A bordo do navio Família, a principal embarcação da flotilha humanitária que segue para Gaza, Mariana Mortágua partilhou na madrugada desta quarta-feira um vídeo, no qual surge com um colete salva-vidas vestido, a denunciar um novo ataque aos barcos com dezenas de ativistas.
“Esta noite foram registados cinco ataques a outros barcos que estão atrás de nós. Ataques por drones. Num caso foi lançado um dispositivo que acabou por cair no barco, no outro caso foi lançado um dispositivo com uma substância química que atingiu um dos barcos”, explicou. A líder do Bloco de Esquerda relatou ainda pelo menos uma explosão ouvida nos outros barcos: “Ouvimos um barulho, uma explosão e um flash de luz nos outros barcos”.
Mariana Mortágua lembrou que, como não poderia deixar de ser, toda “flotilha está em estado de alerta e com protocolo de segurança ativado”. “Sabemos que esta é, acima de tudo, uma estratégia de intimidação para tentar travar estes barcos com ajuda humanitária. Mas isto não vai acontecer. Nós estamos dentro do direito internacional, temos direito a uma passagem segura para levar ajuda humanitária. Estes são barcos que levam comida e medicamentos até Gaza”.
Por isso, pede aos seguidores que “fiquem alerta” e a pressionar o Governo, bem como o “governo de Israel” para “parar estes ataques” e travar uma “estratégia de intimidação”. Entre os desabafos, a bloquista garante: “Nós vamos levar a ajuda humanitária até Gaza”. Noutro dos vídeos partilhados nas redes sociais da bloquista, ouve-se uma conversa impercetível enquanto é filmada uma embarcação em alto mar. A certo momento, vê-se um clarão de luz e ouve-se uma explosão.
Além da deputada, que recentemente pediu suspensão das funções na Assembleia da República, seguem na flotilha os portugueses Miguel Duarte e Sofia Aparício. A 9 de setembro, o ativista português estava num dos barcos que foi atingido por drones: “Eu estava no convés de um dos navios que fazem parte da ‘Global Sumud Flotilla’ [GSF] para Gaza, quando ouvi o som de um drone que se aproximava da parte de trás do navio. Levantei-me, saí debaixo da cobertura onde me encontrava e vi um drone exatamente por cima da minha cabeça”, contou ao Observador.
Crítica de Mortágua assume lugar do BE no Parlamento até líder regressar de Gaza
Também a líder política chegou a descrever esse primeiro ataque. “Foi durante a madrugada que fomos informados deste ataque. Na prática, é um drone que se aproxima e que lança um dispositivo incendiário, que causa um incêndio no navio, que foi controlado. Poderia ter tido consequências mais graves. (…) O importante neste momento é deixar muito claro que neste navio se encontram apenas civis e ajuda humanitária, absolutamente mais nada, e que este navio tem bandeira portuguesa e tem um cidadão português a bordo”.
Esta quarta-feira, Mariana Mortágua enfatizou que “qualquer ataque que seja feito a este navio em águas internacionais é, em si, uma violação da lei internacional”. “Estamos bem, mas registamos os sucessivos ataques desta noite”.