Apesar de o governo britânico ter recusado até ao momento reservar tempo na Câmara dos Comuns para o príncipe André, o irmão de Carlos III poderá mesmo assim enfrentar um debate parlamentar sobre a sua conduta, com os liberais democratas a explorar formas de levantar a questão, avança o The Guardian.
Na semana passada, o Partido Liberal Democrata pediu a abertura de um inquérito no Parlamento para investigar o acordo que permitiu a André viver sem pagar renda durante duas décadas, e Keir Starmer chegou a assumir que estaria aberto à possibilidade dos membros do Parlamento questionarem o príncipe sobre o caso, no entanto, o porta-voz do primeiro-ministro veio mais tarde explicar que “a família real não iria querer retirar tempo de outros assuntos mais importantes”. Agora, uma fonte do Partido Liberal Democrata avançou ao Guardian que o partido estava “a explorar todas as opções, incluindo um debate no dia da oposição, para garantir que o parlamento possa examinar adequadamente — desde a residência do príncipe André no Royal Lodge até o seu ducado”.
“A primeira coisa de que precisamos é de transparência e responsabilização adequadas — é por isso que pedimos que a coroa e o príncipe André prestem depoimento sob juramento no parlamento”, continuou a fonte, acrescentando que os liberais democratas esperam que uma eventual decisão do parlamento seja “em conjunto com o palácio” e em consonância com os desejos de Carlos III.
De acordo com o The Guardian, o Partido Liberal Democrata parece querer tratar qualquer discussão sobre o futuro do príncipe André como uma questão de responsabilidade pública e não de escândalo pessoal. Em privado, houve quem sugerisse que este episódio sublinha a necessidade de aplicar “padrões modernos de escrutínio público” a todas as propriedades financiadas com fundos públicos, incluindo as geridas pela coroa.
No passado dia 17 de outubro, o príncipe André anunciou em comunicado ter renunciado aos seus títulos reais, depois de uma conversa com o Rei Carlos III e com a sua família mais próxima. Com esta decisão continua a ser príncipe da família real britânica, mas cede oficialmente o título de York e todos os outros que lhe foram atribuídos pela mãe. Dias mais tarde, o Telegraph veio avançar que o príncipe André estaria a negociar com representantes do Rei Carlos III a sua saída do Royal Lodge, e que era o próprio Palácio de Buckingham quem estava a pressioná-lo para que deixe voluntariamente a propriedade em Windsor na qual, por contrato, a sua família poderia viver até pelo menos 2078, evitando assim o pagamento de uma multa que ultrapassa os 500 mil euros.
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