A TAP regressou aos lucros no terceiro trimestre deste ano com resultados de 126 milhões de euros. É uma subida de 14,5% face ao terceiro trimestre do ano passado, graças a um dos verões mais “movimentados” dos últimos anos. A performance deste trimestre compensou parcialmente os resultados negativos obtidos no arranque do ano. Ainda assim, os resultados dos primeiros nove meses do ano ficaram-se pelos 55,2 milhões de euros, uma queda de 35% face a igual período do ano passado.
O presidente executivo da TAP destaca que a empresa “apresentou uma performance sólida no terceiro trimestre, com um aumento de receitas, impulsionadas por um contributo relevante da Manutenção.” Luís Rodrigues considera que os “resultados operacionais sólidos e um resultado líquido positivo compensou integralmente as perdas do primeiro semestre, dando assim continuidade ao desempenho do segundo trimestre.”
O número de passageiros transportados cresceu 2,9% até setembro para 12,7 milhões, o que corresponde a um acréscimo de 3% da capacidade. As receitas operacionais situaram-se nos 3.281 milhões de euros, um crescimento de 0,5%. Apesar da melhoria dos RPK (receita por passageiro quilómetro), que subiu 4,6%, a receita por lugar oferecido (PRASK) recuou 3%.
Os custos operacionais recorrentes aumentaram 4,3%, atingindo 3.054 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2025.
O EBITDA (margem bruta) recorrente atingiu os 592 milhões de euros, uma queda de 11% face ao mesmo período do ano passado. O resultado operacional recuou 32,7% para 227,2 milhões de euros.
Apesar do aumento da procura e da capacidade com mais passageiros e voos, o gestor da TAP aponta para um verão “dos mais desafiantes, marcado por pressões concorrenciais persistentes e disrupções operacionais, desde greves, principalmente no handling, e constrangimentos no controlo de fronteiras nos aeroportos nacionais até restrições no espaço aéreo europeu e eventos meteorológicos adversos, que continuam a afetar a nossa operação, exigindo uma forte coordenação e resiliência das nossas equipas para mitigar impactos.”
Olhando para os dados do terceiro trimestre, o destaque vai para o salto de 64% nas receitas da manutenção que alcançaram os 79,6 milhões de euros. Este crescimento foi “impulsionado pela receção de materiais essenciais que permitiram a execução dos trabalhos, apesar dos constrangimentos persistentes na cadeia de fornecimento que continuam a afetar as entregas.”
As receitas totais neste trimestre cresceram 2,7% face ao terceiro trimestre de 2024, com as receitas de passagens a subirem menos do que o número de passageiros — 0,5% versus 4,2% — o que representa uma redução das receitas unitárias, que foi compensado pelo aumento da capacidade e pela melhoria do load factor (taxa de ocupação).
Para o último trimestre do ano, “as reservas mantêm-se robustas, ligeiramente acima do ano anterior, num contexto de aumento da capacidade e de uma clara tendência para janelas de reserva mais curtas.” A TAP antecipa ainda a manutenção da pressão concorrencial nos principais mercados, o que vai continuar a condicionar a evolução das receitas unitárias (por passageiro).
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Luís Rodrigues assinala também que arrancou a privatização da TAP, processo que deverá “deverá prolongar-se por vários trimestres”. Neste contexto, o “foco estratégico mantém-se inalterado: transformar a TAP numa empresa sustentadamente rentável e atrativa, consolidando a eficiência operacional e a sustentabilidade financeira, através do nosso compromisso e trabalho diário, com o apoio dos nossos stakeholders e a dedicação das nossas pessoas.”