Moderada, aguda ou crónica, tolerável, incapacitante, desesperante. A dor é uma realidade com que todos temos de viver. Nalguns casos é um sintoma e um sinal de alerta, noutros pode mesmo ser considerada uma doença. Cada um enfrenta a dor de forma individual, mas há uma verdade que se pode generalizar: ninguém gosta de a sentir.
Em Portugal, 36,7% da população adulta, ou seja, uma em cada três pessoas, vive com dor crónica, sendo que, deste total, 85% sofre de dor recorrente e contínua e 68% enfrenta dor de intensidade moderada a severa. Estes são alguns dados do estudo Population-Based Nationwide Study on Its Prevalence, Characteristics and Associated Disability in Portugal de Luís Filipe Azevedo, publicado em 2012. O investigador principal do CINTESIS concluiu ainda que 13% dos doentes com dor crónica têm depressão e 49% sentem consequências ao nível do trabalho.
O custo económico também é significativo. Um outro estudo, do mesmo autor, conclui que as despesas anuais (diretas e indiretas) com a dor são superiores a 4,6 mil milhões de euros, representando cerca de 3% do PIB nacional à época (2010).
A pensar em tudo isto — e em todas as histórias de doentes que sofrem com dor, de profissionais de saúde que os ajudam, de famílias que são impactadas e de investigadores que trabalham em novas formas de a controlar — o Observador vai lançar, no dia 17 de outubro, um projeto editorial totalmente dedicado à dor.
Através de várias rubricas dedicadas a este tema, pretendemos informar os leitores e ouvintes sobre os vários tipos de dor e alertar para as soluções terapêuticas disponíveis — que, nalguns casos, permitem controlá-la de forma eficaz. Seja nas unidades de dor dos hospitais ou em consultas de dor. E iremos também dar voz aos doentes, àqueles que vivem com dor diariamente, resultante de uma doença já existente e que envolve a intervenção de várias especialidades.
Do que falamos quando falamos de dor? Que tipos de dor existem? Como se diagnostica? Como se trata? É um sintoma ou uma doença? As perguntas não são fáceis nem intuitivas, mas iremos responder de forma simples e com uma linguagem acessível, recorrendo a especialistas no tema, que nos ajudarão a descodificar os temas científicos mais complexos.
O que pode encontrar no novo projeto
A partir de 17 de outubro, Dia Nacional de Luta Contra a Dor, estes são os conteúdos que estarão disponíveis na nova secção, que resulta de uma parceria com a FAI Therapeutics e tem a colaboração da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor e da SIP-Portugal:
O que aprendi com a dor dos outros — Reportagens na primeira pessoa (escritos por um jornalista) sobre o trabalho de vários profissionais de saúde ligados à área da dor. Testemunhos de especialistas, de diferentes áreas, que através da sua perspetiva pessoal, partilham memórias sobre o que aprenderam com os casos que acompanharam ao longo da profissão.
Conversas sobre dor — Entrevistas a profissionais de saúde sobre vários temas ligados à dor. Disponíveis nas plataformas habituais de podcast e transmitidas também na Rádio Observador.
Explicadores — Do que falamos quando falamos de dor? Que tipos de dor existem? Como se diagnostica? Como se trata? É um sintoma ou uma doença? As perguntas não são fáceis, mas iremos responder de forma simples e com uma linguagem acessível, recorrendo a especialistas, que nos ajudarão a descodificar os temas científicos mais complexos.
Opinião — Quinzenalmente teremos uma crónica de um doente, cuidador ou profissional de saúde, que partilhará a sua perspetiva sobre dor. Como é isto de viver com dor? Daremos voz a quem a sente.
Newsletter — Uma newsletter mensal, com os conteúdos do projeto e informações e dados sobre o tema e uma curadoria do que de melhor se escreve sobre dor em Portugal, mas também noutros países.
“Mais do que informar, é importante informar bem”
Para Filipe Antunes, presidente da Associação Portuguesa para o Estudo da DOR (APED), parceira da iniciativa, este “é um projeto exemplar do que deve ser a informação credível baseada em dados científicos e da prática clínica sobre assuntos reais do nosso dia a dia”. Considerando que “mais do que meramente informar, é importante informar bem, e para o fazer, implica observar e saber. Caberá depois a todos os que veem, ouvem ou leem, atuar para cuidar da dor de cada um, e quiçá, de todos nós”.
Também a Societal Impact of Pain Portugal (SIP-PT), se junta a este projeto, enquanto plataforma nacional que, desde 2018, reúne associações de doentes, profissionais de saúde e sociedades científicas com um objetivo comum: dar voz à dor e reduzir o seu impacto social. “A dor pesa, e pesa em silêncio e não é apenas de quem a sente, é de todos nós” diz Carina de Sousa Raposo, membro do Comité Executivo da SIP-PT. “Este projeto do Observador nasce para ver, ouvir e dar voz à dor, transformando o silêncio em mudança”, acrescenta. É que apesar da elevada prevalência, “a dor crónica permanece subvalorizada nas políticas públicas e pouco compreendida pela sociedade”.
Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde na mais recente Classificação Internacional de Doenças (ICD 11) como uma doença autónoma, “a dor crónica exige uma resposta integrada por parte do Sistema Nacional de Saúde e do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. Ignorar esta realidade é perpetuar o sofrimento de milhões de portugueses”, defende Carina de Sousa Raposo.
Recorde-se que este é o quarto grande projeto do Observador dedicado à saúde e ciência, depois do MENTES BRILHANTES, sobre investigação científica de excelência feita em Portugal, do MENTAL, sobre saúde mental, e do ARTERIAL, sobre doenças cérebro-cardiovasculares.
Dor é uma secção do Observador dedicada exclusivamente a temas relacionados com a dor e respetivo acompanhamento clínico e impacto na sociedade. Resulta de uma parceria com a FAI Therapeutics, um projeto da Ferraz Lynce (Grupo Iberfar), e tem a colaboração da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor e da SIP-Portugal. É um conteúdo editorial completamente independente.
Uma parceria com:
Com a colaboração de: