O setor dos centros de dados em Portugal está em expansão e, até 2031, poderá contribuir com 3,7 mil milhões de euros para o produto interno bruto (PIB) do país. A conclusão é de um estudo feito pela Portugal DC, a Associação Portuguesa de Data Centers, em parceria com a consultora Pb7 Research, divulgado esta terça-feira.

É a primeira vez que a associação, criada no verão de 2023, faz um estudo sobre o mercado nacional. A Portugal DC contextualiza que, no ano passado, o setor gerou um contributo para o PIB de 160 milhões de euros.

“Portugal passou de economia digital da periferia da Europa para um papel central”, capaz de “atrair operações de dados de grande escala”, diz Luís Duarte, presidente da Portugal DC, durante um encontro com a imprensa.

O estudo também refere que Portugal poderá receber até 13 mil milhões de euros em investimentos em centros de dados. Um número que poderá ser ainda mais elevado, já que o data center anunciado para Abrantes não foi ainda contabilizado para este estudo. O projeto da EDC Port 1, que foi tornado público em setembro por Manuel Jorge Valamatos, autarca de Abrantes, prevê um investimento de 7 mil milhões de euros até 2030.

Luís Duarte contextualiza que estes 13 mil milhões de euros de investimento “não incluem os valores associados aos chips necessários”, mas sim os valores associados à instalação do centro de dados, como “construção civil, instalação de ar condicionado”, entre outros fatores. Este valor registado pela associação inclui investimentos como o data center de Sines, da Start Campus (8,5 mil milhões de euros), mas também investimentos como o data center da Merlin Edge, em Vila Franca de Xira, o projeto da Atlas Edge, em Carnaxide ou ainda os anúncios da Quetta, para Lisboa, ou da empresa Voltekko, para um centro de dados em Alcochete.

Portugal tem vários “predicados” que transformam o país “numa porta da entrada” para atrair estes investimentos em centros de dados, explica Luís Duarte. Um deles é a “conectividade resultante da existência de infraestrutura de cabos submarinos” que estão amarrados no país, como o Ellalink, ou o 2Africa, estabelecendo ligações globais, além de um “excelente mix energético, com energia renovável”, que permite concorrer com outros pontos da Europa onde a oferta já está mais saturada. A disponibilidade de espaço para instalação destes centros, que ocupam áreas de grande dimensão, também é registada como um ponto de atração externa.

O estudo também analisa o potencial dos centros de dados como motor de criação de “emprego qualificado”, detalha o presidente da Portugal DC. Em 2024, o setor gerou 2.800 empregos diretos e indiretos, a que ainda se juntam 670 empregos induzidos. Em 2031, o valor deverá ser mais alto: prevê-se a criação de mais de 9.400 postos de trabalho a tempo inteiro. Luís Duarte e Rita Lourenço, vice-presidente e co-fundadora da Portugal DC, defendem a necessidade de reter o talento nesta área e também trabalhar na requalificação de competências.

O tema do consumo energético é também uma questão recorrente quando se fala em data centers, que têm associado um elevado consumo de eletricidade. Até 2031, a combinação de setores como os centros de dados, o hidrogénio verde e a mobilidade elétrica poderão representar um consumo de 8,5 terawatts hora por ano. Já quando questionado sobre as atuais necessidades energéticas do setor, Luís Duarte considera que, “Portugal, até à data, ainda tem disponibilidade”.

E lança o desafio ao Governo — e não apenas para o setor energético. Luís Duarte diz que é necessário um “apoio político continuado” para “manter o impulso do setor”. Dá como exemplo o trabalho para, por exemplo, reduzir a burocracia em questões como licenciamentos. A Portugal DC explica que sente “absolutamente a necessidade de ter um contacto regular com o Governo” sobre o setor dos centro de dados.

A Portugal DC quer tornar estes estudos sobre o mercado português numa atividade regular. Além da visão geral, pretendem também dinamizar um estudo sobre a oferta salarial do mercado português.

Atualmente, a Portugal DC tem 120 associados, com os responsáveis a revelar que estão a registar um aumento de “um associado por semana”, sinalizando o dinamismo do setor. Além de empresas que são operadoras de data center, a associação também tem na lista de associados escritórios de advogados e empresas do setor imobiliário.

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