O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, saudou esta sexta-feira a atribuição do Prémio Nobel da Paz à opositora do regime venezuelano María Corina Machado e considerou que esta decisão “reconhece e encoraja as aspirações democráticas de todos”.

“O Presidente da República saúda a atribuição a María Corina Machado do Prémio Nobel da Paz 2025”, lê-se numa mensagem publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet.

O chefe de Estado afirma que “María Corina Machado, que já em 2024 fora justamente galardoada, com Edmundo González Urrutia, com o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, tem lutado de forma corajosa e abnegada pela democracia, justiça social e pleno respeito pelos direitos humanos dos venezuelanos”.

“Esta atribuição do Nobel da Paz reconhece e encoraja as aspirações democráticas de todos”, acrescenta Marcelo Rebelo de Sousa.

Mais tarde, à saída de uma reunião do grupo de Arraiolos, em Tallin, Marcelo Rebelo de Sousa saudou novamente a atribuição do Prémio Nobel da Paz, dizendo não perceber as críticas dos Estados Unidos.

“Eu não queria deixar de saudar vivamente a premiada, porque é uma lutadora pela democracia e pela liberdade há muito tempo […], é uma mulher, uma presença constante de luta, e luta em condições muito, muito difíceis”, começou por dizer o chefe de Estado.

“Estou muito feliz, envio as minhas felicitações e, ao mesmo tempo, saúdo aquilo que é uma decisão muito sábia, muito atenta, e não impressionável nem sensibilizável, como foi a do comité que atribuiu o Prémio Nobel da Paz”, prosseguiu.

Marcelo Rebelo de Sousa admitiu então estranhar a reação de Washington, que criticou esta sexta-feira a atribuição do Prémio Nobel da Paz a Maria Corina Machado, defendendo que deveria ter ido para o Presidente norte-americano, Donald Trump, e sustentando que a decisão do comité norueguês “colocou a política à frente da paz”.

“Eu nem percebo essa declaração que é atribuída [à Casa Branca), porque não faz muito sentido. Porque a administração norte-americana recentemente tem tomado posições em relação ao que se passa na Venezuela invocando que quer contribuir para a paz, para a democracia e para a liberdade naquele Estado”, observou.

O Presidente da República sublinhou que “há formas diferentes de contribuir” para a paz, e “uma forma é a de reconhecer aqueles que, em condições muito difíceis, têm tentado estabelecer um espaço de afirmação política no seu próprio país”.

“É uma maneira de lutar pela paz. A política também é um meio de lutar pela paz”, reforçou, considerando que “todos devem estar felizes” com esta atribuição do galardão e observando que, “enfim, cada qual reage de acordo com a sua visão do mundo”.

Saudando a atribuição do Nobel da Paz a Corina Machado, Marcelo também frisou que “pertence ao mundo ibero-americano”, sendo que Portugal acompanha “de forma muito intensa essa realidade”, até porque há “uma comunidade portuguesa muito, muito forte” no país, “a comunidade estrangeira mais forte na Venezuela”.

Sobre o apelo da galardoada para que Portugal prestasse maior apoio à oposição venezuelana, Marcelo notou que “o Estado português tem, ao longo do tempo, mantido contactos com todos os setores políticos venezuelanos, e quer o ministro dos Negócios Estrangeiros, quer o secretário de Estado da Comunidades, em sucessivos governos — eu recordo — têm tido contactos, quer com o Governo […] porque é importante para quem quer manter relações diplomáticas, mas igualmente com a oposição”, disse.

O Prémio Nobel da Paz 2025 foi atribuído à opositora venezuelana María Corina Machado, ex-deputada da Assembleia Nacional da Venezuela entre 2011 e 2014, anunciou esta sexta-feira o Comité Nobel Norueguês.

De acordo com a organização do Nobel, a opositora do regime venezuelano de Nicolás Maduro foi premiada “pelo seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos do povo da Venezuela e pela sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”.

Segundo o Comité, “enquanto líder do movimento pela democracia na Venezuela, María Corina Machado é um dos exemplos mais extraordinários de coragem civil na América Latina nos últimos tempos”.