A Fed voltou a baixar juros na reunião de política monetária que terminou esta quarta-feira. E pela margem mínima de 25 pontos base, a mesma que já tinha sido aprovada na reunião de setembro. Mas, na conferência de imprensa, arrefeceu a perspetiva de poder voltar a descer na reunião de dezembro (9 e 10). “Uma nova redução na reunião de dezembro não é dado adquirido, longe disso”. O que levou à queda nos mercados acionistas norte-americanos. Faltam seis semanas. Há muitas incertezas, explicou, para indicar que em dezembro poderá ter de ser um momento de cautelas. E foi aqui, sobre o futuro, que as visões distintas entre os governadores presentes vieram ao de cima na reunião, admitiu. Nesta reunião, houve dois votos dissidentes — um para um corte maior; outro para nenhum corte.

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As taxas de juro do dólar ficam assim num intervalo entre os 3,75% e os 4%. Já era um corte esperado pelos mercados. Mas nem por isso Donald Trump, que está em processo de escolha do novo presidente da Fed — Jerome Powell termina mandato — se coibiu de em vésperas da reunião voltar a criticar Powell. Esta foi a sétima reunião da Fed no segundo mandato presidencial de Donald Trump e a segunda com descida de taxas.

Esta segunda descida consecutiva acontece no dia em que o governo federal atinge o 29.º dia sem orçamento (shutdown). Essa paralisação levou, aliás, segundo disse Jerome Powell na conferência de imprensa a seguir ao anúncio da decisão, a que dados económicos “importantes” não tivessem sido divulgados, estando atrasados. Ainda assim os dados disponíveis indicam, diz o presidente da Fed, que as perspetivas para o emprego e para a inflação não mudou muito desde a reunião de setembro.

As condições do emprego estão a arrefecer e a inflação continua um pouco elevada, indica a Fed, recordando que o seu mandato é para máximo emprego e estabilização de preços (com a taxa de inflação em torno dos 2%). O shutdown terá, indica ainda, impacto na economia. A inflação, excluindo o efeito das tarifas, não estará, indica Powell, tão distante da meta de 2%. A Fed estima um impacto das tarifas de cerca de cinco/seis décimas no índice Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE). Ou seja, excluindo esse efeito, o PCE estará em 2,3% ou 2,4%. “No cenário base, a inflação tarifária aumentará, mas será um aumento pontual”, apontou Powell.

Sobre o mercado de trabalho, Powell aponta a baixa taxa de criação de empresa e também é baixa a percentagem de pessoas que encontram emprego. Como também não tem havido dados sobre o emprego, devido ao shutdown, Powell indica que a Fed tem olhado para outros indicadores, nomeadamente o anúncio de despedimentos. Ainda esta semana a Amazon anunciou um corte de 14 mil empregos.

Trump não despediu Powell mas já colocou um homem dos seus na Reserva Federal

A descida de juros teve 10 votos a favor e dois contra. Um dos votos contra foi do “trumpista” Stephen Miran que preferia um corte de 50 pontos. Já o governador do Kansas, Jeffrey Schmid, queria uma decisão contrária — nenhum corte.

Mercados de ações sobrevalorizados? Powell hesita

À pergunta ‘tem preocupações de que os mercados estejam ou estejam a caminho de estar sobrevalorizados’, a resposta não sai direta. Uma hesitação para Jerome Powell responder: “não olhamos para o preço de nenhum ativo individualizado e dizemos ‘está errado’. Olhamos para todo o sistema financeiro e vemos se está estabilizado ou com choques. Os bancos estão bem capitalizados e as famílias, de um modo geral, estão em boa situação, apesar de alguma dívida, não há muita alavancagem dos bancos ou no sistema financeiro. É um retrato misto, mas nós não fixamos preço, os mercados é que o determinam”.

Ainda esta quarta-feira a Nvidia atingiu a capitalização de 5 biliões de dólares em Wall Street, no dia a seguir à chegada pela Microsoft e pela Apple dos 4 biliões.

Nvidia atinge valor de 5 biliões em bolsa

Ainda assim sinaliza a diferença com a bolha das dotcom no início dos anos 2000.

Fed congela balanço a partir de dezembro

Além do corte de juros a Fed anunciou que vai parar de reduzir o seu balanço — como vinha a acontecer — pelas condições mais restritivas de liquidez no mercado monetário e com os níveis de reservas bancárias em queda. Assim, a partir do primeiro dia de Dezembro a Fed vai renovar os títulos do Tesouro que vençam. Até agora a Fed não renovava os títulos (até cinco mil milhões de dólares) que vencessem a cada mês. A partir de 1 de dezembro vai procurar manter estável o stock de Tresuries.

O balanço está nos 6,6 biliões de dólares.

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