Ursula von der Leyen admitiu, em entrevista à CNN,  que os países da União Europeia podem abater aviões ou drones que invadam o espaço aéreo europeu. Em declarações à margem da Assembleia Geral da ONU esta quinta-feira, 25 de setembro, a presidente da Comissão Europeia comentou o tema. “Não sou da NATO, mas tenho uma opinião pessoal”, começou por dizer Von der Leyen. “A minha opinião é de que temos de defender cada centímetro quadrado do território. E isso significa que se houver uma intrusão do espaço aéreo, depois de avisar, depois de ser muito claro, é claro que a opção de abater um caça que esteja a invadir o nosso espaço aéreo está em cima da mesa.”

As declarações vêm depois do secretário-geral da NATO, Mark Rutte, afirmar que os países da aliança atlântica poderão abater drones e aviões russos se for necessário, no seguimento de caças norte-americanos abaterem aviões russos perto do Alaska. “Se for necessário. Concordo totalmente com o presidente Trump: se for necessário”, disse Rutte, citado pela Reuters, em entrevista no programa “Fox & Friends” da Fox News, quando questionado sobre se concordava com as palavras do Presidente norte-americano — que tinha defendido que os países da NATO deveriam abater os aviões e drones russos que violassem os seus espaços aéreos.

A posição já havia sido defendida pela NATO nos últimos dias. Na terça-feira, dia 23, depois de drones de origem desconhecida na Dinamarca e de russos terem violado o espaço aéreo da Estónia, a Aliança emitiu um comunicado a condenar fortemente a incursão “perigosa” da Rússia, garantindo que esta “faz parte de um padrão mais abrangente de comportamento crescentemente irresponsável“.

“A Rússia tem a total responsabilidade por estas ações, que são de escalada, arriscam cálculos errados e põem vidas em risco. Têm de parar”, lê-se no comunicado. Os aliados frisam que vão reforçar as suas capacidades, incluindo a defesa aérea, e que a Rússia não deve “ter dúvidas”: “A NATO e os seus aliados usarão, de acordo com a lei internacional, todas as ferramentas militares e não militares necessárias para se defender e travar todas as ameaças de todas as direções. Vamos continuar a responder da forma e timing que escolhermos. O nosso compromisso com o artigo 5.º [que prevê defesa mútua entre os aliados] é de ferro”.

A Rússia tem negado qualquer responsabilidade nestes incidentes.