O Partido Ação e Solidariedade, pró-europeu, venceu as eleições legislativas deste domingo na Moldávia, por larga margem. Com mais de 99% dos votos contados, o partido — da atual presidente Maia Sandu — surge na frente com 50% dos votos. Distante, aparece o Bloco Patriótico, pró-Rússia, com cerca de 24% dos votos, segundo o site da Comissão Eleitoral da Moldávia.

Com a esmagadora maioria dos votos o Partido Ação e Solidariedade (PAS) deverá revalidar a maioria que detém no parlamento moldavo. Há quatro anos, o PAS obteve quase 53% dos votos e 61 dos 101 lugares do parlamento em Chisinau.

Desta vez, e à semelhança do que já tinha acontecido em 2021, o PAS venceu nos círculos eleitorais do centro do país, onde se localizam os maiores centros urbanos, nalguns casos com mais de 65% dos votos. Já o Bloco Patriótico venceu nas zonas com maior concentração de população russófona. Na Transnístria, onde a maioria da população é russa, o bloco que junta partidos socialistas e comunistas conseguiu recolher mais de 50% dos votos, muitos à frente do PAS.

Cerca de 52% dos eleitores registados, quase 1,6 milhões de pessoas, exerceram o direito de voto nestas eleições, segundo a Comissão Eleitoral da Moldávia. Quase 264 mil pessoas votaram nas secções de voto estrangeiro, onde este domingo se registaram vários incidentes, como várias falsas ameaças de bomba — que obrigaram inclusivamente à evacuação da embaixada moldava em Bruxelas.

Moldávia: Acusações mútuas de ingerência marcam legislativas. Várias ameaças de bomba em secções de voto na Europa

As eleições deste domingo na Moldávia — que muitos analistas consideram as mais importantes da história do país — vão definir se esta república do leste da Europa continua a aproximação à União Europeia ou regressa à esfera de influência da Rússia. O bloco pró-europeu e o bloco pró-russo têm trocado acusações de manipulação e tentativa de sabotagem nas eleições, com o Governo moldavo a denunciar uma “profunda ingerência” de Moscovo, através de compra de votos, campanhas de desinformação e perturbação da votação.

Líderes europeus saúdam vitória do PAS

A vitória do partido moldavo mais pró-União Europeia valeu celebrações das principais figuras da UE.  A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que escreveu na rede social X: “Moldávia, vocês conseguiram novamente“.

“Nenhuma tentativa de semear o medo ou a divisão conseguiu abalar a vossa determinação. Vocês deixaram clara a vossa escolha: Europa. Democracia. Liberdade“, lê-se ainda na publicação de Von der Leyen, onde deixa claro que a “porta está aberta” para o país.

Já António Costa, presidente do Conselho Europeu, disse que “o povo da Moldávia” se tinha pronunciado e que a sua “mensagem” era “clara e inequívoca”.

“Perante a pressão e a interferência da Rússia, optaram pela democracia, pela reforma e por um futuro europeu”, sublinhou Costa. “A UE está ao lado da Moldávia. Em cada passo do caminho”, disse ainda.

Já Roberta Metsola, presidente do Parlamento Europeu, afirmou que “o futuro da Moldávia está na Europa” na rede social X. “Neste passo histórico, o povo da Moldávia escolheu o caminho da democracia, da esperança e das oportunidades”, acrescentou.

Vários líderes de países da UE deixaram o seu apreço pela vitória do PAS nestas eleições. Na mesma rede social X, Emmanuel Macron, Presidente francês, apontou que “a vontade do povo moldavo” tinha prevalecido apesar das “tentativas de interferência e de pressão”, deixando o apoio francês no “projeto europeu” do país.

Já Donald Tusk, primeiro-ministro polaco, apontou o dedo diretamente à Rússia numa publicação sua, frisando que a Moldávia “impediu” o país “nas suas tentativas de assumir o controlo de toda a região”, algo que disse ser “uma boa lição para todos nós”.

“Foi necessária muita coragem por parte da nação moldava e de Maia Sandu pessoalmente para vencer estas eleições”, escreveu o polaco, apontando ainda que a Moldávia “salvou a democracia e manteve o rumo europeu”.

Falando numa conferência em Varsóvia apresentada pro Tusk, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que a vitória na Moldávia significava que a “ideia da Europa” tinha vencido, elaborando que signficava um “desenvolvimento nacional normal e estável”.

“A Rússia não conseguiu desestabilizar a Moldávia, mesmo depois de gastar enormes recursos para miná-la e corromper quem pudesse”, continuou o ucraniano, citado pelo The Guardian, dizendo ainda que a “influência subversiva da Rússia não se vai espalhar mais na Europa”.

Atualizada às 9h51 com novos resultados e reações europeias