E vão nove. Ao atropelar a Arménia no Dragão, Portugal qualificou-se para o Campeonato do Mundo pela nona vez, mantendo também um registo impressionante no que toca a apuramentos: a Seleção Nacional não falha uma fase final de uma grande competição desde 1998, marcando presença em todos os Europeus e Mundiais nos últimos 25 anos.

A tristeza foi uma oportunidade e a união fez a força, mas que ninguém se esqueça de quem fez a diferença (a crónica do Portugal-Arménia)

Depois de uma derrota complicada de ultrapassar contra a Irlanda, em Dublin, Portugal respondeu da melhor maneira e atropelou a Arménia, assegurando o primeiro lugar do Grupo F com 13 pontos — mais três do que a Irlanda, que venceu a Hungria em Budapeste e vai ao playoff, mais cinco do que os húngaros e mais dez do que os arménios. Na Europa, só mesmo Alemanha, França e Espanha têm mais presenças consecutivas em fases finais de Europeus e Mundiais, sendo que alemães e espanhóis ainda não garantiram a presença no Mundial 2026.

Depois do apito final, Roberto Martínez era naturalmente um homem feliz. “Acho que o importante era focarmo-nos no jogo. Durante o intervalo contra a Hungria ficámos apurados para o Mundial e depois foi difícil não o conseguirmos mais cedo. Hoje focámo-nos no jogo, tivemos um desempenho muito completo, com bola e sem bola. Também todos os jogadores que vieram desde o banco tiveram uma resposta responsável. Se mudava alguma coisa hoje? Foi importante depois do terceiro e do quarto golo sermos solidários e não perdermos o objetivo. Marcámos nove e tivemos mais oportunidades. A atitude da equipa foi muito boa. Uma vez mais, a magia do Dragão ajudou muito. Dar os parabéns aos nossos adeptos, que nos ajudaram”, começou por dizer, comentando depois o facto de Portugal ser considerado um dos favoritos à conquista do Campeonato do Mundo.

“Agora sim, agora podemos sonhar com o Mundial. Gostei muito da resposta dos jogadores, com um trabalho responsável depois da derrota com a Irlanda. Agora estamos mais preparados para ir ao Mundial do que quando ganhámos os dez jogos na qualificação para o Europeu. Hoje era uma homenagem muito bonita para o Eusébio. Hoje fomos tudo aquilo que a Seleção significa”, acrescentou, sublinhando depois a importância do apuramento direto. “Muito importante para mim. Era uma fase de apuramento esquisita, com seis jogos, não precisamos de calculadora. Já ouvi muitos adeptos a falar sobre isso. Agora é preparar o Mundial”, atirou.

Já Bruno Fernandes, que assinou um hat-trick e superou Rui Costa e Hélder Postiga para se isolar como sexto melhor marcador de sempre por Portugal, até desvalorizou a própria exibição. “Acho que já fiz jogos muito mais completos do que este. A diferença é que neste marquei e nos outros não. Sei que posso trazer golo e assistência, mas o meu papel agora é ajudar o ponta de lança e menos pela construção de jogo. Sacrifício na posição ’10’ e deixar João Neves e Vitinha na construção porque são as qualidades deles. Só fazemos falta quando não estamos e o Bruno Fernandes não esteve frente à Irlanda, mas se estivesse seria mais um a ser criticado”, disse o médio do Manchester United.

“Faz parte melhorar, não é só nas derrotas que temos coisas a melhorar. Temos de melhorar mais com bola do que sem bola, reagir mais rápido, há que melhorar e hoje não se passa nada despercebido para nós. É bom ter a possibilidade de marcar golos e ajudar a ganhar. Sou só mais um a ajudar para continuar a fazer melhor”, concluiu.