A Casa Branca está a desenvolver vários planos para o futuro da Venezuela — e praticamente todos eles coincidem que o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, tem de sair do poder. De que forma é que isso será feito é o que ainda está a ser discutido, havendo ainda alguma indecisão na presidência norte-americana, segundo apurou o New York Times junto de fontes familiarizadas com o assunto.

Em última instância, a decisão caberá ao Presidente norte-americano, Donald Trump. O Chefe de Estado quer evitar que as tropas norte-americanas corram riscos desnecessários, assim como deseja prevenir um falhanço para os Estados Unidos da América (EUA). Em paralelo, a presidência pretende não incomodar as vozes que defendem políticas não intervencionistas no seio da sua base eleitoral. Mas este posicionamento está a ser questionado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, juntamente com o conselheiro de Segurança Interna Stephen Miller, que estão a influenciar o Chefe de Estado a agir de forma mais agressiva e assertiva contra a Venezuela.

A Casa Branca procura também uma justificação legal para atacar a Venezuela. Os conselheiros de Donald Trump já pediram ao Departamento de Justiça para que forneça a base legal para qualquer ação militar em solo venezuelano. A presidência procura saber como poderá atacar o país sul-americano sem a aprovação do Congresso — e sem precisar de uma declaração de guerra. Numa entrevista à CBS News, o Chefe de Estado norte-americano já declarou que “duvida” que vá haver um conflito direto.

Ainda assim, Donald Trump deixou claro, na mesma entrevista, que os dias de Nicolás Maduro como Presidente “estão contados”. Enviando alguns sinais ambíguos e não sendo totalmente claro na mensagem, o Presidente norte-americano não terá de decidir para já o futuro de uma possível ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela.

Uma futura decisão final apenas será tomada quando o porta-aviões Gerald R. Ford, juntamente com um conjunto de aeronaves, chegar às Caraíbas, algo que se espera que aconteça em meados de novembro. Este equipamento militar, explica o New York Times, traz cinco mil marinheiros e eleva as capacidades ofensivas dos Estados Unidos em território venezuelano. Porém, já estão agentes da CIA na Venezuela a tentar recolher informações.

Na presidência norte-americana já se concluiu, no entanto, que a presença da CIA na Venezuela não obterá grandes resultados. A Casa Branca entende, assim, que é necessário agir de modo mais assertivo para tirar Nicolás Maduro — que os Estados Unidos acusam de ser o líder de um cartel — do poder, estando a ser desenhados vários planos, destacando-se três.  

O primeiro envolve ataques aéreos contra instalações militares, algumas das quais envolvidas no tráfico de droga. O objetivo é colapsar o apoio militar ao regime de Nicolás Maduro, que, neste cenário, poderia procurar fugir da Venezuela ou então sair de Caracas, o que tornaria mais fácil a sua captura. Esta abordagem — a menos agressiva — tem, contudo, um problema, como apontam alguns críticos: o facto de que os venezuelanos poderem ver o Chefe de Estado como um mártir e apoiá-lo.

A segunda hipótese consiste em enviar tropas de operações especiais norte-americanas para tentar capturar (ou eventualmente matar) o Presidente venezuelano. Nesta opção, a administração Trump está a estudar como é que se desresponsabilizaria de prender ou matar um líder estrangeiro. A solução parece ser argumentar que Nicolás Maduro é o líder de um gangue de narcoterroristas — e é um criminoso procurado pelas autoridades norte-americanas.

A terceira possibilidade é a mais radical. Implica o envio de brigadas antiterrorismo para a Venezuela, com a finalidade de controlar algumas bases militares, petrolíferas e infraestruturas vitais. Esta opção é mais arriscada para as tropas norte-americanas no terreno. Por agora, Donald Trump contempla apenas levar a cabo ataques a longa distância, mas estes apenas serão mais viáveis quando o porta-aviões Gerald R. Ford chegar às Caraíbas.

O Presidente norte-americano também está focado noutro assunto: nas reservas de petróleo que a Venezuela tem. Mas ainda não é claro o que aconteceria se Nicolás Maduro saísse do poder: se os Estados Unidos se apropriariam das mesmas, ou se as geririam em conjunto com o futuro líder venezuelano, que, em teoria, seria o principal rosto da oposição, María Corina Machado.