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Corbis via Getty Images

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Esquerda portuguesa estuda Zohran Mamdani, mas vê risco de "devaneios"

À esquerda, identificam-se fórmulas a repetir — a simplicidade "contra os intelectuais" é uma, o foco nas questões económicas outra — mas há quem avise para os "danos do populismo de esquerda".

Com os olhos do mundo postos nele, a partir de um púlpito amarelo e roxo, Zohran Mamdani tomou a palavra e declarou: “Em tempos de escuridão política, Nova Iorque será a luz”. E a esquerda portuguesa, que atravessa o seu próprio período de escuridão, viu no clarão provocado pelo novo mayor de Nova Iorque uma possível, mesmo que distante, luz ao fundo do túnel. A vitória do “socialista democrático” nova-iorquino entusiasmou alguns até à euforia — mas também leva, sobretudo nas alas mais centristas do PS, a avisos contra “devaneios desesperados” e lembretes sobre as condições específicas daquela corrida e daquela cidade.

Pedro Nuno Santos publicou uma reflexão sobre o “raio de luz e esperança” que prova que a “obsessão” da esquerda em estar ao centro e na moderação a torna “desinteressante”. Alexandra Leitão viu ali um exemplo de como vencer o “populismo fácil”. Catarina Martins celebrou a vitória do homem a quem chamavam, lembrou, “radical”, e que partilha várias propostas com a esquerda portuguesa. José Luís Carneiro alegrou-se com a vitória do jovem “progressista”. Um pouco por toda a esquerda, falou-se em esperança e nas pistas de Mamdani que é preciso seguir.

O Observador quis ouvir mais vozes à esquerda e encontrou reflexões sobre o que Mamdani conseguiu fazer — contrariar quem dá “mau nome ao socialismo”, tornando o conceito popular outra vez, diz João Torres; fazer uma campanha de “autenticidade” e “alegria”, segundo Marta Temido; falar dos problemas concretos — e económicos — das pessoas sem se deixar enredar pelo “folclore dos costumes”, acrescenta Miguel Tiago; entre outras qualidades, apontadas por nomes como Rui Tavares e Joana Mortágua, relativas à forma “simples” como comunicou e conseguiu impor a sua agenda.

Mas também há cautelas e avisos: desde logo, entre quem, nos partidos portugueses de esquerda, lembra que Nova Iorque é uma cidade específica, com condições específicas, e dificilmente “transponíveis” para a Europa ou para Portugal; também quem reconhece que a esquerda acredita que encontrou aqui uma esperança, mas sobretudo por estar “desesperada” por encontrar o caminho da recuperação, avisa Francisco Assis. Para Ascenso Simões, há um perigo concreto à espreita: a dificuldade de concretizar a agenda prometida pode abater-se sobre Mamdani, provando que “o populismo de esquerda é tão danoso como o de direita”.

"Tens a enorme responsabilidade aos ombros de mostrar ao mundo que o nosso sistema de valores pode governar bem e forma eficiente", avisou Bernie Sanders. No PS, Mamdani é visto como uma figura que pode ajudar a restaurar a imagem do socialismo democrático

Missão: tornar o socialismo popular e recuperar a classe trabalhadora

Num vídeo que publicou nas suas efervescentes redes sociais, em que está sentado a conversar com Bernie Sanders, uma das suas figuras inspiradoras, o antigo senador do Vermont diz baixinho a Mamdani, em tom de brincadeira: “Tivemos uma ideia radical… não quero que ninguém nos ouça… é que prestámos atenção às necessidades das pessoas”. Os dois riem-se. Noutra conversa, Sanders, que apareceu em vários eventos de campanha para apoiar Mamdani, avisa-o: “Tens a enorme responsabilidade aos ombros de mostrar ao mundo que o nosso sistema de valores pode governar bem e de forma eficiente”. Mamdani responde: “A luta para que todas as pessoas possam viver uma vida digna é muito popular neste país”.

