Os serviços da Cloudflare “estão a operar normalmente”, diz a empresa, sinalizando que “já não estão a ser detetados erros ou latência na rede”. É esta a informação que consta na página de estado de serviço da Cloudflare, depois da instabilidade que esta terça-feira deixou vários sites “em baixo”.
Às 17h44, hora de Lisboa, a empresa declarou que “as equipas de engenharia continuam a monitorizar com cuidado” os sistemas e “a fazer uma investigação mais profunda à disrupção” de há algumas horas.
Numa publicação na rede social X, Dane Knecht, diretor tecnológico da Cloudflare, declarou que a empresa “falhou aos clientes e à internet em geral quando um problema na rede afetou um grande volume de tráfego” que passa pela tecnológica norte-americana. “Os sites, negócios e organizações que dependem da Cloudflare dependem de nós para estarem disponíveis e peço desculpa pelo impacto que causámos”, é possível ler.
Nestas declarações Knecht prometeu explicações mais detalhadas para depois. Por agora, explicou de forma resumida “que um bug latente num serviço que sustenta as capacidades de mitigação de bots começou a dar erro após uma mudança de configuração de rotina”. “Isso levou a uma degradação alargada da nossa rede e outros serviços”, esclarecendo que “isto não foi uma ataque”. O executivo afirmou que “a questão, o impacto causado e o tempo para a resolução é inaceitável”.
A empresa revelou às 14h42 (hora de Lisboa), que foi implementada uma “resolução”, mas que se ia concentrar em “mitigar várias questões” que ainda estavam a afetar os clientes.
Durante a manhã, a empresa que assegura o tráfego de milhões de sites, reconheceu a falha, dizendo na página de estado do serviço que estava a “investigar a questão”.
A empresa afirmou que esta questão teve “potencialmente impacto em vários clientes”, prometendo que “mais detalhes serão apresentados à medida que a informação ficar disponível”. Numa atualização de informação, a empresa explicou que a instabilidade se traduziu em vários erros 500 (o erro que é apresentado quando não é possível mostrar um site), constrangimentos no painel da Cloudflare e também instabilidade nas API (interface de programação de aplicações).
Ao site The Verge, Jackie Dutton, porta-voz da Cloudflare, declarou que foi registado um “pico invulgar de tráfego” nos serviços da Cloudflare. “Ainda não sabemos o que causou este pico”, acrescentou, dizendo que a empresa “tem todos os esforços em ação para garantir que todo o tráfego é apresentado sem erros”.
O site do Observador também foi afetado por esta instabilidade. Também a rede social X foi afetada pela falha na Cloudflare — eram apresentados dois erros, um de “erro interno no servidor” (erro 500), e também falha na apresentação de mensagens no antigo Twitter. Houve também relatos de impacto em serviços como o ChatGPT, Spotify ou ainda no site de design Canva.
Mensagens de erro no X
Em alguns casos, os serviços afetados comunicaram aos utilizadores que a instabilidade está ligada à Cloudflare. É o caso, por exemplo, da empresa portuguesa Oscar, que permite contratar pessoas para pequenos serviços. “O Oscar está atualmente a ser afetado por problemas contínuos na rede da Cloudflare”, é possível ler num email enviado aos clientes. “Esta situação está fora do nosso controlo, mas estamos a trabalhar com a máxima prioridade para estabilizar os nossos serviços.”
Na versão portuguesa do Downdetector, um site em que é possível reportar dificuldades de acesso a serviços online, há um pico de 630 queixas ao 12h05 (hora de Lisboa). Na versão internacional, o número era maior, com mais de 5.270 queixas. Durante alguns minutos, o próprio site do DownDetector apresentou um erro ligado à Cloudflare.
Às 13h58, a Cloudflare disse que continuava “a trabalhar para restaurar” o serviço. Noutra atualização, a empresa declarou que, durante os trabalhos de mitigação, “desativaram o acesso WARP em Londres”, alertando os utilizadores nesta localização que passariam a receber mensagens de erro. Alguns minutos mais tarde, o acesso a partir de Londres foi reposto.
Às 12h21, a Cloudflare afirmou que “está a ver alguns serviços a recuperar”, mas explicando que “os clientes podem continuar a ter taxas de erro mais altas do que habitual” enquanto a empresa continuou “os esforços” para recuperar os serviços.
A instabilidade foi reportada no site às 11h48 (hora de Lisboa). Cerca de 16% do tráfego global de internet passa pelas mãos e ferramentas tecnológicas da Cloudflare.
Esta falha na Cloudflare acontece cerca de um mês após a instabilidade nos servidores da Amazon Web Services (AWS), que afetou sites em todo o mundo.
Falha nos servidores da Amazon compromete funcionamento de vários sites em todo o mundo