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Engenheiro, vive em Amesterdão e não quis ficar em silêncio: Diogo Chaves, o português que ninguém sabia que ia na flotilha para Gaza

Este artigo tem mais de 6 meses

Seguia viagem na delegação holandesa e apresenta-se como um "marinheiro, estudante e cidadão normal". Família espera com "apreensão" a deportação de Diogo e está em contacto com o cônsul português.

O irmão gémeo de Diogo Chaves diz ainda que "não sabe quando é previsível que seja deportado"
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▲O irmão gémeo de Diogo Chaves diz ainda que "não sabe quando é previsível que seja deportado"

@diogo.acmc no Instagram

▲O irmão gémeo de Diogo Chaves diz ainda que "não sabe quando é previsível que seja deportado"

@diogo.acmc no Instagram

Só na manhã desta quinta-feira, já depois de os barcos terem sido intercetados e mais de 500 ativistas terem sido detidos pelas autoridades israelitas, é que se soube que estavam não três — Mariana Mortágua, Sofia Aparício e Miguel Duarte — mas quatro portugueses a bordo da Global Sumud Flotilla a caminho de Gaza. O quarto português é Diogo Arriaga e Cunha de Matos Chaves e foi o seu irmão gémeo, Duarte Chaves, que alertou o Ministério dos Negócios Estrangeiros e a Embaixada de Israel para a presença do familiar, de nacionalidade portuguesa, na comitiva.

“Quando percebi que eles tinha intercetados, mas continuava a ouvir a informação de que eram três os cidadãos nacionais a bordo, decidi avisar”, contou ao Observador, negando qualquer pendor político associado à participação do irmão.”É a primeira vez que ele fez algo deste género. Nunca tinha feito nada parecido e não tem nenhuma associação política, nem de esquerda nem de direita”, acrescentou.

Refere ainda que o irmão não estaria em contacto com os restantes membros portugueses da flotilha. “Ele não tem nenhuma associação, não conhece a Mariana Mortágua, nem acho que defenda o seu partido ou as suas ideias”, acrescentou.

O gémeo de Diogo Matos Chaves revela que o irmão tem 39 anos, vive em Amesterdão e é engenheiro aeroespacial. Neste momento é estudante de doutoramento na sua área de formação e juntou-se à flotilha a partir de Itália, integrando a delegação holandesa. “Daí não ter sido tão noticiado, porque ele não partiu de Lisboa”, justificou.

O português voluntariou-se para a missão e juntou-se a ela a título individual. “Ele foi skipper (capitão de um barco) num passado recente, trabalhava como tripulante  de barcos grandes. E sentiu que podia ajudar desta forma“, explica Duarte Chaves. Juntou-se “por sentir um chamamento forte por não concordar com a forma como Israel estava a fazer as coisas” e pela “morte de tantas pessoas na Palestina”. Por outro lado pelo facto de ter este conhecimento técnico, sentindo que podia ajudar desta forma”, reiterou o irmão.

Apesar de a sua presença na flotilha não ser conhecida em Portugal, não era segredo que tinha ingressado nela, garante o irmão. Há poucos dias, a 29 de setembro, o Movimento Global para Gaza nos Países Baixos partilhou mesmo no Instagram um vídeo de apresentação do português. “Não sou um ativista de longa data, sou um marinheiro, um estudante, um cidadão normal e alguém que simplesmente não conseguiu ficar em silêncio mais tempo confrontado com tanto sofrimento evitável”, diz Diogo em inglês no vídeo.

“Acredito que a vida humana tem valor e que as pessoas, em todos os lugares, merecem viver sem ser bombardeadas, deixadas à fome ou esquecidas. Estou aqui porque quero atuar de uma forma que eu sinta que tem algum significado”, acrescentou, defendendo que estava a participar numa missão pacífica que transmite uma “mensagem com muita força de que o mundo está a ver e que não vamos deixar isto acontecer em silêncio”.

“Sei que há riscos, mas também sei que não fazer nada acarreta outro tipo de riscos: o risco de ficar dormente”, afirmou ainda.

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“Estamos a aguardar com alguma apreensão e esperamos que haja uma deportação rápida”

Diogo Chaves correu esse risco e agora é um dos 500 ativistas detidos por Israel. Viajava no barco SNAP no início da viagem até Gaza, mas acabou por passar para o Selvaggia. “Estou em direto do Mar Mediterrâneo, estão a acontecer interceções neste preciso momento. Nós ainda não fomos intercetados”, referiu num direto no Instagram em que se vê pouco, só poucas luzes no meio do escuro da noite.

Pouco depois, o seu barco era intercetado pelas autoridades israelitas, e tal como os restantes tripulantes, foi detido, como confirmou esta quinta-feira o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

“Tenho estado em contacto com o cônsul português em Telavive e o que ele disse foi que eles seriam transportados para uma prisão, porque não cabiam no porto“, disse Duarte. “Neste momentos estão a ser transportados e eventualmente amanhã, se tudo correr bem, [as autoridades portuguesas] já conseguiriam falar com eles”, relatou ainda ao Observador.

O irmão gémeo de Diogo Chaves diz ainda que “não sabe quando é previsível que seja deportado”. “Os feriados vão atrasar”, admite, referindo Yom Kippur, feriado sagrado do judaísmo que se celebra esta quinta-feira e o dia de descanso semanal ao sábado, o Shabbat.

Sobre o destino do irmão, diz que a informação que recebeu do próprio, antes de ser detido, era de que “seria em princípio deportado para Portugal”. Mesmo assim, na altura não avisou as autoridades portuguesas.

“Estamos a aguardar com alguma apreensão como é que as coisas vão decorrer, e esperamos que haja uma deportação rápida e que não aconteça nada demais”, apelou, falando em nome de toda a família.

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