O Ministério Público arquivou o processo de investigação à morte do ex-ministro António Couto dos Santos, que em janeiro foi encontrado num lago no Citygolf, na Senhora da Hora, em Matosinhos. A informação foi avançada pelo Correio da Manhã, que noticiou que o despacho de arquivamento indica que não foi determinada a causa da morte e aponta como provável a hipótese de um acidente.
“Resulta que a morte pode ter-se devido a um acidente, não tendo sido recolhidos quaisquer indícios de que esta tivesse intervenção criminosa de terceiros, pelo que os factos não têm relevância jurídico-criminal. Não foi possível apurar a existência de indícios suficientes para a verificação de um crime”, refere o despacho de arquivamento assinado pelo procurador João Paulo Trindade e consultado pelo Correio da Manhã.
Couto dos Santos, o “ilustre militante” e ministro que enfrentou a “geração rasca”
No despacho o procurador sublinhou que o corpo “não apresentava quaisquer lesões traumáticas (interiores ou exteriores), nem a presença de vestígios toxicológicos que pudessem indicar a possibilidade de estar perante um ilícito criminal”. Na decisão de 1 de julho escreveu ainda que, momentos antes de ser encontrado morto, António Couto dos Santos foi avistado junto ao lago, aparentemente bem, e que nenhum dos seus pertences foi roubado.
João Paulo Trindade apontou como indícios de um acidente uma bola encontrada na borda do lago e as marcas de escorregamento na lona, que tinha lama e lodo. “Isto indica que o falecido ter-se-á deslocado à beira do lago para ir buscar a bola que foi lá parar e que, por infortúnio, terá escorregado na lona e caído ao lago, vindo a falecer nesse seguimento”, nota-se.
António Couto dos Santos foi também deputado pelos distritos de Setúbal (1987-1994) e de Aveiro (2009-2015), presidente do Conselho de Administração (CA) da Assembleia da República (2011-2015), presidente da Comissão Parlamentar de Saúde (2009-2011) e vice-presidente da mesma comissão (2011-2015). Foi por quatro vezes membro dos governos de Cavaco Silva: secretário de Estado da Juventude, ministro dos Assuntos Parlamentares, ministro da Educação e ministro Adjunto e da Juventude.
O antigo governante passou também na Quimigal (1983-1985) e foi presidente executivo da Associação Empresarial de Portugal (1995-2007). Além disso, integrou o CA do Hospital da Amadora (1995-2003), presidiu à Casa da Música no Porto (2004-2005) e foi membro de diversos órgãos sociais na área dos media, comunicações, construção, energia e ambiente). Desempenhou ainda as funções de cônsul honorário da Rússia no Porto, tendo renunciado às funções em 26 de fevereiro de 2022, após o início da invasão em larga escala na Ucrânia.