A ex-apresentadora da Fox News, Megyn Kelly, está a ser duramente criticada após ter feito comentários polémicos sobre Jeffrey Epstein no seu podcast – comentários onde parece relativizar os crimes de abuso sexual cometidos pelo homem que montou uma rede de tráfico sexual envolvendo menores.

“Não há dúvida que ele gostava delas novinhas, e houve várias jovens mulheres a quem ele fez isto que eram menores de idade”, afirmou Megyn Kelly, acrescentando que conhece uma pessoa que acompanhou o caso de Jeffrey Epstein – e que essa pessoa lhe tinha dito, “desde o início deste caso, há vários anos, que Jeffrey Epstein, na sua opinião pessoal, não era um pedófilo“.

Kelly reconheceu que isso não invalida que crimes tenham sido cometidos, mas deu a entender que julgar alguém que abusa sexualmente de adolescentes não é a mesma coisa que alguém que abusa de uma criança com cinco ou oito anos. “Estou a dizer factos, ele não tinha interesse por, sei lá, crianças com oito anos – gostava de adolescentes que até poderiam passar por mais novas mas que também poderiam parecer maiores de idade”, referiu a jornalista.

Megyn Kelly acrescentou que não estava, “de todo, a desculpar [Epstein] pelo que fez, que percebo que é nojento“. Mas sublinhou que, na primeira vez que ouviu falar do caso Epstein, julgou que ele era “um verdadeiro pedófilo“. Essa perceção tinha por base a alegação feita pelo departamento de Justiça dos EUA que disse ter milhares de vídeos de Epstein com crianças.

“Mas ainda não vimos ninguém a vir a público dizer ‘eu tinha menos de 10 anos'”, salientou.

Apesar de Kelly afirmar que as suas declarações são uma mera “distinção factual”, estas geraram uma indignação imediata nas redes sociais, entre vítimas de abusos e figuras públicas. Marina Lacerda, uma vítima ligada ao caso Epstein, acusou Kelly de promover uma narrativa “perigosa e falsa” que relativiza e vulgariza o abuso sexual de menores.

Também humoristas e celebridades reagiram, incluindo John Oliver, que ridicularizou a tentativa de fazer “matemática da pedofilia”, e a atriz Christina Ricci, que classificou Kelly como uma ameaça para as crianças. As críticas tornaram-se ainda mais intensas devido ao facto de Kelly ter, no passado, condenado com firmeza o abuso sexual de menores e defendido vítimas adolescentes noutros casos mediáticos, como o movimento #MeToo.

Kelly não comentou publicamente a polémica, até ao momento.