Dezenas de manifestantes interromperam este sábado a circulação de comboios na estação do Rossio, em Lisboa, numa ação de protesto que impediu alguns passageiros de embarcar e levou à intervenção da polícia para dispersar a multidão. Um dos manifestantes ficou gravemente ferido depois de ter subido a uma carruagem e ter sido eletrocutado.
O protesto em solidariedade com os ativistas da flotilha Global Sumud, que foram detidos pelas autoridades israelitas, estava previsto seguir em marcha lenta da praça do Martim Moniz até à praça do Rossio. Ao longo da tarde, cerca de três mil de pessoas participaram no protesto, de forma pacífica, de acordo com dados da PSP à agência Lusa. Ao final da tarde, depois da chegada ao Rossio, um grupo de dezenas de participantes entrou na estação do Rossio e sentou-se no cais, tentando impedir a partida dos comboios.
Um manifestante de 22 anos sofreu queimaduras de 3.º grau depois de ter subido a uma carruagem de comboio. Segundo relatou ao Observador fonte dos Sapadores de Lisboa, o jovem subiu a uma carruagem e tocou na catenária, sendo imediatamente eletrocutado. Foi levado para o Hospital de São José com ferimentos considerados graves.
Além dos Sapadores e do INEM, a PSP também esteve presente nos protestos com uma presença musculada, com membros do Corpo de Intervenção a fazerem um cordão de segurança para isolarem os manifestantes do resto dos passageiros. Fonte oficial da PSP detalhou ao Observador que não há registo de desacatos entre autoridades e manifestantes e destacou que não foi necessário usar a força para “retirar os manifestantes”.
Vários dos participantes explicaram ao Observador que já estavam a desmobilizar da estação do Rossio quando se aperceberam que o jovem tinha sido eletrocutado. Alguns indicaram que iriam seguir em marcha até à praça Marquês de Pombal, mas o Observador sabe que a PSP indicou aos manifestantes que se deveriam manter na praça do Rossio, por fazer parte do percurso autorizado da manifestação, o que acabou por acontecer.
Uma das manifestantes declarou à RTP que a decisão de invadir a estação não foi planeada e que ocorreu “de forma orgânica” no final da marcha. “Foi de forma individual que os outros se juntaram. Ninguém estava barricado dentro dos comboios”, afirmou.
O grupo manteve-se ainda durante algum tempo em protesto, de forma pacífica, na praça do Rossio. A organização anunciou que está já a marcar uma nova manifestação e os participantes acabaram por desmobilizar.