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Testamento. Pinto Balsemão distribui fortuna pela família, mas deixa milhares de euros a funcionários e amigos

Este artigo tem mais de 6 meses

Empresário destinou maior fatia da fortuna à família, mas atribuiu quantias elevadas a quem o acompanhou durante anos: motorista recebe 116 mil euros e colaboradora 120 mil euros e pensão vitalícia.

Balsemão fundou o Expresso, foi primeiro-ministro e como empresário lançou a primeira televisão privada
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▲Balsemão fundou o Expresso, foi primeiro-ministro e como empresário lançou a primeira televisão privada

Hugo Amaral

▲Balsemão fundou o Expresso, foi primeiro-ministro e como empresário lançou a primeira televisão privada

Hugo Amaral

Francisco Pinto Balsemão, que morreu no dia 21 de outubro aos 88 anos, assinou o seu sexto e último testamento no dia 6 de fevereiro de 2020. De acordo com a revista Sábado, o político e empresário distribuiu a fortuna pela família, mas não esqueceu os amigos e os funcionários de quem era próximo, nomeadamente o motorista e uma antiga colaboradora a quem destinou uma pensão vitalícia.

O dono do grupo Impresa acumulou ao longo de várias décadas um património que ultrapassa os 36 milhões de euros em aplicações financeiras, títulos, depósitos bancários e mais-valias, segundo revelam as declarações entregues ao Tribunal Constitucional.

Entre as decisões que mais surpreendem, está a atribuição de um quantia de cerca de 116 mil euros ao motorista José Sousa, que trabalhou com Balsemão durante 33 anos. Os dois conheceram-se por acaso, num almoço no restaurante Pabe, em Lisboa. Sousa servia à mesa quando o empresário o convidou para trabalhar consigo. “O Dr. Balsemão para mim não é só um patrão, é um amigo”, disse o funcionário à SIC Notícias no dia do funeral do fundador do Expresso.

José Sousa tornou-se uma presença permanente nas deslocações do empresário e confidente informal em longas viagens — ao ponto de o próprio Balsemão assumir o volante quando percebia que o motorista estava cansado. O motorista, escreveu a Sábado, era uma das primeiras pessoas a quem o empresário mostrava os novos programas que queria estrear. Se o motorista não gostasse, era provável que o programa nem sequer fosse para o ar.

Uma antiga funcionária, Maria José, surge também como uma das principais beneficiárias fora do círculo familiar. O testamento determina, ainda, que receba 70 mil euros destinados à compra de um imóvel, valor entregue no momento da aquisição. Acrescentam-se também 50 mil euros em dinheiro e uma pensão vitalícia equivalente ao dobro do salário mínimo nacional, ou seja, à data de hoje receberá 1740 euros mensais.

Outra amiga próxima, identificada como Margarida, é contemplada com 100 mil euros. Todos estes montantes ficam a cargo da mulher de Balsemão, Mercedes Presas (Tita), designada executora testamentária.

Empresa para os cinco filhos e casa na Quinta da Marinha para a mulher

Mercedes Presas herda a casa da Quinta da Marinha, que se manteve como único imóvel em nome de Balsemão até à data da morte, depois da venda do palacete da Rua Ribeiro Sanches, na Lapa, inscrito nas suas declarações de rendimentos em anos anteriores, revela ainda a Sábado. Além da casa, recebe o recheio das habitações, todos os créditos e depósitos bancários de que o marido fosse titular e a totalidade da participação na empresa Estrelícia, dedicada a investimentos imobiliários. Tal como determina a lei portuguesa, a herança conjugal não pode ultrapassar um quarto do património do falecido quando há descendentes diretos.

▲ Família Balsemão durante férias

Livro "Memórias" de Francisco Pinto Balsemão

Os cinco filhos — Mónica, Henrique, Francisco Maria, Joana e Francisco Pedro — recebem a componente central da estrutura empresarial. Cada um herda 929 482 ações da Balseger, sociedade que controla mais de metade do capital da Impresa, detentora do Expresso e da SIC. O testamento distribui ainda pelos filhos todas as quotas da Sociedade Francisco Pinto Balsemão e a participação pessoal do empresário na Impresa, avaliada em 1,26 milhões de euros, além do remanescente da quota disponível da herança. O documento menciona igualmente bens pessoais, incluindo dois jazigos de família (um no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, e outro na Guarda) e o Porsche 356 C Coupé, adquirido em 1963 e que foi alvo de um atentado durante o PREC, embora o automóvel já não constasse do património em 2024.

Foi jornalista, foi político, mas foi o empresário que ganhou. Quem foram os aliados, rivais e inimigos de Balsemão nos negócios

O testamento, assinado no escritório do seu advogado, na Rua Castilho, em Lisboa, não foi o primeiro que fez. O documento de 2020 é o sexto testamento de Balsemão, que ao longo da vida foi revendo a sucessão à medida que a família se alterava e que o universo empresarial se expandia.

O primeiro foi assinado em 1966, após o nascimento da filha mais velha, num período em que acabara de herdar o património do pai. Em 1975, quando se casou com Tita, redigiu um segundo testamento onde já deixava à nova mulher a casa da Quinta da Marinha. Em 1986, ano em que se afastou da política ativa, redige o terceiro. Seguiram-se revisões em 2005, em plena crise financeira da Impresa após o corte da publicidade pelo BES, e em 2010, ainda sem incluir os amigos e colaboradores que agora surgem contemplados.

O testamento de 2020 acabou por ser a versão final, estruturada para assegurar a continuidade do grupo Impresa no seio familiar e, ao mesmo tempo, retribuir décadas de lealdade a quem o acompanhou de forma próxima.

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