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Alexandra Leitão foi travada, quando tentava sair de carro do Museu do Design (MUDE), após o debate de quinta-feira, por dezenas de manifestantes que protestavam contra Israel após a detenção dos membros da flotilha humanitária que seguia em direção a Gaza.
“Não é assim que se resolve”, disse a candidata à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, depois de se tentar dirigir aos manifestantes, que eram algumas dezenas. Entretanto, chegaram vários elementos da PSP que encaminharam a socialista de volta ao interior do edifício.
Em declarações à RTP3, ainda na noite de quinta-feira, Alexandra Leitão disse que lhe foi dada indicação de que a situação no exterior do MUDE “estaria mais ou menos controlada” – mas, ao sair em direção ao automóvel, acabou rodeada de manifestantes.
Tentei chegar ao carro e houve ali algumas pessoas que se juntaram à volta e eu entendi por bem voltar para trás à espera de poder passar com o carro, mais nada”, justificou.
A candidata socialista acrescentou que não se sente “particularmente visada” pelos apoiantes da causa palestiniana. “Simplesmente, o carro estava bloqueado, não conseguia avançar e achei que estava melhor aqui dentro [no interior do museu] do que no carro à espera de passar”, indicou.
Uma porta-voz da PSP de Lisboa disse mais tarde à Lusa que “não houve necessariamente um bloqueio” à saída dos participantes no debate. A polícia “garantiu que cada um dos candidatos saía do edifício de acordo com as condições” e através da “aplicação de medidas de segurança”, acrescentou a mesma fonte.
Centenas de polícias em protesto não autorizado junto ao Capitólio
No dia 2 de outubro, realizou-se uma manifestação em solidariedade com o povo palestiniano e com os ativistas da Flotilha da Paz, detidos pelo Estado de Israel. Embora a iniciativa tivesse sido comunicada para decorrer em frente à Embaixada de Israel em Lisboa, os manifestantes acabaram por ocupar várias vias de trânsito, dirigindo-se à Baixa Pombalina, com destino ao edifício do MUDE, onde se realizava o debate entre os candidatos às eleições autárquicas do município de Lisboa.
Em resposta ao Observador, fonte oficial da PSP diz que “após esta ocorrência, e tendo em conta a reavaliação da situação pela quase totalidade dos candidatos, foi delineado um plano alternativo que possibilitou a sua saída por uma via distinta, eliminando qualquer hipótese de constrangimento ou limitação por parte dos manifestantes”, informa a PSP.
“Apesar do caráter ilícito da manifestação”, a PSP diz ter adotado um “dispositivo policial adequado ao cenário imprevisível, com o objetivo de assegurar a tranquilidade pública, a segurança de automobilistas e transeuntes, a integridade física de manifestantes e agentes policiais, bem como o normal decorrer do debate”. “Estes objetivos foram plenamente alcançados, não se tendo registado incidentes“, revela a força policial.
“Com a aproximação do final do debate, foi estabelecido contacto com a organização do evento, no sentido de informar os candidatos acerca do contexto da manifestação”, revela ainda. Foi ainda transmitido que a PSP se encontrava “disponível para prestar apoio à saída dos candidatos do MUDE, ficando tal decisão ao critério de cada um”. “Alguns candidatos solicitaram acompanhamento policial, enquanto outros, entre os quais a Dr.ª Alexandra Leitão, optaram por sair sem escolta”, revela ainda.
A última campanha eleitoral em Portugal, para as legislativas de 2024, também ficou marcada por uma perturbação dos debates transmitidos pela televisão – no caso que ficou conhecido como o “cerco ao Capitólio”.
A 19 de Fevereiro, centenas de polícias concentraram-se junto ao cineteatro Capitólio, onde estava a decorrer um debate entre os dois principais candidatos a primeiro-ministro nas legislativas de 10 de março, Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos, depois de uma concentração que juntou na Praça do Comércio cerca de três mil manifestantes da PSP e da GNR.
Em dezembro, foi noticiado que a PSP tinha arquivado 39 dos 43 processos disciplinares abertos a polícias que participaram na concentração espontânea junto ao cineteatro Capitólio, durante o debate eleitoral para as eleições legislativas. Entre os processos disciplinares instaurados pela PSP para apurar o eventual envolvimento de polícias no protesto, cuja realização não foi comunicada, bem como a responsabilidade disciplinar, a Polícia de Segurança Pública afirmou que 39 tinham sido arquivados, continuando quatro deles abertos, mas ainda sem decisão.