O cabeça de lista do Volt à Câmara de Lisboa disse esta segunda-feira que a cidade precisa de enfrentar o problema da integração de imigrantes, defendendo o ensino da língua portuguesa e a criação de centros de alojamento temporário.

“O Volt foi um dos partidos que denunciou junto da Câmara a existência de locais onde residiam pessoas em condições desumanas e as autoridades competentes não fizeram nada, incluindo a própria Câmara Municipal de Lisboa que tem algumas ferramentas ao seu dispor para agir e não agiu”, afirmou o candidato José Almeida, em declarações à agência Lusa.

Numa ação de campanha para as eleições autárquicas de domingo, o cabeça de lista do Volt à Câmara de Lisboa manifestou-se preocupado com a forma como é abordado o tema da imigração “por algumas forças políticas”, ao associarem imigrantes a criminalidade: “Isso vai criar na comunidade uma ideia errada, quando todas as estatísticas, como têm sido provadas, [demonstram que] muitas vezes a criminalidade nem sequer está focada nos imigrantes.”

“A imigração não é algo que deve ser demonizado como se faz hoje em dia”, reforçou, lembrando que Portugal é também um país de emigrantes, com portugueses espalhados pelo mundo.

Defendendo uma política articulada de integração de imigrantes em Lisboa, José Almeida propôs o reforço do ensino da língua portuguesa para combater “uma série de exclusões”, incluindo no acesso ao emprego e aos serviços públicos.

O Volt quer também aumentar a fiscalização dos espaços habitacionais e comerciais, para acabar com as situações indignas de acolhimento de imigrantes, e criar centros de alojamento temporário, através do aproveitamento de imóveis municipais devolutos, referindo que há na Estrada de Chelas, em Marvila, um edifício camarário desocupado desde 2016.

No arranque da segunda e última semana de campanha eleitoral, José Almeida esteve na freguesia do Lumiar, onde contactou com transeuntes, moradores e comerciantes. Além da candidatura à Câmara de Lisboa, apresentou-se como candidato à presidência da Junta de Freguesia do Lumiar, assegurando que está “empenhadamente a trabalhar para os dois órgãos autárquicos”.

Numa paragem de autocarro perto da estação de metro do Lumiar, o candidato entregou os folhetos do Volt — partido que não tem atualmente representação em órgãos autárquicos em Lisboa — e recebeu como resposta o pedido para “que seja melhor” que o atual presidente da Junta de Freguesia do Lumiar, Ricardo Mexia (PSD), que se recandidata ao cargo.

“Prometo tentar ser melhor do que este presidente”, assumiu José Almeida, tendo o morador do Lumiar cantado uma música das Bombocas: “Eles são todos iguais, eles são todos iguais, não acredito em nenhum. Eles são todos iguais, no céu ou no inferno, venha o diabo e escolha um.” “Qual é que será o melhor?”, interrogou.

Pelos cafés e pastelarias, ouviu queixas quanto à freguesia do Lumiar, sobretudo relacionadas com o “trânsito caótico” após as obras na Rua Professor Manuel Valadares e a gestão do lixo, propondo “novos contentores inteligentes” e “reduzir os impostos relacionados com a taxa de resíduos urbanos”.

Apresentando-se como “nascido e criado” no Lumiar, José Almeida ia dando a conhecer às pessoas o partido Volt, fundado em 2020, acrescentando que tem “uma candidatura progressista e europeísta”.

“O Volt ainda é desconhecido. […] é difícil as pessoas conhecerem-nos. Nós não temos a cobertura mediática que outras forças políticas têm”, expôs, considerando que isso “acaba por enviesar um bocadinho o jogo democrático”.

Concorrem à presidência da Câmara de Lisboa nas eleições autárquicas de domingo Carlos Moedas (PSD/CDS-PP/IL), Alexandra Leitão (PS/Livre/BE/PAN), João Ferreira (CDU-PCP/PEV), Bruno Mascarenhas (Chega), Ossanda Líber (Nova Direita), José Almeida (Volt), Adelaide Ferreira (ADN), Tomaz Ponce Dentinho (PPM/PTP) e Luís Mendes (RIR).