A base de uma campanha em que os apoiantes aparecem em comícios e convívios e batem a milhões de portas agarrando cartazes que pedem uma “cidade acessível” é mesmo essa: descomplicar, transmitir ideias simples para pessoas comuns, focar o discurso no custo de vida e oferecer o socialismo (“democrático”, vai acrescentando Mamdani) como uma solução, num país que há meses dava uma vitória esmagadora a Trump. Oligarcas contra pessoas comuns, bilionários — Mamdani tem-se reunido com grandes empresas e visitado pequenos comércios — contra quem não consegue pagar a renda de casa, um apelo às massas.

Visto da perspetiva da esquerda portuguesa, há um paralelo a fazer: “Apesar das manifestações públicas de Trump [contra Mamdani], estamos a falar de uma pessoa que é apenas um socialista do campo democrático. Em Portugal, tem havido da parte de PSD, IL e Chega uma intenção muito clara de dar má fama ao socialismo, e isso também está associado à polarização dos EUA e à forma como Trump se ancora a regimes supostamente socialistas — que não o são, porque não são democráticos”, nota o socialista João Torres, notando assim a “esperança” e o “impulso” que o novo mayor dá ao “tão atacado socialismo democrático, que não representa o que tantas pessoas maliciosamente lhe tentam aportar”.

Por isso, para o deputado socialista, foi preciso “não aceitar os pressupostos” impostos por um debate público virado à direita, como o PS não deve, de resto, aceitar em Portugal: “Antes de responder aos temas, temos de pôr em questão os axiomas que a direita nos quer impor”. E no caso de Mamdani nenhum dos papões do “radicalismo” agitados ao longo da campanha, fosse por Trump ou pelo adversário Andrew Cuomo, colaram, explica. “Mamdani é um bom produto e uma boa resposta à polarização dos EUA”.

Depois houve o foco nas questões que mais afetam as pessoas comuns, a classe trabalhadora e a classe média, foco que a esquerda portuguesa jura tentar replicar — embora admita que por vezes se distrai. Ao Observador, o comunista Miguel Tiago — falando em seu nome, não em representação do partido — nota que o candidato conseguiu “ligar-se às massas” prometendo “ir ao encontro das reais necessidades (o alojamento, custo de vida, os salários) e que na esquerda portuguesa isso nem sempre acontece.

"Muitas pessoas têm manchado o nome da esquerda ao associarem-se apenas ao folclore dos costumes, governando depois como liberais, e isso tem sido fatal para muita esquerda -- mesmo a que não professa essa religião acaba por levar por tabela", avisa Miguel Tiago

“Se eu resumir a minha política de esquerda à simpatia pelas causas LGBT ou antirracismo vou contribuir para a caricatura da esquerda”, alerta. “Muitas pessoas têm manchado o nome da esquerda ao associarem-se apenas ao folclore dos costumes, governando depois como liberais, e isso tem sido fatal para muita esquerda — mesmo a que não professa essa religião acaba por levar por tabela“.

É isso, defende, que o PCP tenta fazer — ou não falasse Paulo Raimundo abertamente das bilhas de gás que compra ou do aumento do seu crédito habitação, ou o PCP ter como “pequenos corações” as células nas empresas — mas “conseguir trazer isto para o debate nacional é o mais difícil”. Neste caso, aponta o comunista, porque outros partidos “fazem tudo para debater o que não nos importa — imigração, crimes, burcas, o PCP tenta centrar-se no que ocupa o dia dos portugueses mas não estamos a jogar sozinhos no tabuleiro”; além disso, critica, à esquerda “infelizmente muitos têm feito o jeito à direita; racismo, imigração, burca, Chega, tudo isto tomou debate à esquerda. A esquerda, que devia estar focada em resolver problemas da maior parte da população, acaba por ser associada a um grupo de intelectuais que querem resolver um problema de pequenas partes da população”.

