Quatro anos depois de ter aberto o Seiva em Leça da Palmeira, David Jesus aumenta o seu legado gastronómico com um novo restaurante. Desta vez com proteína animal, mas também em Leça, o chef natural de Setúbal abre o Feitio, para mostrar que cada um tem o seu cunho pessoal na cozinha.
É mesmo na porta ao lado do Seiva que o Feitio vai nascer. Ainda em obras, o jovem chef perspetiva um soft opening ainda em dezembro para depois uma abertura oficial tomar conta em janeiro. Quando estiver, por fim, a funcionar totalmente, os clientes podem esperar um restaurante de cozinha tradicional portuguesa, com os pratos que “todos nós conhecemos”. Ao Observador, o chef David Jesus exemplifica sugestões como “choco frito, bacalhau na brasa, posta inteira, cabidela, cataplana, chouriço grelhado”. “O tradicional bem feito, com uma boa escolha de produtos”, garante.
Com o Seiva já assente em Leça da Palmeira, o chef procurava agora aumentar a sua oferta através de uma abordagem bastante diferente daquela que tem naquela que tem no restaurante vegetariano. “Se eu fizesse uma cozinha contemporânea as pessoas podiam achar que eu estava a canibalizar o Seiva, ou seja, a fazer o mesmo que faço no Seiva mas com carne e peixe. E não é nada disso que eu quero. Eu quero continuar a potenciar o Seiva e a demonstrar uma linha singular”, explica, acrescentando que, apesar de o Feitio ser um “tradicional português puro e duro”, vai manter os mesmos pilares que o restaurante irmão: o cuidado com o produto, com a apresentação dos pratos e com o cliente.
Sem menu de degustação, o cliente vai poder pedir à carta tanto para partilhar como para comer individualmente podendo gastar em média, por pessoa, 40 a 50 euros com vinho. “Dentro do tradicional há tanto que podemos fazer por isso a ideia é ir mudando a carta mês a mês. Nesta altura, ter um lombo de porco assado com castanhas faz sentido e umas boas bochechas também, com puré”, exemplificou. Mesmo assim, também no Feitio vai haver pratos vegetarianos.
No lugar onde antes já existia um restaurante de tapas e petiscos, David Jesus quer apresentar um espaço que não é elitista e que vai ter os seus defeitos naturais: “O Feitio surgiu na forma mais tradicional possível, também para ser mais direto e honesto, que é isso que quero passar”. Já o nome surge da identidade e personalidade de cada um: “Feitio vem mesmo disso, da personalidade de cada um. Porque dentro do receituário tradicional, não existem duas pessoas a fazer da mesma maneira. Não é? Tem muito cunho pessoal”, explica, acrescentando que é essa a ideia que quer passar, “de que cada um pode fazer à sua maneira e que a cozinha portuguesa tem muito cunho de quem a faz, está muito assente nas pessoas”.
Quando finalmente abrir portas, vai copiar o irmão nos horários, estando por isso aberto terça e quarta-feira ao jantar e de quinta-feira a sábado ao almoço e ao jantar.