1245kWh poupados 1245 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

Maioria de homens sunitas, só 4% de mulheres e dois cristãos: primeiras eleições pós-Assad revelam baixa representatividade de minorias

Este artigo tem mais de 1 ano

Primeiras eleições após 54 anos de poder dos Assad colocaram uma maioria de homens sunitas no Parlamento sírio, só 4% de mulheres e dois cristãos. E Al-Sharaa escolhe 70 dos 210 deputados.

epa12081471 French President Emmanuel Macron (not pictured) receives Syrian interim President Ahmed al-Sharaa at the Elysee Palace in Paris, France, 07 May 2025.  EPA/MOHAMMED BADRA
i

▲Ahmed al-Sharaa tomou o poder na Síria em 29 de janeiro deste ano, quando foi nomeado presidente interino após a queda de Bashar al-Assad em dezembro de 2024. Liderou o principal movimento rebelde que derrubou o antigo regime

MOHAMMED BADRA/EPA

▲Ahmed al-Sharaa tomou o poder na Síria em 29 de janeiro deste ano, quando foi nomeado presidente interino após a queda de Bashar al-Assad em dezembro de 2024. Liderou o principal movimento rebelde que derrubou o antigo regime

MOHAMMED BADRA/EPA

É praticamente um parlamento “revolucionário”, o que resulta das eleições históricas de domingo na Síria. No primeiro sufrágio após o fim reinado de 54 anos da família Assad, a Assembleia Popular — órgão que assegura a legislatura na transição do poder dinástico para os “rebeldes” que destituíram Bashar al-Assad — venceu uma maioria muçulmana sunita do país que lutou durante os anos da revolução.

Num processo eleitoral em que não houve voto direto mas “colégios eleitorais” a escolher os deputados para dois terços (140) dos 210 lugares  e o Presidente interino Ahmed al-Sharaa vai nomear os restantes 70 lugares, os resultados revelam a baixa representatividade das mulheres e minorias do país. Só 4% dos 119 membros escolhidos no voto indireto foram mulheres e há apenas dez parlamentares de minorias étnicas e religiosas — só dois cristãos foram eleitos, tal como apenas dois alauitas (ramificação xiita, a que pertence Assad) — , anunciou na segunda-feira o porta-voz do Comité Supremo para as Eleições Populares, em conferência de imprensa. Números que têm suscitado críticas sobre a falta de inclusão no processo, o que foi, de certo modo, admitido por Nawar Najmeh.

A percentagem de mulheres no parlamento “não é proporcional ao status das mulheres na sociedade síria e ao seu papel na vida política, social e económica”, referiu o porta-voz, citado pela agência de notícias Reuters. Por outro lado, considerou a representação cristã “fraca, tendo em conta a proporção de cristãos na Síria.” Realçou, no entanto, que 4% dos lugares serão ocupados por pessoas com deficiência e feridos durante os quase 14 anos de guerra civil durante o regime Assad.

Najmeh diz, contudo, que as eleições foram justas e transparentes, apesar de reconhecer que limitações nos dados da população afetaram a distribuição de lugares para várias regiões. Aliás, em algumas zonas do país, onde vivem os curdos e os drusos, os eleitores não foram às urnas, já que não são controladas pelo atual governo, e vivem sob alguma instabilidade. Não serão assim ocupados 21 assentos da Assembleia que lhes eram destinados.

“Se perguntarem aos drusos no sul ou aos curdos no norte, eles dirão que (as eleições) não foram representativas”, mas “se perguntarem a pessoas nas grandes cidades, como Aleppo, Damasco, Hama, e outras partes do país, estão esperançosos de que esta será a primeira experiência de uma eleição real”, sublinhou Osama Bin Javaid, correspondente da Aljazeera em Damasco.

As votações de domingo contaram com 6,000 membros de colégios eleitorais regionais a escolherem candidatos de listas previamente aprovadas, num país com 24 milhões de pessoas. Uma das principais tarefas do novo parlamento será redigir uma nova constituição para o país e preparar eleições públicas diretas.

Ainda antes dos resultados oficiais, estas eleições já suscitavam críticas, apesar de darem sinais promissores de alguma estabilidade no país dominado há tantos anos por destruição e conflitos sob a liderança rígida de Assad. Ao processo eleitoral foi apontada falta de democracia, já que 1/3 dos deputados será indicado por Ahmed al-Sharaa, por exemplo, e foram colégios eleitorais a votar e não diretamente a população (aliás, as regras previam que as mulheres estivessem em 20% dos colégios eleitorais, o que não aconteceu).

Porém, Najmeh afirmou que “cada deputado eleito representa todos os sírios, independentemente da sua filiação”. Uma frase que está alinhada com o discurso de Ahmed al-Sharaa nas Nações Unidas recentemente, em setembro. Na primeira intervenção de um Presidente sírio em 60 anos na Assembleia Geral da ONU, o líder da Síria disse que o país se está agora a “reconstruir ao estabelecer um novo estado, construindo instituições e leis que garantam os direitos de todos sem exceção”.

Texto editado por Dulce Neto

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.