O Observatório Europeu dos Media Digitais (EDMO) publicou esta sexta-feira o mapa de fact-checking de outubro e destacou a desinformação sobre uma petição portuguesa com milhares de assinaturas que apelava para Israel “não devolver” a deputada Mariana Mortágua.
Em outubro, o observatório europeu salientou no plano português a existência de uma petição pública “que apelava ao estado de Israel para não devolver um deputado português que se juntou à frota humanitária para Gaza”.
Em causa, está uma petição com mais 62 mil assinaturas que pedia a Israel para “não devolver” a deputada do Bloco de Esquerda (BE) Mariana Mortágua, embora não tivesse os fundamentos legais para ser encaminhada para o parlamento.
De acordo com a Constituição portuguesa, o exercício do direito à petição exige que cada subscritor seja identificado com o nome e o número do cartão de cidadão ou bilhete de identidade, ou através de outro documento de identificação válido, mas na petição em causa não era solicitado nenhum destes números.
A deputada Mariana Mortágua regressou a Portugal em 5 de outubro.
Em Espanha, o EDMO relembra as cheias em Valência, que mesmo um ano depois continuam a promover centenas de vídeos com falsidades no TikTok e no YouTube.
“Alguns têm mais de dois milhões de visualizações, mas nenhuma das plataformas alerta os utilizadores sobre este conteúdo, apesar das alegações terem sido desmentidas há meses”, refere o observatório.
Uma investigação da plataforma de verificação de factos espanhola Maldita estima que os vídeos com desinformação climática sobre o acontecimento já acumularam, no total, pelo menos 21 milhões de visualizações.
Este mês, o panorama desinformativo francês ficou marcado pelo roubo ao Museu do Louvre, com especial destaque para um suposto vídeo que mostrava o crime na galeria de arte, difundido online e em vários idiomas, mas criado com Inteligência Artificial (IA).
Na Alemanha, circularam vídeos de uma conferência de imprensa realizada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, nos quais afirmava haver uma ligação entre o uso de paracetamol e o autismo, aconselhando mulheres grávidas a parar de usar o analgésico.
A afirmação de Trump é factualmente incorreta, uma vez que, segundo vários estudos não existem provas que evidenciam qualquer ligação entre o medicamento e o autismo.
Falsas notícias sobre esta possível relação já tinham chegado a Portugal durante o mês de setembro.
Já em Itália, o observatório europeu realça um estudo da organização de combate à desinformação NewsGuard sobre a nova ferramenta de conversão de texto em vídeo da OpenAI, o Sora 2, capaz de gerar vídeos hiper-realistas com desinformação em 80% das vezes.