A líder da Iniciativa Liberal contestou esta quinta-feira a ausência de medidas para a habitação no Orçamento e acusou o Governo de manter os impostos altos, como o adicional ao IMI, o “chamado imposto Mortágua”.

Medidas para a habitação, “neste orçamento, nem vê-las. E mesmo que viessem, trariam mais distorções ao mercado” porque “ninguém compreendeu o conceito de rendas moderadas”, acusou Mariana Leitão, num jantar-comício em Braga, para dar apoio ao candidato local e antigo líder dos liberais, Rui Rocha.

O tipo de solução ao “mercado da habitação é um só: o IVA da construção deve baixar para todos, e o adicional ao IMI, o chamado imposto Mortágua, que deve ser transformado em [imposto] Pinto Luz deve acabar”, disse a líder liberal, que também criticou o aumento, previsto no orçamento, ao Imposto Municipal de Transmissões (IMT).

“Com o preço das casas a disparar, o Governo atualiza os escalões apenas em 2%. Se os preços sobem 10%, e o Estado só atualiza 2%, está, na prática, a criar um imposto escondido sobre as famílias”, acusou.

Na véspera do final da primeira campanha eleitoral em que é líder do partido, Mariana Leitão constatou, um pouco por todo o país, os problemas da habitação.

“Há um problema que é transversal a todos os municípios por onde passei. O desespero das pessoas face aos preços das casas” e a “única solução para esse flagelo, a única solução para baixar o preço das casas é construir, construir, construir”, discursou a líder da IL.

Ainda esta quinta-feira, acusou Mariana Leitão, o ministro das Finanças nada apresentou sobre o tema: “Miranda Sarmento disse mesmo ‘as medidas de habitação estão em processo final legislativo e a seu tempo conheceremos os seus impactos’. A seu tempo? Não senhor ministro, nós não temos tempo para combater o maior flagelo da nossa geração”.

“Como é que há coragem para dizer a um jovem que só vai conseguir a sua própria casa depois dos 30 anos?”, questionou, respondendo em seguida que o “país não tem tempo” para esperar por medidas. “A crise da habitação tem um culpado e esse culpado é o excesso de papel, de processos infindáveis, de câmaras municipais que complicam o que devia ser simples”, acrescentou ainda.

IL acusa Governo de aumentar despesa em 10 mil milhões anuais sem justificação

A presidente da Iniciativa Liberal acusou o Governo de promover aumentos sucessivos de despesa, sem qualquer justificação, no Orçamento do Estado, na ordem dos dez mil milhões de euros por ano.

“Crescemos todos os anos cerca de 10 mil milhões” na despesa do Estado e “a Iniciativa Liberal, que propunha medidas com um impacto fiscal ao nível dos dois mil milhões por ano, é que era radical?” — questionou Mariana Leitão, num discurso de campanha autárquica.

À semelhança do que sucedeu noutros jantares com apoiantes, Mariana Leitão chegou ao som de “Enter Sandman”, dos Metallica, acompanhada pelo seu antecessor na liderança do partido e agora candidato à Câmara de Braga, Rui Rocha, que a saudou com a expressão “bem vinda à capital do norte”, o seu slogan de campanha.

Para a IL, “radical é aumentar brutalmente a despesa todos os anos sem nunca conseguir justificar de onde é que ela vem” e “continua-se sem se conseguir resolver redundâncias na despesa pública, sem reduzir atos administrativos inúteis, sem reduzir o papel pelo papel, sem reconsiderar as funções que o Estado deve reduzir e as que deve manter”.

Mariana Leitão disse que a “reforma do Estado acabou antes de começar”, o resultado de “um Estado que não consegue fechar o ciclo, e resume-se à distribuição do pouco que há”, com “investimento baixo, produtividade baixa, licenciamento impossível e uma economia de baixo valor acrescentado que não consegue pagar aos nossos quadros mais qualificados”.

“Porque enquanto o Estado insistir em controlar tudo, continuará a falhar em quase tudo”, afirmou.

Segundo Mariana Leitão, “há um aumento brutal de mais de 300 milhões de euros em outros impostos diretos, um crescimento de 259%, sem qualquer explicação no relatório”, e o “Governo está a tapar buracos nos impostos mais escondidos, sem explicar onde é que vai buscar toda esta receita”.

“E para alimentar que Estado? O mesmo Estado do Partido Socialista”, acusou ainda a líder liberal, que se mostrou confiante num bom resultado nas eleições autárquicas de domingo.

“Em 2021, a Iniciativa Liberal, na sua primeira eleição autárquica, elegeu autarcas em 10 distritos” e “em 2025, vamos triplicar o número de eleitos nas autarquias, elegendo vereadores com pelouros executivos que façam a diferença na vida das pessoas, não apenas presença simbólica, mas poder real nas decisões locais”, prometeu a líder dos liberais.

Mariana Leitão confia que a “Iniciativa Liberal vai exercer o poder nas autarquias locais”, para “”acelerar os licenciamentos, promover a construção e baixar o preço das casas” e para “exigir a transparência que se impõe na gestão autárquica e fechar a porta ao amiguismo e à corrupção”.