durante um debate numa universidade nos EUA. Donald Trump foi o último a subir ao palco do estádio State Farm, após familiares de Kirk e membros da sua administração, para celebrar a vida do fundador da organização Turning Point USA. “É um mártir pela liberdade da América”, sublinhou.
A cerimónia arrancou pelas 16h (hora de Lisboa) num recinto com capacidade para 73 mil pessoas, que ficou com lotação esgotada. Donald Trump foi o último a subir ao palco, ao som de “God Bless the USA”. Começou por agradecer à viúva de Charlie Kirk e afirmar que há menos de duas semanas o ativista foi morto por um “monstro radicalizado e de sangue frio por dizer a verdade”. O líder norte-americano defendeu que Kirk foi “assassinado de forma violenta porque falava pela liberdade e por justiça por Deus, pela razão e pelo senso comum”.
Trump foi traçando alguns marcos da vida de Charlie Kirk: dos tempos do secundário como quarterback, ao conselho que seguiu para não enveredar pelo caminho da faculdade e ao salto de fundar uma “grande organização”, a Turning Point USA. “A principal decisão da vida dele foi tornar-se um seguidor de Jesus Cristo”, notou.
Pelo meio do discurso, o Presidente enveredou por outros temas. Partindo da ideia de que Kirk ajudou a unir o MAHA [“Make America Healthy Again”, em português “Tornar a América Saudável Outra vez”], prometeu para esta segunda-feira “um dos maiores anúncios médicos na história” do país. “Acho que encontrámos uma resposta para o autismo (…). O Charlie estaria na primeira fila. Sentiremos a falta dele amanhã”.
Este não foi o único desvio. Também falou sobre as tarifas “que estão a fazer-nos mais ricos do que nunca” e no ex-Presidente Joe Biden. “Lembram-se dos discursos, do ‘nós vamos parar o [movimento] MAGA. Ele mal conseguia pronunciar as palavras (…) Eu disse: ‘Alguém pode informá-lo de que MAGA significa tornar a América grande novamente. Como é que diz que vai impedir isso?’ E o Charlie entendeu isso”, afirmou. Ainda questionou “Todos amam o MAGA?” e fez uma menção implícita ao humorista Jimmy Kimmel, suspenso depois de comentários após a morte de Kirk. A imprensa norte-americana nota que na viragem política do discurso, o mais longo do evento, alguns participantes começaram a sair, muitas tendo chegado de madrugada.
Regressando a Charlie Kirk, o Presidente disse que o seu assassinato foi um ataque aos ideais conservadores: “A arma estava apontada a ele, mas a bala era para todos nós”. “Charlie foi morto por expressar as mesmas ideias nas quais praticamente todos nesta arena e na maioria dos outros lugares do país acreditam profundamente”, acrescentou.
O líder norte-americano terminaria a sua intervenção a celebrar a vontade de lutar de Kirk: “A lição da vida de Charlie é que nunca se deve subestimar o que uma pessoa pode fazer com um bom coração, uma causa justa, um espírito alegre e a vontade de lutar, lutar, lutar”. Antes disso, no que tem sido apontando como um contraste com a retórica do ativista morto a tiro, Trump sublinhou que odeia os seus rivais.
“Ele [Kirk] era um missionário com um espírito nobre e um grande, grande propósito. Ele não odiava os seus oponentes. Ele queria o melhor para eles. É aí que eu discordo do Charlie. Eu odeio o meu oponente e não quero o melhor para ele“, disse. “Sinto muito, Erika, agora a Erika pode vir falar comigo e com todo o grupo, e talvez eles possam convencer-me de que isso não está certo. Mas eu não suporto o meu oponente”.
Referindo-se ao assassino, Trump disse ainda que “se Deus quiser, receberá a punição completa e definitiva pelo seu crime horrível”, notando que é acusado de homicídio capital. A mensagem contrastou com a da viúva de Charlie Kirk, que disse ter perdoado Tyler Robinson. “Ele [Kirk] sabia que as coisas não estavam bem com a América, especialmente com os jovens, que eles precisavam uma nova direção. Ele queria salvar os rapazes perdidos do ocidente, os jovens que sentem que não têm direção, nenhum propósito ou razão para viver, a gastar as suas vidas em distrações e os homens consumidos pelo ressentimento e raiva”, elencou. “Charlie queria salvar jovens como aquele que lhe retirou a vida (…). Eu perdoo-o. Eu perdoo-o porque é aquilo que Cristo fez e é aquilo que Charlie faria. A resposta ao ódio não é o ódio”, sublinhou.
Ao subir ao palco do estádio State Farm, Erika Kirk foi recebida com uma ovação da multidão. Começou por recordar um discurso do marido naquele mesmo palco, anos antes, em que citou uma passagem bíblica sobre o total abandono a Deus. “Há 11 dias, Deus aceitou a rendição total do meu marido e chamou-o para o seu lado”.
Erika Kirk destacou que a “grande causa” do marido foi “tentar reavivar a família americana”. “Quando ele falava com os jovens, ele estava sempre ansioso para lhes contar a visão de Deus para o casamento e que se eles ousassem vivê-la, isso enriqueceria cada parte das suas vidas da mesma forma que enriqueceu a nossa”, recordou.
A mulher de Kirk garantiu que vai continuar o trabalho do marido, agora como CEO da organização por ele fundada. “Eu e o Charlie estávamos unidos num propósito. A paixão dele era a minha paixão e agora a missão dele é a minha missão. Tudo o que a Turning Point USA construiu com a visão e o trabalho árduo do Charlie, tornaremos dez vezes maior com o poder da sua memória”, assegurou. A nova líder da Turning Point USA acrescentou que os eventos nos campus das universidades vão continuar.
“A vida do Charlie foi um ponto de viragem para este país. Foi um milagre”, sublinhou. “Escolham a oração, escolham a coragem, escolham a beleza, escolham a aventura, escolham a família, escolham uma vida de fé. Acima de tudo, escolham Cristo”.
Também passaram pelo palco do estádio State Farm o filho do Presidente, Donald Trump Jr. e vários membros da sua administração: o vice-presidente JD Vance; a chefe de gabinete de Trump Susie Wiles; o secretário de Estado Marco Rubio; o Secretário da Defesa Pete Hegseth; o Secretário da Saúde Robert F. Kennedy Jr. A maior parte falou extensivamente da sua relação com a fé, descrevendo-o como um “grande líder” que “morreu da forma como viveu: a falar a verdade”.