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A assinatura, a libertação dos reféns, a retirada das IDF e os prisioneiros trocados. O que se sabe sobre o acordo entre Israel e o Hamas

Este artigo tem mais de 6 meses

Após dias de negociações indiretas, a assinatura do cessar-fogo em Gaza está marcada para esta quinta-feira. Será a "primeira fase do plano de paz" de Trump, que se vai deslocar ao Médio Oriente.

A fotografia de um negociador israelita a apertar a mão ao primeiro-ministro do Qatar é símbolo do êxito das negociações mediadas entre Israel e o Hamas
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▲A fotografia de um negociador israelita a apertar a mão ao primeiro-ministro do Qatar é símbolo do êxito das negociações mediadas entre Israel e o Hamas

▲A fotografia de um negociador israelita a apertar a mão ao primeiro-ministro do Qatar é símbolo do êxito das negociações mediadas entre Israel e o Hamas

“É um grande dia para o mundo árabe e muçulmano, para Israel, para todas as nações vizinhas e para os Estados Unidos da América.” Donald Trump anunciou assim o acordo entre Israel e o Hamas, que marca, segundo o próprio, “a primeira fase do plano de paz” mediado por si próprio.

A declaração foi o culminar de horas vertiginosas, que tiveram sempre o Presidente dos EUA como protagonista. Inicialmente, anunciou que uma viagem ao Médio Oriente “no final da semana”, que minutos mais tarde confirmou ser ao Egipto “onde todos estão reunidos”. Era a confirmação das notícias que indicavam que o acordo poderia mesmo ser alcançado num máximo de 48 horas. Tudo se tornou mais oficial quando as objetivas dos fotojornalistas permitiram ler um bilhete com uma mensagem escrita à mão do Secretário de Estado, Marco Rubio, que lhe passou a folha durante uma mesa redonda que decorria na Casa Branca.

Em contraluz, conseguia ler-se que Trump era avisado que o acordo estava “muito próximo”. “[…] Preciso que aprove uma publicação na Truth Social em breve para que possa anunciar o acordo primeiro”, apelava Rubio.

Nem meia hora depois, a esperada publicação tornou-se real. O texto de Trump, publicado na sua rede social como habitual, detalha as poucas condições conhecidas para se ter chegado a um entendimento: a libertação de todos os reféns detidos em Gaza, mortos e vivos, e a retirada das tropas israelitas para uma linha acordada, “como os primeiros passos para uma paz forte, duradoura e eterna”.

Trump acrescentou que “todas as partes serão tratadas de forma justa” e agradeceu aos mediadores do Qatar, Egito e Turquia por terem contribuído para o que descreveu como “um evento histórico e sem precedentes”.

Pouco depois do anúncio de Trump, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, divulgou uma curta declaração, na qual reafirmou o compromisso do seu governo em recuperar todos os reféns israelitas que permanecem na Faixa de Gaza. “Com a ajuda de Deus, vamos trazê-los a todos para casa”, afirmou.

Netanyahu vai reunir o governo esta quinta-feira para aprovar o acordo. Agradeceu ainda aos “heroicos soldados das IDF e a todas as forças de segurança”, através da rede social X, numa mensagem em hebraico. Pouco depois escreveu mais uma mensagem, desta feita em inglês, em que classificou o acordo alcançado como um “êxito diplomático” e uma “vitória nacional e moral para o Estado de Israel”.

“Desde o início deixei claro: não descansaremos até que todos os nossos reféns regressem e todos os nossos objetivos sejam alcançados”, escreveu o primeiro-ministro israelita. “Graças a uma determinação inabalável, a uma ação militar poderosa e aos grandes esforços do nosso grande amigo e aliado, o Presidente Trump, chegámos a este ponto de viragem crítico”, acrescentou Netanyahu, que agradeceu ao líder da Casa Branca a sua “liderança, parceria e o seu empenho inabalável na segurança de Israel e na libertação dos nossos reféns”.

“Deus abençoe Israel. Deus abençoe a América. Deus abençoe a nossa grande aliança”, concluiu Bibi ao estilo do Presidente norte-americano. Aliás, o primeiro-ministro israelita convidou o líder da Casa Branca a visitar Israel e a falar no parlamento (Knesset) e Trump já disse que lá estará no início da próxima semana. O agradecimento e o convite de Netanyahu a Trump já tinham sido feitos diretamente, através de uma “conversa emocional e calorosa” por chamada telefónica entre os dois líderes, detalhou o gabinete do primeiro-ministro israelita.

O Hamas, numa mensagem publicada no Telegram,  anunciou a “conclusão de um acordo que estipula o fim da guerra em Gaza, a retirada da ocupação, a entrada de ajuda e a troca de prisioneiros”. Na declaração apela a Trump, aos mediadores árabes e às partes internacionais para que “obriguem o governo de ocupação [Israel] a implementar integralmente os requisitos do acordo e não permitam que fuja ou atrase a implementação do que foi acordado”.

O grupo concluiu dizendo que permanecerá “fiel ao compromisso”, garantindo que não “abandonará os direitos nacionais” do seu povo, “incluindo a liberdade, a independência e a autodeterminação”.

Assinatura do acordo de cessar-fogo em Gaza está marcada para as 10h00 desta quinta-feira

Exatamente dois anos e um dia após o ataque de 7 de outubro de 2023, fontes israelitas confirmaram que a assinatura de acordo de cessar-fogo e o de troca de reféns por prisioneitos deve ser às 12h00 desta quinta-feira (hora local do Egito, 10h00 em Portugal Continental).

