Quatro mulheres, que acusam o influencer Andrew Tate de violação e agressão sexual, apresentaram queixa formal ao Independent Press Standards Organisation (órgão regulador da imprensa britânica) contra a revista The Spectator, após a publicação de uma entrevista aos irmãos Tate. Num comunicado, citado pelo The Guardian, as alegadas vítimas disseram estar “enojadas” com o texto assinado pelo diretor-adjunto Freddy Gray, que consideram “impreciso e enganador”.
As mulheres, que avançaram com um ação no Supremo Tribunal, criticaram o fato de o artigo publicado — com o título Like a cockroach, I refuse to die’: a meeting with the Tate brothers — não abordar as acusações que recaem sobre os irmãos Andrew e Tristan. “Estamos enojadas com esta entrevista com Andrew Tate e o seu irmão. São homens contra os quais as autoridades britânicas formalizaram 21 acusações por alegados crimes, incluindo violação, lesões corporais e tráfico de seres humanos”.
“Como é que a Spectator pode considerar apropriado entrevistar estes homens sem lhes fazer uma única pergunta sobre as acusações que pesam sobre eles?”.
Reino Unido: Andrew Tate e irmão acusados de 21 crimes de violação e tráfico humano
Matt Jury, o advogado das quatro supostas vítimas, acusou este meio de comunicação social, atualmente editado pelo antigo ministro conservador Michael Gove, de “glamourizar” os irmãos. “O artigo dá palco a uma narrativa distorcida, sem o mínimo de escrutínio crítico”, sublinhou.
Na peça publicada, Gray diz que a “BBC e os pais burgueses de todo o mundo” caracterizam os irmãos como “os mais infames, as bestas mais vis da machoesfera, rentabilizadores da misoginia e principais divulgadores de ódio da extrema-direita”. E pergunta: “Será que os Tate são assim tão maus?“.
O jornalista, que viajou para Bucareste para realizar a entrevista, acrescenta: “Eles ainda enfrentam várias acusações criminais, as suas casas foram repetidamente alvo de rusgas e já passaram tempo na prisão, mas negam qualquer irregularidade e ainda não foram considerados culpados de nada”.
“O grande processo romeno parece ter estagnado, depois de um juiz ter considerado que as provas não eram suficientemente fortes para ir a julgamento e os irmãos terem entrado com uma ação nos Estados Unidos contra uma mulher que, alegam, conspirou para difamá-los. Os Tate estão confiantes de que a queixa será aceite e que todas as outras acusações desaparecerão. Talvez eu seja ingénuo, ou toxicamente masculino, mas não consigo deixar de acreditar neles”.
Na queixa submetida ao órgão regulador da imprensa britânica, o advogado das mulheres contesta a forma como o processo criminal na Roménia foi descrito, garantindo que os registos judiciais mostram que o processo foi devolvido aos procuradores devido a irregularidades processuais e probatórias na acusação, e não por falta de provas, como referido no artigo. As acusações, insiste, “permanecem ativas e por resolver“.
No comunicado feito pelas alegadas vítimas e o respetivo advogado, é também feita uma crítica à revista pela reprodução, sem qualquer visão crítica, das alegações dos irmãos de que teriam sido “incriminados” pelas autoridades romenas por terem rejeitado uma propostas no valor de 42 milhões de euros por parte de uma empresa de relações públicas para “pararem de divulgar” as suas opiniões.
As quatro mulheres criticam ainda a omissão, no artigo, da referência à ordem de extradição para o Reino Unido, pedida em 2024 e aprovada pelos tribunais romenos, o que, dizem, “deixa os leitores com uma ideia incompleta e enganadora sobre a gravidade e o alcance da situação”. De acordo com as autoridades, a extradição ficará suspensa até à conclusão do processo romeno.
No Reino Unido, Andrew Tate enfrenta dez acusações de três alegadas vítimas, incluindo violação, tráfico humano e lenocínio. Já Tristan Tate responde por 11 acusações, ligadas a uma alegada vítima, também por crimes de violação, violência e tráfico de seres humanos.