O candidato da coligação PSD/IL/PAN à Câmara de Sintra acusou esta quarta-feira o PS de tratar os sintrenses “com falta de dignidade”, por não investir os impostos dos munícipes, e recebeu um apoio do antigo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

“O Partido Socialista trouxe-nos para o desleixo e por uma questão que eu acho que é, de alguma forma, muito triste, que é a falta de dignidade com que a câmara tratou os sintrenses”, afirmou Marco Almeida, num jantar da candidatura na Terrugem.

O antigo vice-presidente da câmara, nos mandatos de Fernando Seara (PSD), referiu-se aos 12 anos de maioria socialista, que “optou por concentrar 350 milhões de euros nas contas bancárias”, fruto dos impostos, “em detrimento da qualidade de vida de cada um”, das suas famílias e instituições.

“Nós não vamos desbaratar o dinheiro, porque o dinheiro é dos sintrenses. Mas nós vamos investi-los, vamos investir nos equipamentos sociais”, na “qualificação do espaço público” e, “acima de tudo, sermos capazes de compensar as falhas que o Governo central ainda nos atribui, na saúde, na educação, na proteção familiar”, prometeu.

O candidato, que concorre à câmara pela terceira vez, após em 2013 ter encabeçado a lista independente “Sintrenses com Marco Almeida”, contra o PSD, e em 2017 liderar a coligação de PSD/CDS-PP/PPM MPT, perdendo para Basílio Horta (PS), admitiu que o sufrágio de domingo “são eleições difíceis”.

Embora notando que “em Negrais, em Monte Abraão, em Casal de Cambra ou em Colares” sente “que as pessoas reconhecem a candidatura e que ambicionam pela mudança”, Marco Almeida salientou que “nada está ganho”, o que só acontecerá “quando as urnas fecharem”.

“No dia 12 de outubro vamos transformar este concelho, vamos mudar, porque nós ambicionamos um concelho aonde não haja lixo espalhado pelas ruas, a emporcalhar o espaço público”, apontou, apostando na “oferta de salas” do pré-escolar e condições para cuidar dos idosos.

Após a intervenção do antigo presidente da câmara Fernando Seara, que candidata à Assembleia Municipal, Pedro Passos Coelho, no seu discurso, disse sentir que a escolha de Marco Almeida pode, “de certa maneira, concretizar” algo que já se podia “ter concretizado antes”.

“Quando o professor Fernando Roboredo Seara, que está aqui comigo, concluiu os seus mandatos à frente do município de Sintra, talvez nós tivéssemos tido, na altura, outra lucidez se nos tivéssemos entendido todos e tivéssemos podido apoiar o Marco Almeida”, recordou o então presidente do PSD.

Passos Coelho assumiu as suas “responsabilidades por isso”, mas o seu “objetivo não era andar 12 anos atrás” do PS, antes dizer que “a maior estupidez é a gente cometer o mesmo erro duas vezes seguidas”.

Por isso, ficou “muito contente que isso não tivesse sucedido” e, sem “agressividade em relação a ninguém”, possam dizer aos sintrenses que têm “o melhor candidato à Câmara de Sintra”, pedindo aos presentes para, até domingo, “não se distraírem” e escolherem “um bom presidente de câmara” para Sintra.

Atualmente, o executivo, presidido por Basílio Horta, que cumpriu três mandatos e não se pode recandidatar, é composto por cinco eleitos do PS, três do PSD, um do CDS-PP, um da CDU e um independente (ex-Chega).

Concorrem à Câmara de Sintra Ana Mendes Godinho (PS/Livre), Marco Almeida (PSD/IL/PAN), Pedro Ventura (CDU, coligação PCP/PEV), Maurício Rodrigues (CDS-PP/PPM/ADN), Rita Matias (Chega), Tânia Russo (BE) e Júlio Gourgel Ferreira (ND).