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O parlamento israelita (Knesset) aprovou esta quarta-feira, numa leitura preliminar, uma proposta para anexar o território palestiniano ocupado da Cisjordânia pela diferença de um voto.
“O projeto de lei para aplicar a soberania aos territórios da Judeia e Samaria foi aprovado em leitura preliminar por uma maioria de 25 a favor e 24 contra”, anunciou a Knesset, de 120 membros, segundo a agência de notícias espanhola EFE.
Judeia e Samaria é a designação administrativa israelita para grande parte da Cisjordânia, em vez do nome atribuído pela Jordânia à margem ocidental do rio Jordão, quando anexou o território palestiniano entre 1950 e a ocupação israelita, em 1967.
Segundo o jornal Times of Israel, a votação preliminar conseguiu passar pelo crivo parlamentar graças a um deputado que quebrou com as linhas do seu partido — o Likud, de Benjamin Netanyahu. Yuli Edelstein foi o único dos deputados do partido que lidera o governo israelita a votar favoravelmente, juntando-se às formações de extrema-direita Otzma Yehudit (de Itamar Ben-Gvir), Noam e Mafdal, assim como da fação conservadora Judaísmo Unido da Torá.
O Times of Israel, inclusive, frisa que esta votação foi particularmente humilhante para o governo de Netanyahu, já que decorreu com a presença de JD Vance no território e ratificou uma política de anexação à qual os EUA se opõem.
Em resposta à votação, o Likud considerou-a como um ato de “trollagem com o objetivo de prejudicar as nossas relações com os EUA e as grandes conquistas de Israel”, numa tentativa de minimizar os danos políticos desta votação.
“Fortalecemos os colonatos todos os dias com ações, orçamentos, construção, indústria e não com palavras”, defende o partido, considerando o Likud que “a verdadeira soberania será alcançada não com uma lei ostensiva para o protocolo, mas trabalhando adequadamente no terreno e criando as condições políticas adequadas para o reconhecimento da nossa soberania, como foi feito nas Colinas de Golã e em Jerusalém”.
A votação desta quarta-feira é o primeiro passo que precede outras três votações necessárias para o parlamento israelita converter o projeto em lei.
Apesar da falta de apoio do partido de Netanyahu, a proposta tem apoios na ala mais à direita do Governo. Bezalel Smotrich, ministro das Finanças, dirigiu-se ao próprio chefe do Governo na rede social X, alegando que “chegou a hora de aplicar a soberania total sobre todos os territórios da Judeia e Samaria“, a que chamou dos seus “antepassados”. Também dessa ala, Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional, disse que “agora é hora da soberania“.
Rejeição do mundo árabe
No mundo árabe, a votação foi largamente condenada. Tanto a Autoridade Palestiniana (AP) como o Hamas condenaram a aprovação inicial no Knesset em comunicados citados pela Al Jazeera.
“Os territórios palestinianos ocupados na Cisjordânia, incluindo Jerusalém, e a Faixa de Gaza, são uma única unidade geográfica sobre a qual Israel não tem soberania”, disse a AP. Já o Hamas disse que este projeto mostrava “a face feia da ocupação colonial” e que “as tentativas frenéticas da ocupação de anexar terras da Cisjordânia são inválidas e ilegítimas”.
O Qatar, estado mediador durante o processo de cessar-fogo em Gaza, denunciou a medida como uma “violação flagrante dos direitos históricos do povo palestino e um desafio ao direito internacional”, numa publicação do Ministério dos Negócios Estrangeiros no X.
“O Ministério reafirma a posição firme e de longa data do Estado do Qatar em apoio à causa palestiniana e à determinação do irmão povo palestiniano, com base nas resoluções de legitimidade internacional e na solução de dois Estados”, lê-se.
Statement | Qatar condemns in the strongest terms the Knesset’s approval of two laws aimed at imposing Israeli sovereignty over the occupied West Bank and a settlement#MOFAQatar pic.twitter.com/zpEQwVwLiU
— Ministry of Foreign Affairs – Qatar (@MofaQatar_EN) October 22, 2025
A vizinha Jordânia e a própria Arábia Saudita também criticaram o avanço desta proposta. Também no X, o ministério dos Negócios Estrangeiros jordano chamou à medida de uma “violação flagrante do direito internacional”.
دانت وزارة الخارجية وشؤون المغتربين بأشدّ العبارات مصادقة الكنيست الإسرائيلي بالقراءة التمهيدية على مشروعي قانونين يستهدف أحدها فرض السيادة الإسرائيلية على الضفة الغربية المحتلة فيما يستهدف الآخر شرعنة السيادة الإسرائيلية على إحدى المستوطنات الاستعمارية غير الشرعية؛ باعتباره… pic.twitter.com/YdRNCtGZK1
— وزارة الخارجية وشؤون المغتربين الأردنية (@ForeignMinistry) October 22, 2025
Já Riade expressou a sua “completa rejeição de todos os colonatos e violações expansionistas levadas a cabo pelas autoridades de ocupação israelitas” também no X.
#Statement | The Foreign Ministry expresses the Kingdom of Saudi Arabia's condemnation and denunciation of the Israeli Knesset's approval, in preliminary reading, of two draft laws aimed at imposing Israeli sovereignty over the occupied West Bank and legitimizing Israeli… pic.twitter.com/HGUJiuF9lw
— Foreign Ministry ???????? (@KSAmofaEN) October 22, 2025
Atualizada às 23h37 com reações internas e do mundo árabe