O último encontro de Xi Jinping e Donald Trump tinha sido durante a cimeira do G20 no Japão, em junho de 2019. Agora, passados quase seis anos e meio, os dois Presidentes voltaram a encontrar-se, numa reunião bilateral na Coreia do Sul. “O G2 VAI REUNIR-SE EM BREVE!“, escreveu Trump nas suas redes sociais momentos antes da reunião, utilizando um conceito norte-americano que ironiza os grupos do G7 e do G20 para ressalvar a relevância global das duas maiores economias do mundo.
Ora, as relações económicas entre Washington e Pequim foram precisamente o foco da reunião desta quinta-feira. Com cerca de uma hora e 40 minutos de duração, o encontro durou mais do que o previsto e, ainda que tenha terminado sem a assinatura de um acordo comercial, o Presidente norte-americano antecipou que este está para breve.
A bordo do avião presidencial, já de regresso aos Estados Unidos, Donald Trump adiantou que Xi concordou em fazer frente ao fluxo para os Estados Unidos de químicos que compõem o fentanil — um opióide sintético que é maior causa de overdoses mortais no país. Em troca, Washington vai reduzir, com efeito imediato, as tarifas adicionais impostas especificamente por causa deste problema. Deste modo, as tarifas totais impostas pelos Estados Unidos à importação de produtos chineses baixa para os 47%.
A guerra comercial entre os dois países, que levou à imposição de sucessivas tarifas de retaliação que chegaram a ultrapassar os 100%, tem, assim, um fim à vista. A trégua temporária que tinha sido acordada para pôr fim a estas retaliações termina no início de novembro, mas os dois líderes acordaram renová-la por um período de um ano, com uma revisão anual, relatou por sua vez o Ministério do Comércio da China.
O Governo chinês confirmou ainda um acordo na área das terras raras — um conjunto de 17 minerais relevantes para a produção de tecnologia de ponta e equipamento militar cujas maiores jazidas mundiais estão na China. Pequim controla a maior parte da exploração, processamento e exportação mundial de terras raras e aceitou levantar uma parte dos apertados controlos à exportação, que tinham sido impostos este mês. Nas palavras de Donald Trump, o assunto das terras-raras “ficou resolvido”. Contudo, Pequim não fez qualquer referência ao fim dos controlos impostos em abril que também afetam a produção de algumas indústrias ocidentais que dependem destes materiais.
Pequim concordou também em voltar a comprar “grandes quantidades” de soja produzida nos Estados Unidos, relatou Trump aos jornalistas — isto representa uma vitória para o Presidente norte-americano, tendo em conta que uma parte relevante do seu eleitorado depende da exploração e exportação deste produto agrícola, destaca a BBC. Em troca, Washington não fechou a porta a uma das principais exigências de Pequim, que quer comprar chips de computador avançados. Os chips são produzidos pela Nvidia, mas a sua venda é restringida pela administração norte-americana. Trump declarou que a China vai dialogar diretamente com a Nvidia e que Washington vai servir apenas de “árbitro”. Os dois líderes também tocaram na questão do Tiktok, sem terem avançado, no entanto, qualquer tipo de acordo sobre o funcionamento da aplicação.
Além das questões económicas, Trump e Xi debruçaram-se sobre a guerra na Ucrânia, segundo o Presidente norte-americano. Os dois concordaram “trabalhar em conjunto”, mas “não há muito mais que possam fazer”, disse simplesmente, acrescentando que não houve qualquer discussão sobre o facto de a China ser o principal importador de petróleo russo — Trump tem insistido com vários países para que parem de comprar combustíveis russos. De fora ficou também outro tema geopolítico dedicado: Taiwan, a ilha sobre a qual a China continua a reivindicar soberania.
Tendo em conta todos os desenvolvimentos, Donald Trump não hesitou em classificar a reunião como “um grande sucesso”. Mais contido, o comunicado do gabinete do Presidente chinês garante que a cooperação entre as duas maiores economias do mundo tem “perspetivas promissoras”. E depois de Busan, o próximo passo da cooperação sino-americana já tem nova data marcada: uma deslocação de Trump à China em abril de 2026.