A Caixa Geral de Depósitos acumulou praticamente 1.400 milhões de euros em lucros nos primeiros nove meses do ano, um aumento de 2% em relação ao mesmo período de 2024 e o valor mais elevado que o banco público alguma vez registou em apenas três trimestres. A informação foi divulgada em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários e apresentada em conferência de imprensa liderada por Paulo Macedo, o presidente da comissão executiva do banco público.
O lucro que, em rigor, somou os 1.399 milhões, compara com 1.369 milhões de euros do período homólogo, um valor que Paulo Macedo diz ser “compatível” com a previsão de um pagamento de aproximadamente 1.000 milhões de euros em dividendos que está plasmada no Orçamento do Estado. O presidente da comissão executiva admite, até, que o banco público poderia conseguir distribuir um dividendo ainda maior – algo que estaria sempre sujeito à aprovação por parte dos reguladores do setor.
Os lucros representam uma rentabilidade dos capitais próprios (ROE) de 24,9% em termos brutos. “Os próximos anos ao nível da rentabilidade não serão semelhantes” aos últimos anos.
Este desempenho foi sustentado pelo crescimento do volume de negócios, que contribuiu para mitigar os efeitos adversos da redução das taxas de juro sobre a margem financeira do Grupo Caixa. O enquadramento macroeconómico favorável e os elevados níveis de recuperação de crédito continuaram a suportar a redução das provisões e imparidades durante o período”, afirma a CGD.
A atividade doméstica foi responsável por 1,29 mil milhões de euros do resultado líquido consolidado, enquanto a atividade internacional contribuiu com 106 milhões de euros, indica a Caixa Geral de Depósitos.
No futuro estamos à espera de resultados menores, porque o impacto das taxas de juro já se reflete, mas ainda vai haver um repricing portanto para o ano ainda vamos ter alguma redução das margens”, acrescenta o presidente da comissão executiva do banco público.
A margem financeira do banco diminuiu 206 milhões de euros (cerca de 10%) para 1.916 milhões de euros, no contexto da descida das taxas de juro face aos máximos de 2023. A margem financeira, em termos simples, refere-se à diferença entre os juros que o banco paga para se financiar (depósitos, BCE, etc.) e os juros que recebe nos empréstimos que concede.
O banco salienta, também, que as comissões cobradas subiram 1% para 439 milhões (apesar de os preçários não terem tido alterações nos últimos três anos), o que Paulo Macedo considera uma “estabilização”. Olhando para o futuro, Paulo Macedo disse que não está previsto um “aumento generalizado de comissões” mas irá haver uma “reflexão, caso a caso” sobre algumas das comissões cobradas e isenções que são dadas, à luz do que é cobrado e isentado pelos outros bancos.
Estamos tranquilos com as comissões mas estamos a ficar completamente desfasados em relação aos outros bancos”, afirma o presidente da comissão executiva da Caixa Geral de Depósitos.
Na comparação entre setembro de 2024 e setembro de 2025, o banco público passou a ter menos 141 colaboradores (menos 105 na operação portuguesa).
Caixa solicitou mais 250 milhões de reforço do plafond da garantia jovem
Na apresentação dos resultados, o banco destacou que os novos empréstimos à habitação ultrapassaram os quatro mil milhões nos primeiros nove meses de 2025, o que é um aumento de 49% face ao ano passado. Trata-se de uma produção mensal média superior a 450 milhões por mês.
O banco público já pediu ao Ministério das Finanças um reforço do plafond máximo da garantia para crédito jovem que foi atribuída a cada banco, revelou António Valente, novo administrador financeiro da Caixa Geral de Depósitos, banco que aumentou em 73% a produção de crédito à habitação (como um todo).
“O segmento jovem (até 35 anos) representou mais de 50% do montante contratado, beneficiando de medidas públicas e de uma oferta dedicada”, afirma o banco, revelando que houve 12.800 processos de crédito jovem até agora, ao abrigo da medida que chegou ao “terreno” há menos de um ano e através da qual os jovens podem aceder a uma garantia parcial para obter crédito à habitação mesmo sem a entrada inicial requerida pelos requisitos regulamentares.
Paulo Macedo acrescentou que o banco solicitou mais 250 milhões de euros de reforço do plafond máximo que lhe tinha sido atribuído.
Macedo diz que Caixa é o maior contribuinte em Portugal, paga 8% do IRC
Depois de o ministro das Finanças ter admitido um novo imposto especial sobre a banca, Paulo Macedo responde que “a nós parece-nos que a tributação atual é uma tributação significativa”.
“Pagamos 8% do total de IRC que o Estado recebe, a Caixa paga o maior valor de impostos em Portugal”, refere o banqueiro, reconhecendo ser normal a Caixa ter resultados e pagar impostos.
Eu não gosto de impostos extraordinários e gosto de estruturas fiscais simples, que se mantêm no tempo – essa é a minha posição individual”, afirmou o banqueiro.
Mas Macedo questiona: “Porquê [um imposto] adicional num setor?”. Além disso, “a questão é saber o que queremos fazer com a despesa [pública]”, acrescenta o gestor.