Cerca de 700 pessoas morreram desde quarta-feira nos protestos pós-eleitorais na Tanzânia, avançou esta sexta-feira o partido de oposição Chadema.
“No momento em que falamos, o número de mortos em Dar Es Salam é de cerca de 350, e há mais de 200 em Mwanza. Se somarmos os números de outras zonas do país, chegamos a um total de cerca de 700 mortos”, declarou o porta-voz do Chadema, John Kitoka, à agência de notícias France-Presse (AFP).
“A nossa mensagem ao Governo é: parem de matar os nossos manifestantes. Parem com a brutalidade policial. Respeitem a vontade do povo, que é a justiça eleitoral”, apelou o porta-voz do Chadema, que anunciou para esta sexta-feira novas manifestações na capital comercial, Dar Es Salam.
A AFP reportou também que uma das suas fontes na área da segurança avançou um balanço de mortes semelhante e confirmou que centenas de pessoas estão esta sexta-feira a manifestar-se.
Protesters in #Tanzania have torched government buildings as the youth-led rioters took to streets angered over the disputed Oct 29 elections, which saw opposition leaders jailed and violent clashes nationwide.
Limited footage was available as internet services were shutdown.… pic.twitter.com/7LPgehc76t
— Shafek Koreshe (@shafeKoreshe) October 30, 2025
Um representante da Amnistia Internacional, ouvido pela AFP, indicou ter recebido informações sobre pelo menos 100 mortos na Tanzânia nos últimos dois dias.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos também apelou esta sexta-feira às forças de segurança da Tanzânia para que não recorram a uma força “desnecessária ou desproporcionada” contra os manifestantes, após os episódios de violência eleitoral.
“Instamos as autoridades a garantirem investigações rápidas, imparciais e eficazes sobre todos os casos de violência relacionados com as eleições”, declarou o porta-voz do Alto Comissariado, Seif Magango, em conferência de imprensa.
O Chadema foi excluído das eleições por se recusar a assinar o código eleitoral que, de acordo com o partido da oposição, não incluía as reformas exigidas, apelando ao boicote das eleições. O líder, Tundu Lissu, detido em abril, está a ser julgado por traição, uma acusação punível com a pena de morte.
O candidato do outro principal partido da oposição, Luhaga Mpina, do ACT-Wazalendo, foi desqualificado por razões processuais.
“Na realidade, não houve eleições. Precisamos de um Governo de transição que nos conduza a uma votação livre e justa”, acrescentou John Kitoka.
Desde quarta-feira que vários protestos exclodiram na Tanzânia, principalmente em Dar Es Salam, com os manifestantes a criticarem a Presidente, Samia Suluhu Hassan, que procura um segundo mandato, e o partido no poder Chama Cha Mapinduzi, que governa o país desde a independência em 1961.
O exército já foi visto a patrulhar as ruas e um recolher obrigatório foi anunciado logo na quarta-feira.