A última temporada, contra a corrente do que se passara nos anos anteriores, conseguiu finalmente quebrar aquilo que parecia ser uma “regra”: podia ser mais disputado, podia ter menos luta, no final ganhava quase sempre o Sporting. No entanto, aquele triunfo do Benfica no Pavilhão João Rocha no jogo 5 da decisão, que fechou a série do tetra e de sete títulos em oito épocas, conseguiu trazer esse “desbloqueio” de uma equipa e de uma secção que procurava há muito ser feliz sem sucesso. A “vingança” não demorou, com a formação verde e branca a golear o rival na final da Supertaça por 6-1 logo a abrir a época, mas o segundo dérbi da época chegava com as equipas numa fase com quatro vitórias seguidas e outras tantas exibições sólidas.

Era mesmo uma página em branco à espera de ser escrita: Benfica vence Sporting com reviravolta e é campeão de futsal

“Espero uma equipa muito competitiva, que se vai entregar muito. Sabemos a importância deste jogo, estamos a vir numa sequência muito boa, jogamos no nosso pavilhão e vamos dar o nosso máximo para conseguir um bom resultado.Cada jogo que se joga é um grande aprendizagem e qualquer equipa procura aprender. Quando se ganha, tem de se continuar; quando se perde, tem de se continuar. Tenho uma analogia: acredito que o Sporting, em quadra, tem um pouco de boxe. Todo o pugilista entra para fazer knockout, entra para ganhar rápido, e sabemos que nesses jogos é desafiante isso acontecer mas é um jogo por pontos e, lá no final, a equipa que tiver mais consistência, mais força emocional, pode ter sucesso. Este jogo de futsal vai ser muito equilibrado porque as equipas estão a competir muito bem”, apontara Cassiano Klein, técnico brasileiro que se sagrou campeão na última época antes de perder a Supertaça.

“Sinto que a equipa está numa boa fase, está confiante em todos os momentos do jogo, forte, a conseguir fazer bem as coisas, a ser eficaz nos momentos decisivos e a conseguir alargar vantagens quando os jogos estão muito equilibrados. Essa é uma característica das grandes equipas e é o que estamos a sentir nestes primeiros tempos de trabalho: uma equipa confiante, que trabalha, que sabe que as opções são muitas. Essa competitividade interna leva a que redobremos as atenções e o empenho. Supertaça? O jogo foi difícil, estar a ganhar por 4-0 ao intervalo e termos vencido por uma margem larga não tem nada a ver com o que aconteceu dentro do campo e nos 40 minutos. Todos os jogos, todos os dérbis são diferentes, todos têm histórias distintas. Espero que a história deste seja parecida, pelo menos no que diz respeito à vitória final, mas sabemos que será um jogo completamente diferente de todos os outros e será difícil com toda a certeza”, frisara Nuno Dias, técnico do Sporting, que desvalorizava o “peso” do dérbi por faltarem muitas jornadas.

Com os Leões de Porto Salvo na liderança só com vitórias em cinco jornadas depois do triunfo na noite desta sexta-feira com o Quinta dos Lombos (4-2), apenas um dos rivais poderia ficar na frente e foi a formação da Luz que conseguiu esse objetivo, “vingando” a derrota da Supertaça com um triunfo que deixa o Benfica na frente com 15 pontos, mais três do que o Sporting que sofreu a primeira derrota oficial da época.

O primeiro capítulo para esquecer a desilusão do último: Sporting goleia Benfica e conquista Supertaça

O encontro começou sem grandes oportunidades e com as organizações defensivas a saírem por cima dos ataques, levando as equipas a arriscar nas tentativas de meia distância (Bernardo Paçó evitou por duas vezes o golo de André Coelho) e a apostar nas saídas rápidas em transição, que levaram à melhor oportunidade nos minutos iniciais com Rúben Freire a acertar na trave (5′). A entrada na quadra de Pany Varela também veio ajudar na tentativa de desbloquear o jogo, com o antigo jogador dos leões que passou uma temporada pelo Al Nassr a ver Rocha por duas vezes evitar o remate e a recarga em cima da linha (10′). Apesar desse predomínio das defesas, o golo parecia iminente e surgiu na bola parada, com Jacaré a desviar na área depois de uma reposição lateral para o 1-0 perante a irritação de Nuno Dias pela passividade dos leões (11′).

A questão das faltas também entrava em jogo, com o Benfica a chegar à quinta infração com mais de seis minutos até ao intervalo (o Sporting também tinha quatro) mas a conseguir controlar a tentativa de reação dos leões, que criaram apenas perigo na sequência de bolas paradas com Tomás Paçó a rematar ao lado após reposição lateral (17′) contra algumas saídas dos encarnados que podiam ter aumentado a vantagem. Não haveria mais golos até ao intervalo, com Cassiano Klein a sair bem mais satisfeito do que Nuno Dias, que ia deixando várias indicações sem resultados práticos para a equipa ganhar maior expressão ofensiva.

O Sporting tentou mostrar outra cara no início da segunda parte mas continuou a ser o Benfica a ter sempre o ascendente na partida, com Bernardo Paçó a ter uma intervenção fantástica com o pé que evitou o golo de Diego Nunes (24′). Mais uma vez, a bola parada voltou a ser determinante, com o empate a chegar depois de um canto de Alex Merlim com remate de Tomás Paçó e desvio de Taynan perto da baliza (27′). No entanto, a igualdade iria demorar apenas alguns segundos, com Lúcio a aproveitar uma perda de bola perto da área dos leões para rematar com pouco ângulo cruzado para o 2-1 (28′). Esse seria o momento chave do jogo, com o Sporting a não ter tempo para se enquadrar com o novo contexto que tinha e a sofrer mesmo o 3-1 por Kutchy, na recarga a uma primeira defesa de Bernardo Paçó a remate forte de Higor de Souza (30′).

Tomás Paçó teve depois duas oportunidades flagrantes, com um remate ao poste e depois uma bola que foi cortada em cima da linha por André Coelho, mas o 3-1 manteve-se até cinco minutos do final, altura em que Nuno Dias arriscou o 5×4 com Alex Merlim na posição de guarda-redes avançado mas sem os elementos que poderiam fazer a diferença neste tipo de ação como os lesionados Zicky, Felipe Valério ou Allan Guilherme. Tomás Paçó ainda conseguiu reduzir no penúltimo minuto, num remate cruzado que sofreu ainda um desvio e enganou Léo Gugiel, mas seria insuficiente para evitar a derrota até pelo 4-2 marcado por Lúcio de uma baliza à outra sem oposição depois de um corte que evitou que Diogo Santos tentasse o empate (40′).