O embaixador de Portugal em Maputo manifestou esta quarta-feira, em Nampula, a disponibilidade portuguesa para apoiar Moçambique no combate ao terrorismo, mas sublinhou que cabe às autoridades moçambicanas desenhar a estratégia para travar o alastramento desses ataques no norte.

“Compete às autoridades moçambicanas definirem um plano estratégico para fazer face ao movimento de insurgentes em Cabo Delgado. A nós cabe-nos ouvir e procurar corresponder àquilo que são as necessidades que Moçambique identifique”, disse o embaixador Jorge Monteiro.

O responsável respondia a perguntas de jornalistas no âmbito da sua primeira visita de trabalho à província moçambicana de Nampula, no norte do país, em que apontou que a insurgência que começou há oito anos, na vizinha província de Cabo Delgado, agora com registo de ataques em Nampula, é “um problema transversal” que quer soluções combinadas.

“Por isso a nossa cooperação em Cabo Delgado e Nampula está focada no apoio a emergência, mas também através de projetos como Mais Emprego, na criação de mecanismos de dinamização económica, de facilitação de acesso ao emprego a mais jovens, porque em última instância essa é a melhor forma de combater a violência, esses movimentos e mesmo a capacidade de recrutamento dessas organizações insurgentes”, disse o diplomata.

O embaixador lembrou que Portugal tem apoiado Moçambique na luta contra o terrorismo através da missão de formação da União Europeia, referindo que o país quer prestar mais apoio, mas em coordenação com as autoridades locais.

“Nós queremos fazer mais, mas queremos fazer em parceria com as autoridades moçambicanas, nós estamos disponíveis para responder àquilo que são as necessidades essenciais e prioritárias que Moçambique identifica, essa é uma responsabilidade de Moçambique. Portugal está aqui para apoiar tanto bilateralmente como no quadro da União Europeia e noutros fóruns multilaterais que possam ser úteis para Moçambique”, frisou.

O diplomata disse ainda que vai lançar na quinta-feira, em Nampula, a segunda fase de projetos de empreendedorismo e estímulo ao emprego, abrangendo províncias de Cabo Delgado e Nampula, com financiamento de cerca 8,5 milhões de euros da União Europeia.

“Esta nova edição duplica o orçamento, passamos de quatro milhões para 8,5 milhões de euros de apoio através do Mais Emprego 2 e ainda temos uma forte expectativa que possamos levar mais longe ainda o impacto que este projeto está a ter no acesso ao emprego de qualidade para jovens moçambicanos dessas duas províncias”, disse o embaixador.

A primeira fase do projeto Mais Emprego, desenvolvida nos últimos quatro anos na província de Cabo Delgado, contou com o apoio da União Europeia em cerca de 4,5 milhões de euros e materializado pelo Governo português através do instituto Camões.

O projeto tinha como meta o estímulo à criação de postos de trabalho para jovens da província de Cabo Delgado, tendo alcançado, revelou a embaixada de Portugal em Moçambique, 1.435 formandos, de entre os quais, 937 jovens, 317 formadores e técnicos de emprego, 181 técnicos e dirigentes de entidades parceiras, 304 estagiários acolhidos em 39 empresas e 149 jovens que foram atribuídos pacotes de autoemprego.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) estimou na terça-feira que um total de 71.983 pessoas fugiram em uma semana do distrito de Memba, em Nampula, devido a ataques de grupos terroristas.

De acordo com um relatório de campo daquela agência das Nações Unidas, os recentes ataques de grupos armados não estatais no distrito de Memba, entre 10 e 17 de novembro, desencadearam novas deslocações, agravando a escalada da violência no norte de Moçambique em 2025.

A província de Cabo Delgado, também no norte de Moçambique, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.