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As autoridades israelitas estão a tentar confiscar 50 embarcações utilizadas por ativistas nas duas flotilhas que tentaram romper o bloqueio naval imposto a Gaza entre setembro e outubro deste ano, incluindo a que Mariana Mortágua integrou. No pedido apresentado no Tribunal de Haifa esta segunda-feira, a Procuradoria-Geral alega que uma parte significativa dos navios pertence a uma empresa de fachada ligada ao Hamas, que terá ajudado a financiar e a coordenar a operação, noticiou o Times of Israel.

De acordo com a acusação, 16 embarcações eram propriedade da empresa Neptune Cyber, que estaria ligada a uma ONG associada ao Hamas, a Conferência Popular para os Palestinianos no Estrangeiro (PCPA, na sigla inglesa). As autoridades admitem, ainda, não ter conseguido identificar todos os proprietários dos navios visados pelo processo.

A Procuradoria-Geral israelita argumenta que o direito internacional permite a um Estado soberano “apreender embarcações que tentem violar um bloqueio marítimo”. No pedido, os procuradores descrevem as flotilhas como uma operação “sem precedentes em escala e coordenação”, alegando que os navios navegavam de forma organizada e com “manobras semelhantes às de embarcações militares”.

Israel diz que tem provas que ligam o Hamas à flotilha que está a caminho de Gaza

Na altura em que a Global Sumud Flotilla se dirigia para Gaza, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel referiu que Zaher Birawi (que é um dos organizadores de flotilhas para Gaza nos últimos 15 anos) estava identificado como funcionário de PCPA — que, segundo Israel, “é subordinada ao Hamas e funciona como um braço do movimento”.

A Global Sumud Flotilla — que integrava uma iniciativa internacional de solidariedade que pretende levar ajuda humanitária à população palestiniana da Faixa de Gaza — era composta por centenas de pessoas de 44 países, tinha cerca de 50 embarcações e foi intercetada entre os dias 2 e 3 de outubro.

Uma semana depois, Israel intercetou os nove navios – um navio e oito veleiros – que compunham uma segunda flotilha, conhecida como Libertad-Thousand Madleens, e prendeu cerca de 145 ativistas que estavam a bordo das embarcações.

Diretos nas redes sociais, telemóveis ao mar e “mãos ao ar”. Como três portugueses da flotilha a caminho de Gaza foram detidos por Israel

Os ativistas foram detidos e posteriormente deportados, incluindo a dirigente do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, a atriz Sofia Aparício, Miguel Duarte e Duarte Chaves. Os quatro portugueses chegaram a Portugal ao final da noite de dia 5 de outubro.