Durante cerca de dois anos, um homem drogava a mulher para a manter inconsciente e convidava outros homens, através de um site de encontros sexuais, a deslocarem-se a casa do casal para a violarem e abusarem sexualmente dela. Depois dos encontros, pedia-lhes que deixassem avaliações positivas no site, com o objetivo de atrair mais participantes. O caso está a ser julgado no Tribunal da Coroa de Manchester, no Reino Unido, onde nove homens, entre os 28 e os 70 anos, são acusados de participar nos abusos ou de incentivar os crimes, noticiou o jornal The Guardian.

O marido, na casa dos 60 anos e residente em Stockport, na região de Greater Manchester, já se declarou culpado de mais de 60 crimes contra a mulher, incluindo violação e abuso sexual, cometidos ao longo de cerca de 20 anos. O caso foi descoberto em outubro de 2025, depois de jornalistas infiltrados num grupo da aplicação Telegram terem tido acesso a mensagens e imagens relacionadas com os abusos.

Segundo a acusação, o homem — que não pode ser identificado para proteger a identidade da vítima — começou por abusar da mulher sozinho, pelo menos desde 2004, e passou a envolver outros homens nos crimes a partir de 2023. Os abusos terão continuado até à sua detenção, em 2025.

Durante uma audiência realizada esta quarta-feira, a procuradora Louise Oakley explicou que o marido utilizava o site FabSwingers para contactar homens e convidá-los a irem à casa do casal para terem relações sexuais com a mulher, sem que esta tivesse consciência do que estava a acontecer.

Um dos homens acusados, Mohammed Sabir, de 28 anos, foi à casa do casal na madrugada de 9 de fevereiro de 2025, depois de ter sido contactado pelo marido da vítima. Na mesma noite, outro arguido, Philip Wild, de 59 anos, também terá abusado sexualmente da mulher enquanto esta estava inconsciente.

A acusação apresentou aos jurados filmagens que mostram Sabir a violar a vítima, que estava a dormir e a ressonar, no quarto.

Depois do encontro, o marido pediu a Sabir que deixasse uma avaliação positiva no site, de forma a atrair outros homens interessados em ter relações sexuais com uma mulher que não tinha conhecimento do que se passava. “Foi muito fácil combinar o encontro. Foi a primeira vez que tive relações sexuais com a mulher de outra pessoa à frente dele, por isso, obrigado. Espero voltar a encontrar-vos em breve“, escreveu, na altura, Sabir.

A procuradora comparou a avaliação a uma crítica deixada em aplicações como o Tripadvisor, explicando que o marido pretendia utilizar os comentários para conseguir novos contactos.

Outro dos arguidos, Jonathan Kirk, de 43 anos, é paramédico e terá ido a casa do casal em agosto de 2025. Antes da visita, enviou uma mensagem a um amigo a dizer: “Estou a portar-me mal“. Segundo a acusação, o homem já tinha visto fotografias da mulher inconsciente e a ser abusada antes de se ir lá a casa.

“Enquanto paramédico, não podia deixar de perceber que ela não estava consciente. Tem formação para identificar esse estado”, afirmou a procuradora, acrescentando que o arguido sabia que a mulher não podia consentir no ato.

Entre os nove homens que estão a ser julgados encontram-se ainda Jordan Wallace, Alan Keelan, Robert Stewart, David Graves, Daniel Rayner e Richard Townsend, nota o jornal The Telegraph. Alguns são acusados de terem participado diretamente nos abusos e outros respondem por crimes relacionados com a organização ou incentivo dos ataques através da internet.

Além do marido, outros quatro homens já se declararam culpados de crimes contra a mesma vítima. Os restantes arguidos negam as acusações que lhes são imputadas e o julgamento continua nos próximos dias.

Violada 100 vezes por 80 homens a mando do marido. O caso de Gisèle Pelicot que chocou França

O caso apresenta semelhanças com o de Gisèle Pelicot, cujo marido a drogava e convidava outros homens a violá-la enquanto estava inconsciente. O processo francês tornou-se um dos casos mais mediáticos de violência sexual na Europa.

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