Talvez por isso, noutro dos vídeos que Mamdani publicava nas suas redes sociais, num discurso feito em Staten Island, falava dos eleitores de Trump, do trabalho que andava a fazer ouvindo-os e percebendo o que os afligia, de “perceber que encontraram uma linha” comum aos dois, em campanha, sobre a “crise sufocante do custo de vida”, mas vincando a diferença: Trump não “cumpre” e “traiu a classe trabalhadora americana”; o objetivo de Mamdani é garantir que a via socialista não o fará.

“Não nos conformamos com a existência miserável da maioria”, dizia Sérgio Sousa Pinto esta semana, no programa RealPolitik, da rádio Observador, em que apontava o dedo à “oligarquia endinheirada que torrou fortunas para convencer o eleitorado de que ele era um marxista, um comunista, um perigo para as liberdades (…)”, que quer responder às “mesmas” angústias que se vivem em Portugal. “A radicalização não é o caminho, mas as pessoas precisam de esperança. Que se controlem as rendas, que as pessoas possam viver com dignidade”, defendia Sousa Pinto, definindo Mamdani como um “socialista democrático”, como ele próprio ou como Mário Soares.

▲ Marta Temido e Pedro Nuno Santos teceram elogios rasgados a Mamdani

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

O segredo da simplicidade contra os “intelectuais de esquerda”

A forma como Mamdani conseguiu passar a sua mensagem, numa campanha muito ligada ao contacto porta à porta, aos comícios de convívio entre os apoiantes e, no geral, ao contacto com a população, também é admirada à esquerda, como explica a eurodeputada do PS Marta Temido, que reconhece que “todos [à esquerda] se fizeram a mesma pergunta” ao constatarem a vitória de Mamdani: “O que é que aqui é significativamente diferente?”.

Para a socialista, a resposta é “o regresso a uma autenticidade relativamente aos princípios, valores, propostas e até à própria forma de fazer campanha”, admitindo o seu “ceticismo” sobre o “artificialismo e taticismo na política, que a tornam plástica“. Já Mamdani, argumenta, mostrou uma “autenticidade e sinceridade de princípios” que chegou às pessoas, além de ter feito uma campanha “com alegria” e frescura.

Zohran Mamdani é uma inspiração para a esquerda portuguesa?

A forma de passar a mensagem também é analisada pelo co-porta-voz do Livre Rui Tavares, que escreveu sobre o assunto na sua crónica na Folha de São Paulo, precisamente centrada no que “se pode aprender com a vitória” do novo mayor. “O que é simples é mais compreensível, e chega a mais gente”, argumenta; “quem é simples, genuíno e de aparência comum é valorizado por ser “um de nós”.

"A sua campanha foi toda ela baseada em discutir soluções práticas e simples que se podem implementar. A linguagem foi simples. O sorriso era simples. E a lição é simples: a simplicidade inteligente pode combater com eficácia a simplicidade estúpida", argumenta Rui Tavares

Infelizmente, escreve Tavares, a sua família política — que o próprio define como a dos “intelectuais de esquerda” — “adora complexidade”. “E isso ficou pior ainda numa época em que a direita abraçou uma espécie de simplicidade estúpida e bruta, o que levou a esquerda a distanciar-se mais ainda: se os populistas de direita propõem soluções simples para problemas complexos, eles que fiquem com a simplicidade que nós ficaremos com a complexidade”. Um “grave erro”, defende: a “simplicidade inteligente” foi a fórmula da campanha de Mamdani, que pôs “muita gente que já tinha desistido de ser de esquerda a concordar com ele”.

“A sua campanha foi toda ela baseada em discutir soluções práticas e simples que se podem implementar. A linguagem foi simples. O sorriso era simples. E a lição é simples: a simplicidade inteligente pode combater com eficácia a simplicidade estúpida”, provoca Tavares.

