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A confiança, a experiência e os interesses: como Jared Kushner se tornou um dos arquitetos do plano de paz em Gaza

Este artigo tem mais de 6 meses

Genro de Trump e conselheiro sénior no primeiro mandato, o empresário, que tem um fundo de investimentos com capital da realeza árabe, assumiu um papel chave nas negociações entre Israel e o Hamas.

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▲De acordo com o que disse um aliado do Presidente à CNN, Kushner terá sido responsável por convencer negociadores e líderes de países árabes

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▲De acordo com o que disse um aliado do Presidente à CNN, Kushner terá sido responsável por convencer negociadores e líderes de países árabes

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Foi na passada terça-feira que Jared Kushner viajou com o enviado especial norte-americano para o Médio Oriente, Steve Witkoff, rumo ao Egito. Mais especificamente, a Sharm el-Sheikh, onde decorreram as negociações de paz entre os mediadores de vários países e do Hamas. Do Egito, o par viajou até Israel para apresentar o plano ao gabinete de Netanyahu. Trump anunciou o acordo entre Israel e o Hamas algumas horas depois, na quinta-feira, 9 de outubro. “Coloquei Jared (nas negociações) porque é uma pessoa muito inteligente, conhece a região, as pessoas e a maioria dos protagonistas”, disse o Presidente norte-americano durante a conferência de imprensa.

O antigo conselheiro sénior e genro de Donald Trump terá tido um papel chave para conseguir que o acordo fosse aceite. Mais do que isso: a imprensa norte-americana tem considerado a dupla Kushner e Witkoff como os dois arquitetos da proposta de vinte pontos que resultou no acordo de cessar-fogo, tendo alinhado estratégias e trabalhado nas negociações uma semana antes do anúncio oficial, à partir das suas mansões no estado norte-americano da Florida. De acordo com o que disse um aliado do Presidente à CNN, Kushner terá sido responsável por convencer negociadores e líderes de países árabes, fazendo-os sentirem-se mais confortáveis com o processo, devido às suas relações próximas com a região. O genro de Trump deve continuar a ter um papel importante nas próximas fases da negociações, confirmou também uma fonte da Casa Branca.

Kushner começou a trabalhar num plano para Gaza pós-guerra com Tony Blair há cerca de oito meses, escreve o New York Times. Ambos encontraram-se com Trump em agosto para discutir os projetos para o futuro do enclave palestiniano, e desde então, Kushner tem trabalhado ainda mais próximo de Israel e dos países árabes no processo de negociação.

A confiança de Trump, a experiência como negociador e os interesses no Médio Oriente

Jared Kushner licenciou-se em ciências políticas e fez um mestrado em administração em Harvard e tornou-se num guru do mercado imobiliário em Nova Iorque, ainda antes de se envolver com a futura mulher, Ivanka Trump. Os dois conheceram-se em 2007, casaram-se em 2009, e tiveram três filhos: Arabella, Joseph e Theodore. Ambos trabalharam voluntariamente como conselheiros sénior no primeiro mandato de Donald Trump, entre 2017 e 2021 — altura em que o pai de Kusnher, Charles, recebeu o perdão presidencial por evasão fiscal, entre outras violações. Doador da campanha de Trump, Charles Kushner é atualmente o embaixador dos EUA na França.

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▲ Jared e Ivanka no baile do dia da posse de Donald Trump, a 20 de janeiro de 2025

AFP via Getty Images

Mas o que fez de Jared Kushner o “homem certo” para o acordo vai além das relações familiares. Quando foi conselheiro sénior, o genro de Trump construiu relações diplomáticas com países árabes, no âmbito dos Acordos de Abraham, com o objetivo de normalizar as relações entre Israel e os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein e o Marrocos. Dessa forma, Kushner adquiriu conhecimento sobre as complexidades da região, assim como desenvolveu uma relação mais próxima com os principais líderes e intervenientes políticos.

Além disso, Kushner foi treinado no mundo dos investimentos imobiliários em Nova Iorque, o que trouxe alguma experiência em negociações — assim como o próprio Steve Witkoff. “Tens de ser capaz de perceber o que realmente querem, e depois ver quem é que achas que está a fazer jogo, e até que ponto tens margem para pressionar”, disse o genro de Trump, citado pelo NYT. “Muitas pessoas que fazem isto (participam de negociações diplomáticas) são professores de história, porque têm muito conhecimento, ou diplomatas. É diferente quando são homens de negócios, é como se fosse outra modalidade”.

Em 2020, depois de Trump ter perdido as eleições para Joe Biden, Jared e Ivanka mudaram-se para uma casa milionária em Miami e deixaram a política, mantendo-se relativamente afastados da campanha de 2024. Kushner criou um fundo de investimentos, o Affinity Partners, com o apoio de realezas do Golfo — algumas das que estiveram envolvidas nas negociações pela paz em Gaza. O fundo arrecadou milhares de milhões de euros da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e do Qatar, avança o NYT. Num acordo firmado em setembro, Kushner, a realeza saudita e outros parceiros, compraram a Eletronic Arts por 55 mil milhões de dólares e retiraram a empresa da bolsa, na maior operação deste género de sempre.

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▲ Kushner e Elon Musk durante o Campeonato Mundial de 2022, no Qatar

Getty Images

O facto de Kushner ter negócios privados no Médio Oriente ao mesmo tempo em que participa em negociações diplomáticas na região é motivo de desconfiança entre os críticos da administração norte-americana. Em resposta, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afasta qualquer conflito de interesses. “Acho francamente desprezível que estejam a tentar sugerir que é inapropriado Jared Kushner — que é amplamente respeitado em todo o mundo e tem grande confiança e relações com estes parceiros fundamentais nesses países — elaborar um plano de paz abrangente, detalhado, com 20 pontos, que nenhuma outra administração seria capaz de alcançar”, rebateu. “Estamos muito orgulhosos do plano e esperamos que o Hamas o aceite, porque vai levar a um Médio Oriente mais pacífico e próspero”.

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