Uma nova violação do espaço aéreo europeu e de aliados da NATO veio pôr a Aliança em alerta, com avisos redobrados de cuidado dirigidos à Rússia. Depois de durante a noite de segunda-feira os aeroportos de Copenhaga e de Oslo terem sido encerrados por algumas horas devido ao aparecimento de drones de origem desconhecida, e dias depois de a Rússia ter violado o espaço aéreo da Estónia, a NATO em peso veio reagir e garantir que está pronta para “defender cada pedaço de território aliado”.

Com os seus embaixadores reunidos na sede da NATO, em Bruxelas, para se pronunciarem sobre a violação do espaço aéreo estónio, a Aliança emitiu um comunicado em que condena fortemente a incursão “perigosa” da Rússia, garantindo que esta “faz parte de um padrão mais abrangente de comportamento crescentemente irresponsável“.

“A Rússia tem a total responsabilidade por estas ações, que são de escalada, arriscam cálculos errados e põem vidas em risco. Têm de parar”, lê-se no comunicado citado pelo The Guardian. Os aliados frisam que vão reforçar as suas capacidades, incluindo a defesa aérea, e que a Rússia não deve “ter dúvidas”: “A NATO e os seus aliados usarão, de acordo com a lei internacional, todas as ferramentas militares e não militares necessárias para se defender e travar todas as ameaças de todas as direções. Vamos continuar a responder da forma e timing que escolhermos. O nosso compromisso com o artigo 5.º [que prevê defesa mútua entre os aliados] é de ferro”.

“Os aliados não serão travados por estes e outros atos irresponsáveis russos na sua defesa da Ucrânia, cuja segurança contribui para a nossa”, lê-se ainda no mesmo comunicado.

Ao mesmo tempo, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, protagonizava uma conferência de imprensa a propósito da agressão na Estónia, defendendo a ação da NATO — “respondeu de forma rápida e decidida“, escoltando os três caças russos para fora do espaço aéreo da Aliança — e assegurando: “Estamos prontos e dispostos a continuar a defender cada pedaço de território aliado”, contra “qualquer ameaça”.

Questionado repetidamente pelos jornalistas ali presentes sobre se as incursões russas significam que o poder dissuasor da NATO não está a ser suficiente nem intimida Vladimir Putin, Rutte defendeu que cada ameaça será avaliada “em tempo real”, não excluindo abater aviões russos se vier a ser preciso. Neste caso, explicou, os caças não chegaram a representar uma “ameaça imediata” — e no caso da Dinamarca é “demasiado cedo” para determinar se a Rússia foi responsável pela entrada no espaço aéreo alheio, desta vez com drones.

A Rússia veio, de resto, negar que tenha tido responsabilidade pelo sucedido: “Ouvimos acusações sem fundamento da parte deles, todas as vezes”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, numa conferência de imprensa em que sugeriu que um país “sério e responsável” não deve repetir acusações infundadas “uma e outra vez”. As declarações foram citadas pelo Copenhagen Post.

Ainda assim, Rutte quis defender a “determinação calma” com que a NATO está a reagir e assegurou aos jornalistas: “Somos uma aliança defensiva, mas não somos ingénuos. A nossa mensagem para os russos é clara: vamos defender cada pedaço de território aliado. Se isto não for intencional, é incompetência flagrante” e uma atitude “irresponsável”.

Já na tarde de terça-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, reagiu nas suas redes sociais sobre o caso da Dinamarca e não poupou nos avisos: “Apesar de os factos estarem a ser investigados, é claro que estamos a testemunhar um padrão de contestação persistente nas nossas fronteiras. As nossas infraestruturas críticas estão em risco. E a Europa vai responder a esta ameaça com força e determinação”.

Antes, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, tinha alertado para a ameaça inédita a infraestruturas críticas dinamarquesas e avisado que esta é uma “mudança perturbadora” no paradigma europeu: “Violações russas do espaço aéreo. Atividade não desejada de drones em vários países europeus. A noite passada foi um lembrete claro do tempo que vivemos. Precisamos de proteger a nossa paz e segurança”.