Pedro Delille já tem sucessor como defensor de José Sócrates no processo principal da Operação Marquês, revelou a CNN Portugal. Chama-se José Preto, é um advogado penalista que ficou conhecido por ter sido defensor de Bruno de Carvalho, ex-presidente do Sporting Clube de Portugal, no caso da invasão da Academia de Alcochete, em 2018.
Segundo avançou entretanto a SIC Notícias, o novo mandatário de Sócrates já terá pedido ao tribunal cinco meses e meio para consultar o processo. Isso implicaria quase meio ano de paragem no julgamento, uma decisão que está agora nas mãos do coletivo presidido pela juíza Susana Seca. A lei obriga a um prazo de cinco dias, embora esse prazo possa ser alargado, se for o entendimento do tribunal.
José Preto acabou por abandonar a defesa do antigo presidente do Sporting ainda antes da realização do julgamento, então por divergências com a conduta de Bruno de Carvalho. Em causa estava a entrega de um parecer pelo ex-líder leonino do antigo presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), José Manuel Anes, no qual considerava que a acusação de terrorismo não tem cabimento no caso do ataque ao centro de estágio de Alcochete.
“Acho grotesco que se entregue um parecer de uma pessoa que não é jurista. Em matéria de direito, um parecer de um não jurista é proibido. Acho imperdoável que o meu ilustre constituinte se tenha deixado manipular desta maneira”, disse, em 2019, José Preto ao Diário de Notícias, considerando que não fazia sentido continuar na defesa quando se tinha mostrado contra a apresentação do referido parecer.
José Preto foi também o advogado do antigo agente do SIS Frederico Carvalhão Gil, que acabou condenado em fevereiro de 2018 pelo tribunal judicial da Comarca de Lisboa a uma pena única de sete anos e quatro meses de prisão, por espionagem e corrupção passiva. Então, segundo o Ministério Público, Carvalhão Gil foi recrutado pelo serviço externo da Federação Russa para fornecer informações que estariam sob segredo de Estado a troco de pagamentos.
O antigo primeiro-ministro viu Pedro Delille abandonar a sua representação no julgamento do processo Operação Marquês no passado dia 4 de novembro, na sequência de um diferendo com a juíza presidente Susana Seca.
A defesa de Sócrates foi assegurada provisoriamente pelo advogado oficioso José Manuel Ramos, até que no dia 11 o coletivo decidiu interromper a audiência de julgamento e suspender os trabalhos até dia 4 de dezembro, com o ex-primeiro-ministro a dispor de prazo de 20 dias para apresentar um novo advogado em sua representação. E é aqui que entra agora José Preto.