O próprio Mamdani explicou, num perfil publicado pela revista Time, que o aspeto mais importante de uma campanha é fazer com que “as pessoas se revejam, a elas e às suas dificuldades, na campanha”. Já a dificuldade dos democratas, reconheceu, numa declaração parecida com a de Tavares, é “praticar a política de forma direta, sem precisar de tradução, uma política em que se leiam as políticas e se percebam, e que se perceba como se aplicam à vida de cada um”. No caso de Mamdani, os apoiantes já completavam, nos comícios, os seus lemas rápidos: ele gritava “congelar” e eles respondiam “as rendas”, ele pedia “autocarros rápidos” a multidão gritava “e gratuitos”, ele dizia a palavra “universais…” e ouvia de volta “creches!”.

Portuguese party Livre co-spokesperson, Rui Tavares, speaks to his supporters on election night for the local elections, in Lisbon, Portugal, 12 October 2025. More than 9.3 million electors can vote in the local elections in Portugal on 12 October 2025. ANDRÉ KOSTERS/LUSA

▲ Rui Tavares deixa avisos aos restantes "intelectuais de esquerda"

ANDRÉ KOSTERS/LUSA

No Bloco de Esquerda, Joana Mortágua também reconhece a importância da simplicidade, e da alegria — fator inspiracional — da mensagem. “Aquela vitória é um bom espelho para a esquerda se tentar ver refletida. Não há dúvida de que é uma agenda de reconstrução de esquerda que tem uma nota de esperança, de otimismo, que é mais forte quando se está a desafiar um poder como o de Trump”. Isto porque Mamdani consegue fazer um diálogo com os eleitores sem “criar ressentimento”, conseguindo ao mesmo tempo falar aos “excluídos e vítimas do ódio de Trump”, mas também aos “arrendatários e à classe média”, e colocando “as condições de vida no centro do debate”.

Mais uma vez: e a esquerda portuguesa? “Temos tentado fazê-lo” — o mote de Mariana Mortágua na última convenção bloquista era a defesa de uma “vida boa” para as pessoas comuns — mas “é muito difícil, porque a extrema-direita, com a ajuda do centro-direita, tem estado sempre a puxar o discurso para a agenda identitária“. Mamdani, sendo ele próprio imigrante e tendo tido Trump a ameaçá-lo com uma deportação, conseguiu fugir a uma campanha que rodasse só à volta desses temas; fê-lo tendo uma “linguagem simples que toda a gente percebe, e ter otimismo e alegria”.

“Há ali condições para que ele possa emergir como uma luz e tornar-se uma inspiração para estes setores de esquerda”, garante Mortágua. Até porque “esta alternativa para derrotar a extrema-direita é muito melhor do que a de Joe Biden” — defende, como Pedro Nuno Santos defendia quando já era dirigente do PS, que é preciso que a esquerda apresente uma “alternativa clara” e não que tente moderar-se ou misturar-se com a direita.

Mas, feita as contas, Mamdani é Mamdani e a esquerda portuguesa é a esquerda portuguesa — por isso, “não vale a pena achar que é replicável”, nos mesmos termos, a sua vitória por cá.

A euforia dos “desesperados” e o perigo do “populismo de esquerda”

E há muito na esquerda, sobretudo na ala centrista do PS (mas também mais à esquerda), quem não acredite nessa transposição. Desde logo, porque Nova Iorque não é os Estados Unidos, muito menos Portugal ou a Europa: é uma cidade de tradição democrata e liberal, com uma alta percentagem de imigrantes (Mamdani fez vídeos de campanha em que falava árabe ou espanhol), e com uma taxa de sindicalização mais alta do que Portugal (20,6% na cidade norte-americana, segundo estatísticas oficiais de janeiro). Enfrentou, além disso, um principal adversário democrata independente com uma série de escândalos às costas — Andrew Cuomo demitiu-se de governador de Nova Iorque há quatro anos, depois de ter sido acusado de assédio sexual por 13 mulheres — e numa campanha que não foi dominada por temas que têm constituído, em Portugal, uma dificuldade para a esquerda, como a imigração.

