As concentrações à superfície de metais tóxicos provenientes da exploração mineira no mar Menor, em Espanha, são atualmente mais baixas do que durante grande parte do século XX, apesar das alterações climáticas.
Segundo uma investigação, os episódios de eutrofização e a ressuspensão dos sedimentos podem contribuir para a sua libertação, noticiou na segunda-feira a agência Efe.
O estudo do Departamento de Física da Universidade Autónoma de Barcelona (UAB) e do Instituto de Ciência e Tecnologia Ambiental (ICTA-UAB) indicou que a possível libertação destes metais provenientes da mineração afetaria os organismos aquáticos, “colocando em risco a biodiversidade do ecossistema”.
Irene Alorda, investigadora do ICTA-UAB e do Departamento de Física da UAB, salientou que “o impacto destas acumulações de metais, que atualmente não afetam os seres vivos, poderá ser maior no futuro devido às interações com outras pressões derivadas das atividades humanas”.
Este trabalho sublinhou a importância da “gestão integrada dos ecossistemas costeiros, onde os impactos históricos, combinados com os efeitos das alterações globais, podem agravar a poluição existente”. Além disso, forneceu informações essenciais para o planeamento de futuras estratégias de conservação e mitigação da poluição na lagoa do mar Menor e em ecossistemas semelhantes em todo o mundo.
O estudo, intitulado “Um Século de Contaminação por Metais nos Sedimentos do Mar Menor, a Maior Lagoa Salgada da Europa”, indica que os sedimentos contêm níveis de chumbo, arsénio, zinco, mercúrio, cobre e prata que “excedem os limites e valores de toxicidade de ecossistemas costeiros semelhantes em todo o mundo”.
A investigação reconstitui a história da poluição por metais durante os séculos XX e XXI e revela que a indústria mineira nas montanhas de Cartagena-La Unión, ativa entre o final do século XIX e meados do século XX, foi a principal responsável pela acumulação destes metais nos sedimentos. Os fluxos de metais continuaram a afetar a lagoa durante episódios de chuvas torrenciais, mesmo após o encerramento das minas. Os maiores depósitos encontravam-se atualmente na parte sul da lagoa, mais próxima dos antigos canais de mineração.
Os dados históricos mostram que as concentrações mais elevadas foram atingidas em meados do século XX e, embora algumas concentrações tenham diminuído após a proibição de descargas mineiras em 1955, outros metais continuaram a chegar através do escoamento de resíduos mineiros e de novas fontes urbanas, como águas residuais e tintas especiais para barcos.