Sendo aprovado e assinado, esta será a terceira vez que um acordo de cessar-fogo entra em vigor entre Israel e o Hamas. O primeiro, logo no início do conflito, em novembro de 2023, permitiu que mais de 100 reféns, principalmente mulheres e crianças, fossem libertados em troca de prisioneiros palestinianos, antes de ser interrompido.

No segundo, em janeiro e fevereiro deste ano, os militantes palestinianos libertaram 25 reféns israelitas e os corpos de outros oito em troca de cerca de 2000 prisioneiros palestinianos. Israel pôs fim a esse cessar-fogo em março com um bombardeamento surpresa.

Libertação de todos os reféns vivos vai acontecer ao mesmo tempo. Prazo de 72 horas começa a contar depois da retirada das IDF

“No prazo de 72 horas após a aceitação pública deste acordo por parte de Israel, todos os reféns, vivos e mortos, serão devolvidos”, lê-se num dos 20 pontos do plano para Gaza divulgado pela Casa Branca no final de setembro. O prazo foi definido com clareza, mas, até ao momento, a data concreta parece ainda não estar absolutamente definida.

Os EUA começaram por apontar segunda-feira como dia mais provável para a libertação dos reféns vivos, mas a imprensa israelita diz que esta entrega deve ter lugar no domingo. Além disso, garante o Canal 12, o acordo que será assinado prevê que Israel permaneça em 53% do território de Gaza até o último dos reféns ser libertado.

Em todas estas versões o prazo de 72 horas após a assinatura do acordo que Trump tinha definido no seu plano de paz, será cumprido, já que só começa a contar quando as IDF deixarem as zonas previstas.

Esta quinta-feira, o governo de Israel reunirá para votar a aprovação do acordo. Após o “sim”, começam a contar as 24 horas para a execução da manobra militar de retirada. Só depois começam a contar as 72 horas passadas as quais todos os reféns vivos e mortos passam para as mãos israelitas.

Nas datas apontadas pela imprensa israelita a entrega dos corpos dos reféns que não sobreviveram ao cativeiro começará na segunda-feira e, como foi avançado mais cedo, será feito por fases, pois é tido como certo que estarão em áreas díspares e talvez não controladas pelo Hamas.

As tropas israelitas deixam Gaza, com exceção de Rafah. Vão ser abertas cinco vias para entrada de ajuda humanitária

Outro ponto acordado foi a retirada quase total das tropas israelitas de Gaza. Segundo fontes citadas pelo Haaretz, “os mapas de retirada foram atualizados e Israel vai retirar-se da maioria das cidades, exceto de Rafah”.

Ficou também acordado que poderá entrar na Faixa de Gaza, imediatamente após o acordo, e através de cinco passagens fronteiriças, ajuda humanitária. O Canal 12 avança ainda que, com a execução do acordo, vão entrar em Gaza 600 camiões de ajuda humanitária por dia por meio destas vias.

Na sua reação ao acordo entre Israel e o Hamas, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, já veio assegurar que a ONU está preparada para entregar mais ajuda humanitária em Gaza assim que for possível.

Segundo detalhes divulgados esta madrugada, também irá entrar no enclave maquinaria pesada para remover os escombros por toda a região. Será o primeiro passo para começar a ajudar a reconstruir Gaza.

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Acordo não contém nome de prisioneiros palestinianos a ser libertados. Hamas diz que ainda aguarda decisão final

Uma fonte israelita conhecedora dos termos das negociações avançou ao Haaretz que o acordo de cessar-fogo, que deve ser assinado ao final da manhã desta quinta-feira, não específica que prisioneiros palestinianos serão libertados das prisões israelitas.

Ainda assim, em comunicado citado esta noite pela imprensa israelita, o Hamas assumiu que “aguarda uma decisão final sobre os nomes apresentados” tendo como base as premissas do acordo de cessar-fogo.

Ao longo das negociações foi avançado que as “linhas vermelhas” de Israel eram a libertação de prisioneiros palestinianos que tivessem participado no planeamento ou execução do ataque de 7 de outubro, bem como de Marwan Barghouti, dirigente palestiniano preso desde 2002 por envolvimento em atentados durante a Segunda Intifada.

Acordo para a paz em Gaza vai ser assinado um dia antes da entrega do Prémio Nobel da Paz, que Trump quer mais do que tudo

Há vários meses que Donald Trump fala sobre o Prémio Nobel da Paz — sobre o quanto considera que o merece e, mesmo assim, não acredita que lhe seja atribuído. “Nunca vou vencer um Prémio Nobel da Paz“, queixou-se o Presidente dos EUA em junho deste ano.

Disse na altura, e continua a dizer, que fez tudo para o merecer — repetindo até à exaustão todos os conflitos que terá ajudado a resolver pelo mundo. Agora, um dia antes de o Prémio Nobel da Paz ser atribuído — o comité anuncia o vencedor na sexta-feira — será assinado o acordo de cessar-fogo que Trump diz representar “um grande dia para o mundo”.

O Presidente dos EUA desdobrou-se em entrevistas e declarações públicas nas horas seguintes ao anúncio de um acordo de cessar-fogo permanente em Gaza para garantir que o “mundo uniu-se como um só”. “Foi um dia fantástico”, afirmou numa entrevista telefónica à Reuters, antes de rematar: “Este é um dia maravilhoso, um dia maravilhoso para todos.”

À Fox News garantiu que conseguiu trazer “paz ao mundo” ao ameaçar com tarifas sobre outros países. “Não vamos lidar com pessoas que lutam”, disse ainda. Tudo num esforço para que o comité do Prémio Nobel não lhe consiga virar as costas na véspera da atribuição.

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