O Papa Leão XIV encontrou-se este sábado com um grupo de mais de 30 atores e realizadores de cinema, incluindo várias estrelas de Hollywood, a quem pediu que não tenham medo de “enfrentar as feridas do mundo” e que sejam “testemunhas da esperança, da beleza e da verdade”.

Num encontro no Vaticano organizado pelo Dicastério para a Cultura e Educação, liderado pelo cardeal e poeta português José Tolentino Mendonça, o Papa Leão XIV recebeu figuras como Cate Blanchett, Monica Bellucci, Viggo Mortensen, Spike Lee e Giuseppe Tornatore, a quem descreveu o cinema como “uma oficina da esperança”.

Tal como em encontros anteriores organizados por Tolentino (no passado houve encontros com humoristas, músicos e artistas plásticos, por exemplo), a iniciativa procurou aproximar a Igreja Católica do mundo das artes e da cultura, bem como explorar “as possibilidades que a criatividade artística oferece à missão da Igreja”.

Antes deste encontro, Leão XIV tinha revelado os seus quatro filmes favoritos de todos os tempos: Do Céu Caiu Uma Estrela (1946), Música no Coração (1965), Gente Vulgar (1980) e A Vida é Bela (1997).

Papa Leão XIV revela quais são os seus quatro filmes favoritos de todos os tempos

No discurso às estrelas do cinema, Leão XIV descreveu a sétima arte como “uma arte popular no sentido mais nobre, feita e acessível para todos”.

“É maravilhoso ver que, quando a luz mágica do cinema ilumina a escuridão, ilumina simultaneamente os olhos da alma. De facto, o cinema combina o que parece ser mero entretenimento com a narrativa da aventura espiritual da pessoa humana”, disse o Papa. “Um dos contributos mais valiosos do cinema é ajudar as audiências a pensarem nas próprias vidas, a olharem para a complexidade das suas experiências com novos olhos e a examinarem o mundo como pela primeira vez. Ao fazê-lo, redescobrem uma porção de esperança que é essencial para a humanidade viver plenamente.”

Na era dos ecrãs, “o cinema é muito mais do que um ecrã, é uma interseção de desejos, memórias e perguntas”, acrescentou o Papa.

Lamentando o encerramento de cinemas em muitas cidades, Leão XIV classificou os cinemas e os teatros como os “corações pulsantes das nossas comunidades, porque contribuem para as tornar mais humanas” — e pediu cooperação no sentido de “afirmar o valor social e cultural” do cinema numa época em que o streaming parece estar a colocar em risco a sustentabilidade de muitas salas.

“Quando o cinema é autêntico, não se limita a consolar, desafia. Articula as questões que habitam dentro de nós e, às vezes, até provoca lágrimas que não sabíamos que precisávamos de expressar”, afirmou o Papa, apelando aos realizadores e aos atores que não tenham medo de tocar nas “feridas” do mundo.

“A violência, a pobreza, o exílio, a solidão, o vício e as guerras esquecidas são assuntos que têm de ser reconhecidos e narrados. É isto que todos os grandes realizadores têm feito. Dar voz aos sentimentos complexos, contraditórios e por vezes negros que habitam no coração humano é um ato de amor”, sustentou Leão XIV.

“A arte não deve esquivar-se ao mistério da fragilidade”, acrescentou ainda. “Deve dialogar com ele e saber permanecer diante dele. Sem serem didáticas, as formas autenticamente artísticas do cinema têm a capacidade de educar o olhar do público.”