Sem usar a palavra bloqueio, numa altura em que se mantém a incerteza sobre as mudanças do TikTok nos EUA, Khartoon Weiss, vice-presidente da área de soluções globais de negócio do TikTok, veio a Lisboa transmitir “otimismo” perante as dúvidas sobre o que acontecerá num mercado onde a app tem 170 milhões de utilizadores.

“Estamos otimistas — e temos estado assim nos meus cinco anos e meio na empresa. Nunca vi um grupo de pessoas tão dedicadas a construir — estamos a desenvolver [tecnologia] para mais de 150 países em todo o mundo e para mais de 1.110 milhões de pessoas”, respondeu quando questionada sobre as mudanças previstas para os EUA.

A presença da aplicação nos EUA tem passado por altos e baixos ao longo dos últimos cinco anos. O facto de a ByteDance, a dona do TikTok, ser uma empresa chinesa motivou, em 2020, preocupações com a segurança nacional da app.

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Com os EUA e a China ainda a negociar os detalhes finais do acordo, que pode ditar que o TikTok nos EUA passe para as mãos de uma empresa americana, Weiss preferiu desdramatizar. “Somos um grupo de profissionais que adora um desafio. Temos a concorrência a morde-nos os calcanhares e estamos preparados para correr, construir e pensar mais para sermos um parceiro para criadores de conteúdo”, afirmou. O feed vertical de vídeos, que tornou o TikTok popular, já não pertence só à app: a Meta tem o Reels e até a OpenAI, a dona do ChatGPT, está a preparar o lançamento de uma app de vídeos verticais para concorrer com a empresa.

“Estamos prontos para a próxima fase”, assegurou Khartoon Weiss. Do ponto de vista da executiva, o TikTok “passou de ser [um serviço] de música, dança e diversão para um motor de crescimento para a economia”. Deu como exemplo prático de fenómenos que saltaram do digital para o mundo real o crescimento de “40% de impulso nas vendas de livros nos últimos 18 meses” devido à tendência do booktok (contas dedicadas à leitura no TikTok) ou ainda o traveltok, as contas de viagens. “As pessoas estão a viajar de Lisboa a Quioto com as recomendações” da plataforma, notou. “Está a ter impacto no mundo real, muito além do digital.” Ou, na política, a forma como a campanha de Zohran Mamdani a mayor de Nova Iorque também teve uma estratégia ligada ao TikTok.

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Partilhou também um caso pessoal. Esteve em Lisboa, na altura do Natal do ano passado, e encontrou no TikTok uma recomendação de uma pequena loja em que é possível comprar luvas. “É um senhor que percebe o tamanho da luva que é precisa só por olhar para a mão. São as melhores luvas que comprei.” Prometeu levar umas à mãe, nesta viagem de 2025, mas a promessa ficará por cumprir. “Fui lá, não havia fila. A senhora disse-me que só tinha dois pares.” Quando perguntou o que tinha acontecido recebeu uma resposta de duas palavras: “Esgotaram. TikTok”, citou. “Fiquei espantada e orgulhosa.”

A Web Summit deste ano leva a palco alguns dos fenómenos de popularidade do TikTok: na abertura, Khaby Lame, seguido por 161 milhões de pessoas, ou a série “Career Ladder”, que teve direito a episódios gravados no exterior do Meo Arena. A ideia é simples: alguém sobe a uma escada e há apenas dois minutos para fazer perguntas que permitam adivinhar a profissão.

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A executiva do TikTok aproveitou o palco para tentar tranquilizar os criadores de conteúdos como estes de que, mesmo com mudanças, a app continuará a ser um local de negócio. “É a nossa responsabilidade dar-lhes apoio”, vincou, incluindo através de “ferramentas e serviços”. “Desde dados para perceber como a plataforma está a interagir com eles, como a inteligência artificial os pode ajudar, não a substitui-los.”

No fim, quis transmitir a ideia de que o TikTok quer continuar a passar por “redefinir a descoberta, mudar o comportamento digital e a forma como as pessoas interagem com os criadores, comunidade e conversa que leva a comércio”.