Por esses e outros motivos, Francisco Assis argumenta que este é um caso “completamente à margem da América e do mundo”, que dificilmente se pode “projetar” para o espaço europeu ou servir para “retirar lições. “É resultado de uma grande polarização nos EUA. Fez uma boa campanha, foi muito mobilizador, isso do ponto de vista da fórmula da atuação”. As mensagens mais simplistas tanto à esquerda como à direita têm mais sucesso e por isso é preciso “reinventar a linguagem sem ceder nos princípios essenciais”, reconhece.

Mas a essência do seu projeto, defende, do “multiculturalismo” passando por propostas como o congelamento de rendas ou uma visão que classifica como “anti-israelita” é que não se pode reproduzir; pensar que sim será um “devaneio de quem está desesperado, tão desesperado que procura qualquer solução mágica”, mas não será com estas propostas que o socialismo democrático “vai retomar o contacto com a população”, antecipa.

"O candidato rapidamente constatará que o que prometeu choca com a realidade, que o populismo de esquerda é tão danoso como o de direita. As redes sociais e algum carisma permitem vitórias esporádicas, mas também afastam rapidamente", critica Ascenso Simões

Já o socialista Ascenso Simões considera que a vitória resultou de uma “mistura de cansaço com a velha política e a posição de muitas minorias juntas contra a governação de Trump”, mas não irá muito longe. “O candidato rapidamente constatará que o que prometeu choca com a realidade, que o populismo de esquerda é tão danoso como o de direita. As redes sociais e algum carisma permitem vitórias esporádicas, mas também afastam rapidamente”. Isto porque, para Ascenso Simões, tal como nos casos de Bernie Sanders ou Alexandria Ocasio-Cortez — figuras mais à esquerda no Partido Democrata que apoiaram Mamdani entusiasticamente — “o socialismo é mera propaganda, indignação e reação”.

O socialista que, em Portugal, já tinha acusado Pedro Nuno Santos de ter mostrado, enquanto líder do PS, uma “moderação completamente falsa”, argumenta agora que na Europa os socialistas e sociais democratas “foram marcados pelos partidos da extrema esquerda e quase se confundem”: “A família socialista europeia nunca foi revolucionária e hoje é. Este caminho leva a uma degradação do seu espaço eleitoral. Não é improvável que nas próximas eleições europeias os democratas e socialistas deixem de contar para a correlação de forças nas instituições”.

Já quanto a Mamdani, prevê, o caminho passará por ser “obrigado ao realismo da governação”, sendo as políticas de habitação “as primeiras a afundar”. Mais: “Haverá uma deceção dos seus principais apoiantes pelo facto de ter elevado de tal forma as expectativas que farão da sua vida de mayor um calvário”. Entre essas dúvidas estarão, como muitos têm sublinhado, o plano para subir impostos e taxas para empresas e milionários, de forma a pagar por creches gratuitas, autocarros gratuitos, o congelamento de rendas ou a abertura de mercearias públicas; ou a forma como conseguirá fazer aprovar propostas que parcialmente dependem de outros níveis da governação norte-americana que não o local.

O comunista Miguel Tiago junta algum ceticismo à análise, sobretudo quando pensa não na campanha, mas no exercício do poder. “Se há coisa que os EUA nos ensinam é que são ótimos a defraudar esperanças e expectativas”, diz, dando como exemplos Barack Obama, Alexandria Ocasio-Cortez ou até, fora dos EUA, partidos como o Syriza. “São ótimos a criar grande élan e a entusiasmar quem se diz ou identifica de esquerda, mas acabam por apadrinhar todas as políticas de direita, com ou sem bandeiras arco íris. E as bandeiras depois podem ser uma máscara para políticas de direita”.

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