O incêndio que deflagrou esta quarta-feira em vários prédios num complexo residencial no norte de Hong Kong provocou 44 mortos, noticia a agência de notícias Reuters. Para além das vítimas mortais, outras 45 pessoas estão hospitalizadas em estado crítico e 279 continuam desaparecidas, segundo adiantou a polícia de Hong Kong, em conferência de imprensa. Este é já o incêndio mais mortífero em Hong Kong desde a Segunda Guerra Mundial.

Entretanto, diversos meios de comunicação locais noticiaram que a polícia prendeu três homens, suspeitos do crimes de homicídio por negligência. Segundo a CNN, entre os detidos estão dois diretores e um consultor de uma construtora.

A polícia encontrou o nome da construtora em placas de poliestireno inflamável que os bombeiros encontraram a bloquear algumas janelas do complexo de apartamentos. As autoridades suspeitam que outros materiais de construção encontrados nos apartamentos — incluindo redes de proteção, lonas e coberturas plásticas — não cumpriam os padrões de segurança.

O fogo incendiou o Wang Fuk Court, um complexo residencial no bairro de Tai Po com quase duas mil casas divididas por oito blocos e habitadas por cerca de quatro mil pessoas. O alerta tinha sido dado às 14h51 locais (6h51 em Lisboa). O responsável indicou ainda que as chamas estão sob controlo em três dos oito prédios.

Segundo a BBC, uma das vítimas mortais era um bombeiro que estava a combater as chamas no local, havendo outros combatentes entre os feridos. De acordo com a polícia local, vários moradores ainda estão presos no interior dos edifícios.

Imagens do local mostram densas colunas de fumo em redor dos prédios. Os vários prédios em chamas têm à volta das suas fachadas andaimes em bambu, montados numa altura em que o complexo era alvo de obras de renovação.

As autoridades classificaram o incêndio com o nível de alarme 5, o mais alto na escala de 1 a 5 que classifica os desastres na região e que o torna o pior incêndio em Hong Kong desde 1996. O governo da região autónoma especial montou oito abrigos temporários para os desalojados pelas chamas, onde cerca de 900 pessoas já terão sido acolhidas, acrescentou o responsável regional.

Ao todo, no terreno, 888 bombeiros, 128 carros e 57 ambulâncias participaram na resposta das autoridades de emergência. As recomendações dadas pelas autoridades a quem ficou preso dentro dos edifícios incendiados eram de que permanecessem onde estão e esperassem o resgate, noticiou a agência Reuters.

À Reuters, Harry Cheung, habitante do bloco 2 do complexo, contou que ouviu “um barulho muito grande” por volta das 14h45 locais (6h45 em Portugal Continental). Quando olhou pela janela, contou, viu o bloco 5 a arder, acabando por agir quando viu as chamas a intensificar.

“Então, voltei imediatamente para casa para arrumar as minhas coisas. Depois disso, saí e estou aqui em baixo até agora. Já se passaram mais de três horas”, disse o residente. “Agora, estou só a pensar onde vou dormir esta noite, porque provavelmente não vou conseguir voltar para casa”, acrescentou.

Xi envia condolências e partidos suspendem campanha eleitoral

O Presidente da República Popular da China, Xi Jinping, já reagiu ao incidente numa declaração emitida pela televisão estatal CCTV e citada pela emissora local RTHK. Na mensagem, Xi enviou as condolências às famílias dos mortos e exigiu “esforços totais” para apagar o fogo por parte das autoridades de Hong Kong.

Numa altura em que a região autónoma se preparava para novas eleições para o Conselho Legislativo no dia 7 de dezembro, vários partidos anunciaram que iriam suspender as suas campanhas devido ao desastre, noticiou o South China Morning Herald.

Fogo espalhou-se de forma “invulgar”, indica responsável

Na conferência de imprensa com os membros do governo regional, o secretário para a Segurança de Hong Kong, Chris Tang indicou que a investigação preliminar às causas do incêndio indicou que a forma como o fogo se espalhou rapidamente levantou suspeitas.

“Descobrimos que, nas paredes relevantes do edifício, a rede e o material impermeável da lona, uma vez queimados, apresentaram uma propagação das chamas mais rápida do que [deveriam em] materiais regulamentados. Isto é incomum”, indicou o responsável, citado pelo South China Morning Post.

O diretor dos bombeiros, Andy Yeung Yan-kin, informou que os operacionais encontraram esferovite dentro dos edifícios incendiados, algo que contribuiu para a velocidade a que as chamas se espalharam dentro dos blocos de apartamentos.

As causas do fogo serão agora investigadas, indicou, pela polícia da cidade e pelos bombeiros, levantando ainda a possibilidade de uma investigação criminal.